(...) havia me explicado, há alguns dias ...
Serenamente me olhou, e falou pausadamente:
- Nem sempre é desespero, às vezes é puro desencanto,
na verdade, a partir disto, é contundentemente mais...
- Todas as esperanças são dissolvidas por este desencantamento
contínuo.
- Todas as estruturas de relação com as complexidades da vida,
passam a mostrarem-se assim, refratárias...
- A vida diante desta dor, torna-se um peso difícil de ser carregado.
- Expostos a este sentimento, transformam-se em vítimas das
realidades subjetivas de desamparo, sentem-se relegados à uma condição
descartável e insignificante, desimportante...
E sentem, que estarão assim, perpetuamente sujeitos à contínua desilusão.
- A morte, por isto, passa a ser tão atraente, como um sono profundo
tranquilo, sem sonhos e sem o pesadelo em que a vida se transformou...
- Não há motivos para não existir, mas, nem tampouco para existir...
- Não ha motivos para fazer, mas, nem tampouco para não fazer...
- Prerrogativa máxima de uma mente que se quer livre, e que está aprisionada
numa teia iníqua, o fim da vida, esta decisão sobre a própria existência ou
inexistência é o ato máximo de poder, lucidez e liberdade.
ralleirias ( Das mortes não morridas - fragmento -)

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