Sonhava sonhos estranhos, e embora alguns beirassem à pesadelos,
os considerava divertidos. Este que me contou, era mais como uma ficção
científica, como um filme de baixo orçamento...
Praticamente, não havia mais nenhuma vegetação densa sobre a terra,
o ar tóxico, carregado de poluentes, quase não sustentava vida, pelo
menos não por muito tempo.
A humanidade, há muito já resolvera do seu jeito o problema.
Em torres submersas no mar, haviam construído cidades máquina...
Produziam oxigênio, energia e água potável, algas comestíveis, mas assim,
a vida que mantinham, era muito precária e pouco saudável...
O convívio social também era precário e fútil, a inteligência humana,
ainda que rasa e escassa, nesta realidade, era proibida e diuturnamente patrulhada,
a tal ponto que, em qualquer manifestação de inteligência objetiva,
o infrator era exilado para sempre, embora fosse reaproveitado em funções e tarefas
de acordo com suas novas aptidões programada e agora então flagrada e 'manifestada'...
Tão raros já éramos, que por isto então preservados.
Pois afinal, a vida estava já com alto risco de extinção.
E assim, também quase já não havia mais produção de lixo, tudo era inteligentemente
racionado e racionalmente produzido, reciclado... quase tudo conforme a programação.
Mas, contudo, uma nova etapa do drama começava a se desenrolar,
os oceanos estavam secando, a água já muito escura e suja,
cada vez mais ácida e tóxica, começava a ameaçar as
estruturas físicas da civilização...
Por corrosão química e estranhas mutações em suas propriedades.
Então agora, a vida, neste novo mundo, como um claustro contínuo
acontecia socialmente, (na verdade como sempre ocorreu )
de forma química...
Cientistas haviam sintetizado alguns fungos e à partir deles,
nós experimentávamos uma nova espécie de vida virtual,
mas, não eletrônica, e sim em sonhos vívidos e coletivos...
A tal ponto, que a maioria apaticamente, vivia dormindo
em longos sonos de 16,18 e até 22, 23 horas por dia...
Quanto maior era o poder, menos dormia o ente ...
Então, num dado momento deste sonho, eu próprio já não sabia,
se sonhava neste mundo futuro ou sonhava no presente,
foi quando acordei... eu acho...
ralleirias

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