Dorme enquanto podes, pois a guerra
ainda não foi abertamente declarada...
Violenta suja e malvada...
Pelo império, construtor do nada.
Manchando com sangue, toda a terra
Abominavelmente azul, branca e encarnada...
Listrada e estrelada...
Dorme, enquanto ainda tens água...
Enquanto ainda podes saciar tua fome e as sedes
Dorme enquanto o fogo não arde...
Nas casas, nas portas, janelas, paredes...
Dorme, enquanto o império não te ataca...
Não te decepa, não te rende, não te empala, nem te estaca...
Dorme, enquanto eles moem apenas a tua cultura
Tua língua, teus credos, costumes e palavras...
Enquanto eles não poem seus tanques de guerra em tuas ruas
Enquanto apenas te fazem servo
Te fazem gado
Te deixam surdo, mudo e cego... e muito amuado
Dorme enquanto tens o privilégio do sono
Embora, não dos sonhos...
Pois mesmo destes
Já nem és bem o dono...
Não percebes o açoite?
Dorme ainda hoje! é um abono!
Dorme agora, tens ainda noite após noite...
Enquanto o império, que contra a ti trama,
não te impõe o derradeiro sono...
Em tua última e eterna cama....
ralleirias- Das lutas de classe

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