Objeto 'a' de Lacan
- O conceito do Objeto 'a' de Jacques Lacan e suas interpretações ou similares em outros autores da psicologia. O Objeto 'a' é uma noção central na teoria lacaniana que se refere ao objeto de desejo, aquilo que está sempre fora de alcance e que impulsiona a busca e a experiência do sujeito.
O Objeto 'a' (ou objeto pequeno 'a') é um conceito que representa o que falta no sujeito, aquilo que o motiva e o empurra a buscar satisfação e completude. Lacan argumenta que esse objeto não é um objeto concreto, mas sim uma construção psíquica que emerge a partir do desejo e da falta. Essa falta é o que mantém o sujeito em movimento e em busca de realização.
Características do Objeto 'a':
- Falta e Desejo: O Objeto 'a' é o que está sempre ausente, representando a falta que define o desejo humano. É o que nunca pode ser plenamente atingido.
- Ambivalência: O Objeto 'a' pode ser tanto um objeto de prazer (aquela coisa que nos satisfaz) quanto um objeto de repulsão (algo que nos causa sofrimento).
- Diversidade: Cada sujeito tem seu próprio Objeto 'a', que varia de acordo com suas experiências e sua estrutura psíquica. Para alguns, pode ser um amor perdido, um sonho não realizado ou até mesmo um aspecto de si mesmo que não é plenamente aceito.
Interpretações de Outros Autores
Sigmund Freud
- Falta e Desejo: Freud também discute a ideia de que o desejo é impulsionado pela falta, especialmente na teoria do complexo de Édipo. O desejo do sujeito é moldado pelas relações familiares e pela busca da aceitação e do amor dos pais.
- Sublimação: O que Freud propõe é a ideia de que, em vez de buscar diretamente a satisfação do desejo, o sujeito pode sublimar esses desejos em atividades criativas ou construtivas.
Wilhelm Reich
- Energia Vital: Reich, embora tenha uma abordagem diferente, também fala sobre a busca do indivíduo por satisfação e a liberação de energia vital, que ele considera essencial para a saúde psíquica. Para Reich, as pulsões e o desejo estão ligados à energia corporal e à capacidade de viver plenamente.
- Blocos Emocionais: O conceito de blocos emocionais de Reich sugere que a repressão de desejos e emoções pode criar uma falta, que se relaciona com a ideia lacaniana de um Objeto 'a' não satisfeito.
Carl Jung
- Sombra e Individuação: Jung discute a ideia de que o que falta na psique do indivíduo está frequentemente relacionado à Sombra (aspectos reprimidos da personalidade). A individuação, processo central na teoria junguiana, envolve trazer esses elementos à consciência e integrar a totalidade do ser, uma busca que se assemelha à busca pelo Objeto 'a' lacaniano.
- Arquétipos: Os arquétipos junguianos, como o do Herói, também podem ser vistos como representações do que o sujeito busca ou aspira, em um movimento em direção a uma realização que nunca é totalmente alcançada.
Francois Lacan e a Nova Psicanálise
- Real e Imaginário: Outros autores contemporâneos que se inspiraram em Lacan, como Miller e Roussillon, exploram a relação entre o Objeto 'a' e os registros do real, do simbólico e do imaginário. Essa abordagem sugere que o Objeto 'a' pode ser interpretado de diferentes maneiras, dependendo da relação do sujeito com esses registros.
- Análise de Casos Clínicos: Esses autores aplicam a noção do Objeto 'a' em contextos clínicos, ajudando a entender como o desejo se manifesta em práticas terapêuticas.
Mark Solms
- Neuropsicologia do Desejo: Solms, ao conectar a psicanálise com a neurociência, propõe uma nova visão sobre como o desejo e a emoção estão relacionados aos circuitos cerebrais. Embora não use o termo Objeto 'a', ele discute a importância da afeto e das emoções como motores da ação e da busca de satisfação, aproximando-se da lógica lacaniana sobre a falta.
Considerações
O conceito do Objeto 'a' de Lacan se insere em uma rica tradição de pensamento psicológico que aborda a relação entre desejo, falta e subjetividade. A partir de Freud, Reich, Jung e outros contemporâneos, podemos ver como a busca por aquilo que falta e a interpretação das dinâmicas de desejo foram fundamentais para compreender a psique humana.
Cada autor traz uma perspectiva única, que pode ser vista como um reflexo das diversas maneiras que os seres humanos lidam com suas emoções, desejos e a busca por completude. Essa diversidade enriquece nossa compreensão das complexidades da mente e das relações humanas, permitindo uma abordagem mais integrada nas práticas terapêuticas.
