E... havia uma certa descrença de que tudo houvesse acontecido daquela forma...
- Saído do 'nada'? Um corvo, seguindo dia e noite?
Especulavam que talvez ele o tivesse comprado e treinado, ou, o corvo houvesse fugido de algum lugar e ou ainda, seu antigo dono, fosse muito parecido com ele, e então o corvo, apenas o seguia por isto ... Cada um que tomava contato com a história, elaborava a sua própria hipótese... Mas com o tempo, todos se acostumavam, e parece que daí, deixavam de notar o quão bizarro isto realmente era ...
Ele, também achou que isto não iria durar, mas depois de anos, acabou se acostumando, tanto que na maior parte do tempo nem mesmo lembrava ...
Não deu ao corvo nenhum nome, era apenas o 'corvo', ele tinha muitas outras coisas para se preocupar e afinal, o corvo não era 'dele', apenas o seguia...
Quando ele tomava um ônibus.. o corvo junto voava, quando fazia uma entrega no '21º andar'... lá estava o corvo, observando seus movimentos pelas janelas... Assim era, em todo o lugar, todo o tempo...
Havia uma certa confiabilidade, na quase certeza disto, não importava o clima, com sol ou até tempestade, nem o quanto longe ele viajasse, lá estaria o corvo, que perecia simplesmente viver a própria vida, sem mistérios, sem 'mensagens' ou relação com simbolismos, sem nada de muito incomum além do próprio fato, o que já era estranho o suficiente...
O corvo fazia jus a inteligência atribuída à esta espécie de ave, parecia audacioso e destemido, fazendo muitas coisas arriscadas... comia e bebia em lugares perigosos. Desafiando gatos e cachorros, ficava muito próximo à eles, também pousava em meio à cruzamentos em ruas com trânsito intenso, esquivando-se dos carros com uma inacreditável habilidade.
Na maior parte do tempo, não emitia nenhum som, e sempre fazia o acompanhamento muito discretamente, tanto que quase nenhuma pessoa estranha parecia nota-los ...
ralleirias - Corvos ( 'Conta' "cultura" fragmento)

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