sexta-feira, 28 de março de 2014

Fronteira entre o nunca e o sempre...

Onde encontra-se
a fronteira
entre o nunca
e o sempre?

Volátil o agora
é como o conhecimento,
Existe num inconstante...

Não perde-se
nem em ser
o mesmo...
move-se
momento após momento,
à esmo.

Daí, a certeza é coisa matreira
ressabiada, não se manifesta...

Incerta está.
Quem diria!
Mas, não diz...
Suspeitaria?

... assim se contradiz...

Eis a certeza, por um triz...

Numa balança
aonde também há
a esperança
do ser
ou não ser
infeliz...

Sabedora, que,
sob o seu manto de invisibilidade,
talvez ali, agora
a esperança habite...

E esta,
transige-se
em sua natureza
Oculta-se
da certeza...

E mesmo
que um coro uníssono
de bilhões de vozes
por ela grite...

Ela resiste...

A certeza é a esperança revelada?

Quem, sempre sentiu, nunca pensou?

Quem nunca temeu, sempre amou?

A enxergam como alegria...

Clamam por causa dela,
que então é como dor.

Sustenta-se ela nesta energia...

A que transita,
entre o medo e o amor...

A certeza é beber, e a esperança é a sede...

A certeza é o comer, e a esperança é a fome...

A certeza, é o voo de Dédalo,
e a esperança é o voo de ícaro?

A certeza é viver...
e a esperança...
é a morte!?

Pois tão perto da certeza
está a esperança
que à ela, por bem ou mal,
nunca se alcança...
(...)
ralleirias - Das lutas de classe


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