Os seminários de Jacques Lacan
Os seminários de Jacques Lacan abrangem uma variedade de temas centrais para a psicanálise e revelam o desenvolvimento de várias linhas teóricas ao longo de sua obra. Lacan conduziu seus seminários de 1953 a 1980, abordando tópicos fundamentais da psicanálise freudiana, ao mesmo tempo que introduzia conceitos originais. Eis os principais temas e desenvolvimentos teóricos ao longo dos seminários:
1. O Inconsciente Estruturado como uma Linguagem
- Linha de Desenvolvimento: Lacan reinterpreta o inconsciente como uma estrutura linguística. Essa linha é inaugurada no Seminário 1: Os Escritos Técnicos de Freud (1953-1954), onde Lacan enfatiza que o inconsciente funciona de acordo com as leis da linguagem.
- Temas Centrais: Interpretação, o significante e o significado, metáfora e metonímia.
2. A Estrutura do Sujeito e o Estágio do Espelho
- Linha de Desenvolvimento: O conceito de “estádio do espelho” é desenvolvido no Seminário 2: O Eu na Teoria de Freud e na Técnica da Psicanálise (1954-1955), onde Lacan explora a formação do eu e sua alienação no imaginário.
- Temas Centrais: Narcisismo, identificação e alienação.
3. As Estruturas do Desejo e a Dialética do Desejo
- Linha de Desenvolvimento: No Seminário 4: A Relação de Objeto (1956-1957), Lacan explora o desejo como uma estrutura central da psicanálise, ampliando o conceito para além da satisfação das pulsões, definindo-o em termos de falta e desejo do Outro.
- Temas Centrais: Falo como significante do desejo, falta, castração e o desejo do Outro.
4. Nome-do-Pai e a Lei Simbólica
- Linha de Desenvolvimento: Nos seminários 5: As Formações do Inconsciente (1957-1958) e 6: O Desejo e sua Interpretação (1958-1959), Lacan apresenta o conceito de “Nome-do-Pai” como ponto central da estrutura do sujeito.
- Temas Centrais: Função paterna, o complexo de Édipo e a função da Lei.
5. A Fórmula da Sexuação e a Teoria dos Gêneros
- Linha de Desenvolvimento: Nos seminários 20: Mais, Ainda (Encore, 1972-1973), Lacan aborda a teoria da sexuação, desmistificando as abordagens binárias de gênero e sexo.
- Temas Centrais: A diferença sexual, as fórmulas da sexuação, gozo masculino e feminino.
6. Os Nós Borromeanos e o Real
- Linha de Desenvolvimento: Nos seminários mais tardios, como o Seminário 23: O Sinthome (1975-1976), Lacan explora a noção de nós borromeanos, que unem o Imaginário, Simbólico e Real.
- Temas Centrais: Estrutura do sintoma, o conceito de "sintoma" como uma solução pessoal e a estrutura do nó.
Os nós borromeanos
Os nós borromeanos, introduzidos por Lacan em seus últimos seminários, são uma estrutura complexa de três anéis entrelaçados – o Imaginário, o Simbólico e o Real – onde cada um deles representa uma dimensão fundamental da psique e da realidade subjetiva.
1. Conceito e Estrutura dos Nós Borromeanos
- O Que São: Em um nó borromeano, se qualquer um dos três anéis for rompido, todos se desfazem, simbolizando a interdependência das três ordens. Lacan utilizou essa estrutura para ilustrar como o Imaginário, o Simbólico e o Real se entrelaçam para formar a experiência psíquica.
- Interpretação Lacaniana: Para Lacan, essas três ordens não se confundem, mas cada uma afeta diretamente as outras. Se uma falha, as outras duas se desestruturam. Assim, o nó borromeano representa a estabilidade psíquica: a experiência humana depende do equilíbrio e da interação entre essas dimensões.
2. As Três Ordens no Nó Borromeano
- O Imaginário: Representa o mundo das imagens, do eu e da identificação. Está ligado ao "estágio do espelho", onde o sujeito se identifica com uma imagem que projeta uma unidade que ele próprio não possui de fato. É a ordem da aparência, da idealização e do narcisismo.
- O Simbólico: É a ordem da linguagem, da Lei e do Nome-do-Pai. Organiza o inconsciente como uma estrutura de significantes e regula o desejo. A função paterna no Simbólico estabiliza o sujeito ao fornecer uma estrutura de autoridade e sentido.
