Não há como existir sem
em algum momento se amar,
mas como saber como é o amar
amor sem sofrer, querendo
sem forçar querer,
e desejando mais, mas
sem ter que deter poder
além do de realmente amar
sem ao amor encarcerar
apenas no seu único querer...
E isso é aonde o amor do amar é ser.
- Crônicas das asceses místicas
sábado, 25 de julho de 2026
Paz e bênçãos.
Se honre e respeite as vidas
dê-se atenção, reflita melhor
use os momentos no tempo
naturalmente apaixone-se ao agora
compreenda os amores temporalmente
transcenda as identidades das suas certezas
Seja aonde for, flua na lucidez o existir e o amar,
transformando-se no seu caminho. Paz e bênçãos.
-Crônicas das asceses místicas
dê-se atenção, reflita melhor
use os momentos no tempo
naturalmente apaixone-se ao agora
compreenda os amores temporalmente
transcenda as identidades das suas certezas
Seja aonde for, flua na lucidez o existir e o amar,
transformando-se no seu caminho. Paz e bênçãos.
-Crônicas das asceses místicas
sexta-feira, 24 de julho de 2026
O ciúme
O ciúme
O ciúme é uma emoção complexa com raízes nas primeiras experiências
afetivas da infância e se relaciona com as fases do desenvolvimento
psicossexual e da personalidade, na fase oral, fase anal e fase fálica/edípica.
Esse processo e a sua ligação com o sentimento de posse se desenvolve em etapas:
Fase Oral (0 a 1 ano)Vínculo inicial, o bebê depende totalmente da mãe ou
cuidador para sobreviver e receber afeto, validando sua existência através do
contato, do olhar. A relação com o ciúme decorrerá na percepção da ausência
ou a chegada de um 'outro' e este novo elemento pode gerar no bebê a primeira
sensação de ameaça ou perda de sua 'exclusividade'.
Fase Anal (1 a 3 anos) A autonomia, a criança descobre o controle sobre o
próprio corpo e começa a entender limites, regras e a noção de "meu" e "seu".
Relação com o ciúme: O instinto de posse ganha força, o ciúme manifesta-se
na disputa por brinquedos ou pela atenção dividida dos adultos.
Fase Fálica (3 a 6 anos) e o Complexo de Édipo Relações triangulares:
A criança percebe a relação afetiva entre os pais e deseja ser o foco exclusivo
de um deles, rivalizando com o outro.
Relação com o ciúme: É o molde psíquico do ciúme em relações triangulares.
A forma como a criança aprende a tolerar a frustração de não possuir o outro
com exclusividade definirá sua maturidade emocional futura.
O ciúme infantil se transforma em ciúme adulto através da repetição inconsciente
O ciúme infantil se transforma em ciúme adulto através da repetição inconsciente
de padrões afetivos na vida relacional e amorosa. Se as inseguranças da infância
não forem integradas, a pessoa projeta no parceiro os mesmos medos que sentia,
sedimentou, recalcou ou 'percebeu' em suas relações com pais e ou irmãos.
Os principais mecanismos dessa transição são a Fixação e Regressão Psíquica e
a falta de resolução: Se a criança não superou o medo de ser trocada (no Complexo
de Édipo ou com o nascimento de um irmão), esse nó emocional emaranhado
permanecerá ativo na mente.
Mecanismo de gatilho: Quando o adulto sente uma ameaça de rejeição na
relação amorosa, ele "regride" emocionalmente à infância, reagindo com o
mesmo desespero e desamparo daquela época, realizando uma projeção
de Padrões Familiares tendo o parceiro como espelho:
O indivíduo inconscientemente busca ou enxerga no parceiro a figura
do pai ou da mãe.
Repetição do medo: Se a criança sentia que precisava competir pela
atenção dos pais, o adulto sentirá que precisa competir constantemente
pela atenção do parceiro, enxergando rivais em qualquer lugar.
Crenças de Desvalorização o abandono e a falta de segurança emocional
na infância gera e potencializa a crença sólida de que "as pessoas que eu
amo, sempre vão me deixar".
