Tem esta pasta, 'fantasma', com o nome
e os arquivos dela, foi ela quem a criou.
Eu apago ela da memória, mas depois,
Eu apago ela da memória, mas depois,
intempestivamente ela ressurge...
Entendo bastante de códigos, já programei
Entendo bastante de códigos, já programei
e eu examinei cada linha, vasculhei erros
por todo o sistema, passei antivírus, e tudo
parece o normal esperado, sem problemas.
E não tem jeito, não some, feito maldição
ressurge como reedição, reaparecem todos
os arquivos e os títulos na mesma formatação,
e aqueles poemas que eu sei de cor a recitação,
e os detesto porque ela recitava em voz alta que
era pra eu ouvir, e não resistir... e acontecia todo
o resto, preste ou não preste, rendimentos ao desejo
inconteste, nas nossas melhores briga e fodas e tréguas
e sagas, e alegrias e mágoas, achávamos isso coisa
'romântica', num lugar doentio, assim vivíamos por um fio
e curtíamos isto, ela escrevia bem, no velho estilo decadente
colonizado, como é o mundo cyberpunk presente que outrora
foi pressagiado para o nosso futuro, mas ainda vem do passado...
e ainda tem estas malditas miniaturas das fotos, que ela tirava
aonde ia, para todo lado, me enviava fazendo poses nua, em
lugares inimaginados... Definidamente é um problema de memória,
as memórias que me aparecem, estão num lugar encriptado, mas
também não estão efetivamente lá, com o registro do que foi arquivado.
ralleirias -metateatro_2016
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