quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Lapso temporal II

Na capital Gaúcha, Porto Alegre, próximo à rua Uruguai com a esquina da
rua Sete de setembro, há vários prédios muito antigos, com modelos
arquitetônicos lindos, e também há becos, galerias e ruelas, e alguns destes
lugares são quase tão antigos quanto a própria cidade...
Mas o que define um lugar?
O espaço, o tempo, a sua arquitetura, suas referências, a memória sobre ele?
Seriam as pessoas que ali habitavam e  habitam ou suas histórias?

Ali naquela área, alguns incidentes misteriosos relacionados ao desparecimento
de pessoas ocorreram em diferentes momentos históricos, e em distintos pontos,
mas todos muito próximos uns dos outros, segundo registros, ao longo dos
últimos 200 anos.

Um engraxate, um vigia noturno, uma secretária executiva de um importante
banco, um garçom, um hóspede estrangeiro de um conhecido hotel que
há por ali... São estes alguns dos desaparecidos que constam ainda num dos
poucos registros que sobraram, e este, compõe o arquivo morto de um antigo
jornal da capital, que também já nem existe mais, além disto, há apenas a
memória fragmentada de algumas poucas pessoas, como os policiais aposentados
que investigaram parte dos casos, nas suas respectivas épocas de atuação na região.

Não há registros, de haverem encontrado, nunca mais, nenhuma destas pessoas
que por ali desapareceram.
Mesmo as suas histórias pessoais, parecem que se apagam também ao longo do
tempo, de fato restam ainda  muito poucas informações confiáveis, sobre quem
foram, e sobre suas vidas e tragédias. Mas há um caso pitoresco...

Há este, que é um dos  mais enigmático casos. O vigia noturno, que após
desaparecido,  enviou cartas à sua esposa, durante 27 anos, até esta falecer,
no final da década de 90.
No teor destas cartas, confessava solidão e saudade, e demonstrava que
acompanhava de alguma forma, o cotidiano dela e de sua filha, e então,
até mesmo o de sua neta.

As cartas não tinham envelopes, e eram escritas sempre no mesmo
tipo de papel, velho e amarelado, consistiam apenas de uma ou duas
folhas dobradas, sem pautas, a sua mesma caligrafia, escritas sempre
com diferentes canetas e tintas.
Ele  não dizia nelas, aonde estava,  nunca relatou as circunstâncias que
o fizeram sumir. Estas cartas, simplesmente apareciam na caixa de
correspondência.  Apenas numa breve referência na primeira carta,
dizia-lhes ser inacreditável o que havia  acontecido, que ele mesmo
não compreendia bem, e por isto mesmo não o relataria.

Recentemente, aconteceu mais um desaparecimento misterioso, uma
adolescente, estudante, que segundo o relato, praticamente como num truque
de ilusionismo, sumiu diante dos olhos de uma amiga que à acompanhava
e também diante dos olhares espantados dos seguranças do banco, cujo prédio
fica exatamente na esquina daquelas anteriormente referidas ruas...

Segundo o relato da amiga da estudante, aconteceu assim:
Após utilizar os serviços bancários no interior da agência,
além da sala de caixas eletrônicos, a estudante ao sair, ficou dando voltas
na porta giratória do banco, fazendo uma brincadeira com esta
sua amiga, que a esperava do outro lado,  então, a amiga decidiu brincar
também, e assim, entrou na porta giratória, quando daí, parece que simplesmente
e espetacularmente a estudante desapareceu durante um dos giros da porta!

Passados alguns meses, acalmada a comoção, seus familiares começaram a
receber mensagens enviadas pelo telefone que ela possuía quando sumiu.
A operadora não conseguiu identificar precisamente a área de transmissão,
embora pareça ser do mesmo local de onde ela desapareceu.

Segundo relatos dos familiares à polícia, a forma,  linguagem, expressões e
conteúdo das mensagens são inequivocamente dela, mas, contam histórias estranhas!
Nisto, não repetem o padrão das cartas do vigia noturno, com a exceção sobre o
segredo do que efetivamente ocorreu quanto ao seu desaparecimento...
O que ela, também não entende.
Mas agora, revela-se então, mais esta incrível ligação, que foi inesperada entre
estes dois casos!
O atual investigador, contou-nos sobre como desenvolve uma nova linha
de investigação:
Embora não consiga explicar o desaparecimento espetacular dela, ele supõe
que o provável autor dos sequestros e desparecimentos, seja um conhecedor
profundo destas histórias da região.

Para ele, não é apenas uma incrível coincidência, que a menina desaparecida
recentemente, envie mensagens para família, de fato ele descobriu que ela é a neta
do viga noturno desaparecido que também enviava cartas misteriosas à família.

O suposto criminoso,  na opinião do investigador, também é um sádico, sátiro,
maluco e perverso, mas muito inventivo, pois nestas mensagens que ele simula
ser a menina, enviando-as por telefone,  relata que está com o seu avô,  ele chama
a tenção para o fato de que, ela o conhecia apenas por antigas fotografias, também
nestas mensagens 'ela' diz que eles não envelhecem onde estão, segundo o que
ela diz, o que envelhece, somos apenas nós e a versão da cidade e desta realidade
na qual nós acreditamos.
ralleirias



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