- O Real: Representa aquilo que está fora do alcance da simbolização e da representação imaginária. O Real é o que "não cessa de não se escrever" e constitui o ponto de impossibilidade no sujeito, onde o trauma, o gozo e o que escapa ao sentido aparecem.
3. O "Sinthome" e o Quarto Nó
- A Introdução do Sinthome: No Seminário 23: O Sinthome, Lacan introduz um quarto nó, o "sinthome" (uma variação do termo "sintoma"), que é uma solução particular do sujeito para estabilizar a estrutura. É um modo singular de lidar com as tensões e falhas nas três ordens.
- Função do Sinthome: Serve como um “quarto elemento” que dá estabilidade ao sujeito, especialmente quando há uma falha ou um rompimento em uma das outras três ordens. O sinthome é a maneira pela qual o sujeito lida com seu próprio gozo e sua singularidade.
4. Relevância para a Clínica
- No Tratamento Psicanalítico: A clínica lacaniana, especialmente no final de sua obra, passa a enfatizar a relação do sujeito com o seu sinthome. Entender como o sujeito organiza sua experiência a partir desse ponto de estabilização (ou desestabilização) ajuda o analista a orientar o tratamento.
- Psicoses e Estruturação do Sujeito: Nos casos em que o nó borromeano se rompe, como na psicose, o sujeito perde o vínculo estruturado com uma das ordens, resultando em experiências de alucinação, despersonalização, ou perda de significado.
O conceito dos nós borromeanos trouxe uma visão renovada à psicanálise, permitindo a Lacan explorar novas formas de estruturação da subjetividade que vão além do tradicional conceito do inconsciente estruturado pela linguagem. É uma metáfora potente para o entrelaçamento e a interdependência das esferas psíquicas, onde o sujeito se torna um ponto dinâmico entre o simbólico, imaginário e o real.
Os quatro discursos de Lacan
Os quatro discursos de Lacan — do Mestre, Universitário, da Histérica e do Analista — são estruturas fundamentais que ele criou para entender diferentes formas de relação discursiva e a produção de saber, gozo e desejo nas relações humanas. Lacan apresentou esses discursos como modos de organização simbólica que representam diversas formas de poder, conhecimento e transferência, cada um deles operando de maneira particular sobre o desejo e o inconsciente.
Estrutura Básica dos Quatro Discursos
Cada discurso é construído a partir de quatro posições ou elementos:
- S1 (Mestre): Representa o significante-mestre, a autoridade ou o comando.
- S2 (Saber): Significante do saber, conhecimento institucional ou acadêmico.
- $ (Sujeito Barrado): O sujeito dividido pelo inconsciente, representando a falta e a castração.
- a (objeto a): O objeto causa do desejo, o que escapa ao sujeito e provoca o desejo.
Esses elementos se organizam em quatro posições distintas:
- Agente: A posição de quem fala ou lidera o discurso.
- Outro: Aquele a quem o discurso é dirigido.
- Produção: O resultado ou efeito do discurso.
- Verdade: A base implícita ou escondida que sustenta o discurso.
1. Discurso do Mestre
- Estrutura: S1 (Mestre) → S2 (Saber) / $ (Sujeito) → a (objeto a)
- Funcionamento: No Discurso do Mestre, o significante-mestre (S1) é quem comanda, determinando o Outro (representado pelo saber, S2). A verdade do mestre é o sujeito dividido ($), que permanece escondido, enquanto o objeto a, que é o gozo, é o produto desse discurso.
- Exemplo e Efeitos: Esse discurso é típico de autoridades e sistemas hierárquicos. O mestre impõe uma lei, norma ou ordem, e o saber se submete. O sujeito, aqui, ocupa uma posição de obediência e submissão, e o desejo é orientado para satisfazer o comando.
2. Discurso Universitário
- Estrutura: S2 (Saber) → a (objeto a) / S1 (Mestre) → $
- Funcionamento: No Discurso Universitário, o saber (S2) ocupa a posição de agente, objetivando o sujeito dividido ($) ao fazer do objeto a um alvo a ser manipulado ou estudado.
- Exemplo e Efeitos: Predominante em instituições de ensino, esse discurso busca transmitir um saber objetivo que, no fundo, reforça o comando do mestre (S1) escondido como verdade. Ao ensinar ou normatizar o saber, o discurso universitário perpetua uma estrutura de poder e mantém o sujeito em posição subordinada.
