Todas as palavras que saem ou já saíram
das bocas da humanidade, são como uma prece.
E nesta continua ladainha, é rogada,
nada menos que a felicidade.
Cada som emitido é um testemunho para ela própria...
Confirma sua realidade, possibilita concretude,
lhe traz integridade, frente à um mundo
que se desvanece continuamente...
Todas as palavras,
são como uma ancoragem da realidade...
Afirmação de identidade...
Amarração da desejada sorte...
Comprovação da própria verdade...
Autorização aos sonhos...
E são, como uma fuga da morte...
Todas as palavras,
são como uma invenção de mundos...
São como unção de dádivas.
Uma gaiola que segura o tempo...
E o tempo de uma palavra é coisa única...
Pois ainda que seus sons, sejam perpetuamente temporários,
são como um cárcere mágico, para estes 'não nossos' tempos
que prendem as compreensões e os entendimentos...
Contudo, ao quebrarem o sagrado
e perpétuo silêncio
ao irromperem após a intenção,
ao estruturarem e obrigarem o som, em concatenação...
ao emularem assim, limitada compreensão...
Decretam apenas, uma temporária permanência.
Fazem-se desta forma, somente como hiato de noção
ante a sua latência, em um potencial de eterna existência...

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