sexta-feira, 4 de julho de 2014

Fora da caixinha...

Cobria o rosto com as duas mãos,
sentado em seu silêncio próprio
e em meio ao frenesi de todos ...

Nunca sentia-se só, e sempre um tanto diferente,
fazia prática dum isolamento auto-imposto, talvez
por suas referências e a aversão sobre a noção rasa
de realidade e crenças sobre o que é a normalidade...

Uma guriazinha, que estava sentada bem próximo,
junto aos pais, o observava... E vai repentinamente,
chega muito perto, pergunta:

Ela - Tu tá chorando?

Lá, em uma dimensão próxima,
sua atenção foi chamada ao instante,
onde se encontra o corpo...

Seu silêncio pétreo, quebrou-se! Concatena os sons...
Move-se o tino, e rapidamente recompõe-se na lógica corrente,
para daí, encontrar a luminosidade alaranjada da praça de alimentação,
a vibração da cor, adentra como um raio materializador nos seus olhos,
devolvendo-lhe todo o universo causal...

Entre os dedos das mãos, agora, semi espalmadas sobre o rosto,
ele espia e responde:
- Não, eu estava concentrado...
Assume uma postura sorridente, olhando nos olhos da guriazinha....

Ela - Concentrado que nem suco de caixinha?

Ele - Que nem suco... sim, mas fora da caixinha...
ralleirias - das lutas de classe




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