Quando encontro quem defenda essencialmente o dinheiro,
em detrimento ao 'humano' e suas necessidades, não espero lucidez.
E por mais que eu tente ou insista em argumentar, sei por experiência
que não obterei respostas lúcidas nos debates sobre o tema...
Também já notei, que boa parte destas pessoas, formaram suas
percepções políticas, acreditando que política, é aquilo que eles
ouvem dos candidatos na 'chata' campanha eleitoral...
E que política é coisa de 'político'(e este, seria como um ente à parte
no processo de construção social ) e portanto, de corrupto e de espertalhões.
E, o que deve ser importante mesmo, para qualquer 'pessoa de bem', é apenas
ser bem 'sucedido', em ter todas as muitas coisas com as quais 'sonha'
em seus induzidos devaneios de consumo... e dogmas.
Parece, que a grande maioria destas pessoas, não perceber que a política
de verdade, está em cada atitude no dia a dia...
E que o próprio consumo, como tudo, é permeado também pela política...
Talvez, seja esta justamente a principal e intransponível barreira que impede
reais transformações sociais...
Necessitamos rever as nossas atitudes cotidianas, inclusive e principalmente
as atitudes de consumo...
Nelas, talvez resida esta chave para a base de transformação do mundo.
Notadamente, a 'atitude' está intimamente ligada a educação.
Hoje, a informação precede a comunicação, que precede o conhecimento,
e estas, agora precedem à educação, e todas moldam a cultura e o comportamento...
Me parece, que a mídia mainstream, que representa os interesses dos detentores
do poder do dinheiro, está tomando em suas mãos nossa condução cultural e está
induzindo a cidadania, numa transformação e uma adequação para 'um lugar' de
mero público consumidor...
E consumidores, quando, sem poder de consumo, transformam-se em algo
descartável e sem função, aliás como o clássico produto final de uma
sociedade de consumo... o lixo!
E isto, é no minimo, muito preocupante...temerário...
É esta, uma condução objetiva rumo à desigualdade, e que forma e preserva
as condições necessárias para manter a separação entre elites e explorados.
E como explorados, nos sub-categorizam ainda, o fazem com pequenos
pseudo- privilégios, ditos 'meritocráticos', e que também servem aos expedientes
que nos dividem, para mais fácil nos controlar dividir e conquistar...
Como cães de guarda, algumas destas adestradas categorias, patrulham e
mantém estes ditos privilégios de status, que é medido e valorado pelo poder
de consumo, sempre em comparação com os das poderosas elites dominantes...
Mas, se decidíssemos estrategicamente então, usar o consumo, (que é sem
dúvidas o principal combustível do grande motor vilão, que é a especulação
econômica - financeira) como uma forte ferramenta de mudanças..?
Necessitaríamos subverter esta lógica nefasta, insana e especulativa do consumo
'burro', para que então, em nossas mãos, pudéssemos tomar a ação efetiva
que transformaria o mundo.
Nossas atitudes, quando engajadas em suas sinergias, visariam todas as
necessidades e interesses humanos racionalmente, responsavelmente, com
visão de alcance ecológico, e baseadas em recursos, e quiçá poderíamos
transformar daí, as reais 'políticas sociais' em instâncias virtuosas e sobre
tudo realmente humanizadas...
Quem sabe a gora, este poder, emanado do próprio ente social,
teria ação revolucionária e duradoura?
Utopia? Talvez distropia do modelo atual...
Deveríamos aliar-nos em nossas atitudes cotidianas, numa nova visão, incluindo
educação para o consumo e produção responsáveis, porque do contrário, estaremos
literalmente envenenando toda sociedade, e condenando por descaso e estupidez a
própria humanidade e o mundo.
Todo os sistemas já estão profundamente comprometidos e necessitaremos
muita habilidade, para uma transformação real, sem que haja uma catarse
social violenta... esta a qual já começamos a assistir.
Seja pela revolta ao não atendimento dos 'sonhos' de consumo, pois estes
são insistentemente construídos sobre uma lógica irracional, e esta sim
verdadeiramente irreal, e por isso impossível...
Onde reside a verdadeira visão utópica de mundo? Recursos infinitos?
Nações e culturas fundadas e mantidas pela força, violência, expropriação de
recursos e exploração dos mais fracos?
E não é utopia acreditar, que um mundo assim mantido não terá um fim?
Não há riqueza ou tesouro sobre a terra que não tenha sido obtido
com o trabalho humano.
A inteligência, tem nos diferenciado sobre a terra, poderíamos agora avançar
em um modelo de mundo mais aperfeiçoado, racional e humanizado.
E o pior senário está à espreita..? Não, ele já está acontecendo.
Nesta progressão de escassez que o modelo atual gera e gerará, cada vez mais,
o real esgotamento de todos os recursos, acontecerá para todos.
Assim como simplesmente já acontece, para uma enorme quantidade de pessoas
e seres em todo o mundo.
E a maldade e a especulação servem-se destes eventos.
Finalmente o não atendimento das necessidades mais básicas para a mínima
sobrevivência, esgotará assim também, além de nossas vidas, nossa história.
ralleirias

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