Hipervigilância: No namoro ou casamento, essa crença faz o adulto
monitorar os passos do outro de forma obsessiva para evitar uma traição
ou abandono imaginário.
Baixa Autoestima e Dependência da Validação externa:
A criança que não teve seu valor reconhecido e validado pelos cuidadores
cresce acreditando que só tem valor se for a única prioridade de alguém,
produzindo a possessividade adulta aonde o ciúme vira uma tentativa de
controlar o parceiro para garantir que essa fonte de validação nunca desapareça.
'Culturalmente e Sensorialmente e ' há diferenças entre o ciúme saudável
e o ciúme patológico, ela está na intensidade, na presença de fatos reais e
no impacto que ele causa na liberdade do casal. Enquanto o primeiro funciona
como um sinal de alerta de proteção, o segundo baseia-se em delírios e destrói
o vínculo.
O 'Ciúme Saudável' está nos campos do Zelo. Baseado na realidade, surge
diante de uma ameaça concreta, visível e compreensível ao relacionamento
e deriva um sentimento passageiro: É uma emoção desconfortável de curta
duração, que diminui após uma conversa ou esclarecimento, aonde se reestabelece
a compreensão sobre respeito aos limites, e o indivíduo expressa o incômodo,
mas respeita a individualidade, a privacidade e a liberdade do parceiro. Construtivo,
o foco é no afeto, o objetivo principal é proteger o vínculo afetivo e preservar a relação.
Ciúme Patológico (Síndrome de Otelo) Baseado em fantasias, surge sem qualquer
evidência real, alimentado por suspeitas infundadas, paranoias e construções mentais.
Obsessivo e permanente, os pensamentos de traição são constantes, intrusivos e
consomem a maior parte do tempo e energia da pessoa. Busca por controle:
Manifesta-se através de comportamentos de checagem, como vasculhar
o celular, proibir roupas, isolar o parceiro e exigir provas de fidelidade e o
foco é na posse, o parceiro deixa de ser visto como um sujeito livre e passa a
ser tratado como um objeto de propriedade exclusiva.
O Critério de Transição é o combate ao Sofrimento
A linha que divide esses dois estados é o prejuízo social e emocional.
O ciúme patológico causa sofrimento intenso e crônico para quem sente e
para quem é alvo dele.
Frequentemente evolui para violência verbal, psicológica ou física, exigindo
intervenção e tratamento psicoterápico ou psiquiátrico e ou intervenções mais sérias.
Para a esquizoanálise, o ciúme não é uma falta de afeto ou um drama estritamente
familiar, mas sim uma micropolítica da posse, a territorialização do desejo e deriva
da paranoia capitalista e seus agenciamentos práticos e invariavelmente socialmente
coercitivos.
A Origem do Ciúme na Perspectiva Esquizoanalítica
Historicamente a supremacia do capital e seus agendamentos, estabelece
a hierarquia de interesses sociais aonde eventualmente se estabelece o
microfascismo cotidiano: O ciúme surge então como uma 'pequena'
engrenagem de poder e controle, reflexo de como a sociedade molda os
interesses e as pessoas para tratarem os outros como propriedade privada;
Amores molares (posse): Em vez de um fluxo livre de conexões ( e seus devires),
o ciúme nasce quando o amor tenta se fixar em uma estrutura rígida, exigindo
exclusividade total e garantias de segurança identitária. Eis a produção da fábrica
social do medo: A origem não está precisamente em traumas da infância ou
complexos familiares, mas nos subjetivos agenciamentos sociais que comercializam
afetos e geram escassez e rivalidades.
O Tratamento do Ciúme na Clínica
A cartografia dos afetos mapeia as intensidades e os pontos onde o sujeito está
travado e sufocando a si e ao outro. Trata-se pela desterritorialização aonde
o objetivo é ajudar o paciente a dissolver a necessidade de controle, abrindo
os campos relacionais para novas formas de amar que não dependam da
dominação e não encarcerem a potência de agir: O ciúme é imposto como
um empobrecimento das conexões vitais; trata-lo, curá-lo significa devolver
ao indivíduo a capacidade de produzir autonomia e alegria sem medo das
perdas e ou com a autonomia e vontade sobre as decisões quanto à elas.
