sábado, 27 de setembro de 2014

Todos os dias

Todos os dias,
esqueço um pouco quem eu sou.

Cada vez menos,
restam memórias e sentimentos.

Desejos, razões e histórias...

O que foi quê... como ente, me formou?

Onde ficam e ficavam,
estas lembranças
de cada um destes momentos?

Quando fui frágil, pobre,
belo, nobre, forte...
Qual foi meu sul, e o meu norte?

O tempo?
Não, não foi o tempo
o que tudo me deu ou tomou...

Não foi a lógica, que em novas razões
dissolveu-se e assim, mudou...

Minhas paixões, o meu grande amor...
Ela? Quem ela foi?

Já desconheço, portanto,
assim não às mereço?

Somos o enquanto?

Minhas conquistas,
que foram muitas...
não sei, foram quais?

Isto não me causa espanto,
e sem menos e nem mais...
o mundo, contudo,
permanecerá o mesmo,
sem mim...
Até o meu, e depois,
o seu fim...
E parece que pouco importa
olharmos para trás...
ralleirias (Das mortes não morridas)


Imagem: Untitled -© I O A N N I S • N I K I F O R A K I S

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