sábado, 5 de julho de 2014

Sustentação do Nirvana...

As autorizações para estas existências de muitas das realidades 
que nos circundam, em grande parte, me parece que sim... 
são nossas prerrogativas... principalmente no que envolve aceitação, 
de significâncias e conceitos e da obediência às razões das linguagens... 
Assim, a tagarelice imposta pelos pensamentos ordinários, principalmente 
os mais rebuscados, consegue ser convincentemente ensurdecedora e impõe 
às vezes, até grande desatino... 
É um grande ganho, quando então, decidimos explorar a possibilidade de 
controlar a própria mente, começando por acalma-la e silenciá-la. 
E ainda assim, esta paz, que encontraremos, agora em nosso silêncio, 
não terá à ver exatamente com a cessação dos sons externos... 
Mas, provavelmente, partirá da momentânea interrupção nas certezas 
destas realidades... pois assim, se calarão seus ecos sistêmicos em 
nossas mentes.
Se levarmos esta vontade adiante, logo após esta decisão consciente,
ainda será difícil acreditar que seja realmente possível mantermos
este controle... Depois de algum progresso, pode-se descobrir, como
esta prática é realmente difícil...
E então, ainda que obtidos os primeiros sucessos, torna-se muito
mais complicada a sustentação desta condição, pelo próprio desejo de
controle que emergirá via fuga desse comprometimento...
No entanto, neste ponto, já começaremos a perceber, que também este
esforço é mais uma realidade criada, e que ele e todas estas
concessões às realidades e crenças, às quais constantemente
mantemos, são nada mais que uma opção também acreditada, e que
parecem gastar as mesmas quantidades de energias, mas porém, assim,
um maior tempo, e este tempo é o que consolida aquilo que chamamos
de nossa realidade...
E ela entrelaça-se com o mais longínquo entendimento do nosso
passado com o nosso agora e todas as possibilidades de futuros ...
Somente então, poderemos talvez perceber, que do instante e do
silêncio, é que partem o eterno e o infinito, e assim, teremos um
vislumbre autêntico e rápido do que é o real e o agora...
E desta faísca de entendimento, poderemos capturar a condição
essencial do que chamamos paz, perceberemos de onde partem as
opcionais identidades o eu e todos as decorrentes instâncias e
mundos.
Vazio é o nirvana.
O samsara é forma.
Nirvana é vacuidade.
O samsara é causalidade.
Mas também, o inverso, pode ser.
ralleirias- das asceses místicas
Imagem: Ser - A Paz do Silêncio

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