Tudo muda, absolutamente.
E isto acontece, para cada coisa,
em velocidades diferentes...
Ao observador, suas próprias certezas
são matrizes de seus enganos...
Então para fixa-las, um pouco mais,
eis que surgimos assim,
como parte dos arcanos.
Portanto, se olhássemos de fora de nós
e de nossos intrincados mundos talvez,
diluir-se-iam todos os mistérios...
e mesmo, os mais profundos...
Mas, no entanto, há antes de
todas estas instâncias fragilmente
construídas, uma soberana e única
resiliência da qual, todas as coisas
do multiverso, guardam nenhuma
distância.
E ela opera, com simples
e poderosa inteligência...
Não é como uma entidade,
não representa nenhuma vontade,
compartilha espaço, sem estar
e assim, há em toda parte, mas
também, em nenhum lugar...
Não se trata de divindade,
suas identidades mais próximas
são algo como a impermanência
e a liberdade...
Enquanto tudo acontecer,
isto permanece, sem perecer.
Quando nada mais existir,
isto resiste, sem desistir.
Em todos os espectros,
de tudo que há
do mais denso concreto
ao inefável e intangível
sempre e somente será
então o silêncio
a única referência
irresistível, regenerável
reversível, mas ponderável
num imponderável indestrutível.
ralleirias- Crônicas das asceses místicas

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