A psicanálise tradicional trata o ciúme como um drama familiar e interno,
enquanto a esquizoanálise o trata como uma produção social e política.
Gilles Deleuze e Félix Guattari romperam com o modelo freudiano ao
transferir o foco do "teatro da mente" para a "fábrica do desejo".
O Palco da Origem: Édipo vs. Fábrica Social
A psicanálise tradicional localiza o ciúme como reflexo do Complexo de Édipo,
nasce da rivalidade infantil com o pai pela posse da mãe. O ciúme no adulto
reativa o medo inconsciente de perder o objeto de amor e de ser castrado.
Na esquizoanálise o ciúme não vem apenas das insuficiências da infância,
mas do modo de produção assujeitador do núcleo familiar pelo imperativo
dos ajustes de produção e sustentação dentro do próprio sistema capitalista.
O desejo é uma máquina que produz conexões, o sistema social ensina o
indivíduo a privatizar, cercar e mercantilizar a sie e ao outro, transformando
afeto em propriedade privada.
A Natureza do Inconsciente: Teatro vs. Usina
O inconsciente na psicanálise tradicional é um teatro de representações.
O ciúme é interpretado através de projeções de desejos reprimidos de
infidelidade ou de homossexualidade latente (no caso da paranoia).
Já na esquizoanálise o inconsciente é uma usina produtiva.
O ciúme é um delírio que investe diretamente no campo social, econômico
e político, o ciumento não delira sobre o pai ou a mãe; ele delira sobre
identidade, classes, controle, soberania e fronteiras territoriais.
O Foco da Clínica: Interpretação vs. Experimentação
Psicanálise tradicional busca a interpretação do sintoma.
O analista tenta descobrir o significado oculto do ciúme e traduzir as
neuroses do paciente de volta para a linguagem dos traumas familiares.
Esquizoanálise busca a experimentação de novas potências.
O esquizoanalista faz uma cartografia para entender como o ciúme bloqueia
a vida do sujeito. Descobrir "o que o ciúme significa no como ele funciona"
e como quebrar essa engrenagem de controle.
A Estrutura do Desejo: Falta vs. Produção
Para a psicanálise tradicional, o desejo é baseado na falta, o ciumento sofre
porque sente que falta algo em si, ou que o outro vai lhe faltar, gerando uma
busca eterna por preenchimento.
Na Esquizoanálise, o desejo é produção e abundância, ciúme é uma linha de
fuga capturada, uma força criativa que foi domesticada e transformada em
uma territorialidade assujeitada sob a micropolítica de um microfascismo
impositivo e possessivo. O tratamento visa libertar essa força para que ela
produza novas conexões em vez deste assujeitamento agendado pela tentativa
de posse.
- crônicas sistêmicas
terça-feira, 14 de julho de 2026
Perdoem-nos
Perdoem-nos, pois ingenuamente
caminhamos displicentemente
sobre o pó de vossos ossos...
perdoem-nos, porque carregamos
tantos cacoetes e os consolidamos
em preconceitos, e que sequer são nossos...
perdoem-nos, mais de uma vez, erramos
perdoem-nos, mais uma vez, de verdade
caminhamos displicentemente
sobre o pó de vossos ossos...
perdoem-nos, porque carregamos
tantos cacoetes e os consolidamos
em preconceitos, e que sequer são nossos...
perdoem-nos, mais de uma vez, erramos
perdoem-nos, mais uma vez, de verdade
pois nós pouco ligamos...
perdoem-nos, por nossa tremenda ignorância
estamos tão rendidos por nossos preconceitos
que quase perdemos como humanos,
perdoem-nos, por nossa tremenda ignorância
estamos tão rendidos por nossos preconceitos
que quase perdemos como humanos,
as nossas relevâncias...
perdoem-nos pois não sabemos o que fazer,
em nossas reatividades, as nossas identidades
costumam se dissolver e se perder...
perdoem-nos...
- crônicas das lutas de classe
perdoem-nos pois não sabemos o que fazer,
em nossas reatividades, as nossas identidades
costumam se dissolver e se perder...
perdoem-nos...
- crônicas das lutas de classe
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