segunda-feira, 21 de julho de 2014

Convence com desenvoltura...

Tudo que eu queria, era esquecer o episódio...
Mas, não contava com o meu próprio esquecimento,
para me lembrar...

Chegou à tarde, pelo correio, o embrulho...
A maldita caixa, com os 99 poemas que
o demônio me inspirou...

Desconfio agora, a razão da loucura dos meus amigos,
que ao encontrarem a caixa, escondida no forro da casa,
devem ter lido alguns... ou todos.

A data de envio é posterior à desgraça deles,
o que pode significar, que foram auxiliados por alguém...
e este alguém, provavelmente também reconheceu
o seu eminente, misterioso e oculto segredo.

Ao abri-la, empalideci imediatamente...
Até aquele momento, eu não sabia o que era,
e na caixa, não havia remetente.

Seria o próprio demônio me cobrando?
- Sucesso garantido! O vejo afirmando...

Imagino agora, como deve sentir-se,
quem faz algo, como fugir de um crime.
Quem renega um passado...
Não quero reviver, e nem
pagar este maldito legado!

Mas, em cada coisa que escrevo,
cada linha, cada sentença...
Agora me sinto marcado...
e percebo a sua presença...

É mesmo o próprio demônio
que nunca me abandonou,
e ele ainda está aqui...
Me 'soprando' palavras...
ele está do meu lado...
O maldito me enganou...

Subliminarmente, entre uma e outra, me diz:
Achas que me esqueceste..?
Mas eu, nunca te esqueci...
Jamais nos separaremos...
Oh! Pobre infeliz!

Ri-se então, finalmente o demônio,
em solta gargalhada!
Somente eu o ouço...
e já não posso fazer nada...

Me afirma: Tu és o detentor deste mal,
e expressar, estas tuas muito próprias
loucuras, é um dom que só em ti ocorreu...

Este dom, carregarás até a sepultura....
O teu problema, contigo nasceu!

Ele me convence com desenvoltura...
Pois o demônio, enfim, é como eu,
um criador de loucuras...
ralleirias (Do rabo do diabo- das maldições- fragmento)



Nenhum comentário:

Postar um comentário