quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Dorme enquanto podes...

Dorme enquanto podes, pois a guerra
ainda não foi abertamente declarada...
Violenta suja e malvada...
Pelo império, construtor do nada.
Manchando com sangue, toda a terra
Abominavelmente azul, branca e encarnada...
Listrada e estrelada...

Dorme, enquanto ainda tens água...
Enquanto ainda podes saciar tua fome e as sedes
Dorme enquanto o fogo não arde...
Nas casas, nas portas, janelas, paredes...

Dorme, enquanto o império não te ataca...
Não te decepa, não te rende, não te empala, nem te estaca...

Dorme, enquanto eles moem apenas a tua cultura
Tua língua, teus credos, costumes e palavras...
Enquanto eles não poem seus tanques de guerra em tuas ruas
Enquanto apenas te fazem servo
Te fazem gado
Te deixam surdo, mudo e cego... e muito amuado

Dorme enquanto tens o privilégio do sono
Embora, não dos sonhos...
Pois mesmo destes
Já nem és bem o dono...

Não percebes o açoite?
Dorme ainda hoje! é um abono!
Dorme agora,  tens ainda noite após noite...
Enquanto o império, que contra a ti trama,
não te impõe o derradeiro sono...
Em tua última e eterna cama....
ralleirias-  Das lutas de classe


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