3. Discurso da Histérica
- Estrutura: $ (Sujeito) → S1 (Mestre) / a (objeto a) → S2
- Funcionamento: A histérica, aqui representada pelo sujeito dividido ($), se dirige ao mestre (S1) questionando-o, desafiando sua posição e incitando-o a encontrar respostas. Ao fazer isso, ela provoca a produção de saber (S2) como efeito, enquanto a verdade é o objeto a, o que ela verdadeiramente deseja e que permanece inatingível.
- Exemplo e Efeitos: Esse discurso é típico de alguém que provoca o desejo do mestre, demandando respostas e gerando saber. A histérica mantém o mestre em movimento, mas seu desejo nunca é satisfeito plenamente, pois é o próprio vazio (a falta) que ela incita no outro.
4. Discurso do Analista
- Estrutura: a (objeto a) → $ (Sujeito) / S2 (Saber) → S1
- Funcionamento: No Discurso do Analista, o objeto a ocupa a posição de agente, enquanto o sujeito dividido ($) é levado a confrontar sua própria falta. O saber (S2) se produz como uma verdade, revelando a estrutura de seu desejo, enquanto o significante-mestre (S1) aparece como uma verdade final que desvela a lógica do inconsciente.
- Exemplo e Efeitos: Esse discurso representa a prática analítica em que o analista assume a posição de objeto causa do desejo (a), instigando o analisando a falar e a produzir seu próprio saber. A análise busca desmontar as certezas do sujeito, desvelando suas faltas e desejo.
Resumo dos Efeitos dos Discursos
- Discurso do Mestre: Promove a obediência e subordinação ao significante-mestre, regulando o desejo de acordo com a lei ou comando.
- Discurso Universitário: Consolida a autoridade do saber institucionalizado, tratando o sujeito e o desejo de maneira objetiva e normativa.
- Discurso da Histérica: Questiona e desafia a autoridade, impulsionando o mestre a uma resposta contínua, sem nunca encontrar satisfação plena.
- Discurso do Analista: Produz a verdade do sujeito através da exploração do desejo inconsciente, promovendo um processo de autoconhecimento e desvelamento da própria estrutura subjetiva.
Esses discursos são como “modos” estruturais de relacionamento, refletindo formas de poder, saber e desejo que aparecem tanto nas interações pessoais quanto nas instituições. Na clínica, o Discurso do Analista serve para que o sujeito atinja uma posição de saber próprio sobre seu desejo, distinguindo-se das outras posições de poder.
Lacan - conceitos e dinâmicas analíticas
Lacan desenvolveu uma série de conceitos e dinâmicas analíticas que buscam captar o funcionamento do inconsciente e a estrutura da subjetividade. Além dos quatro discursos e dos nós borromeanos, ele introduziu várias outras dinâmicas para abordar as relações entre desejo, gozo, e a estrutura do sujeito, trazendo insights complexos para a prática clínica e a teoria psicanalítica. Aqui estão algumas das principais:
1. Estádio do Espelho
- Descrição: O estádio do espelho é uma fase de desenvolvimento infantil onde a criança se identifica com sua imagem refletida, criando uma ilusão de completude. Esse processo ocorre por volta dos seis meses a um ano e meio de idade.
- Dinâmica Psíquica: A partir dessa identificação, a criança cria o "eu" (ego) como uma imagem idealizada e externa, surgindo uma divisão entre o sujeito e o seu eu ideal. Essa identificação inicial é marcada por alienação, já que o "eu" não é uma representação autêntica do sujeito, mas uma imagem percebida como completa e harmoniosa.
- Impacto na Análise: Esse processo é central para a formação do imaginário e para as identificações que ocorrem na clínica, ajudando o analista a compreender como o sujeito se relaciona com imagens de si e com figuras idealizadas.
2. Grafo do Desejo
- Descrição: O grafo do desejo é um modelo visual que Lacan desenvolveu para mapear a articulação entre a linguagem, o desejo e a posição do sujeito no inconsciente.
- Dinâmica Psíquica: No grafo, Lacan ilustra o percurso do sujeito dividido, desde o registro imaginário até o Simbólico. Através do desejo, o sujeito tenta responder à falta estrutural em sua própria constituição, mas esse desejo é sempre deslocado, nunca sendo satisfeito completamente.
- Impacto na Análise: Esse modelo ajuda a compreender como o desejo se estrutura em torno da falta e como as cadeias significantes operam no inconsciente. É particularmente útil para rastrear como o sujeito lida com a falta e a busca por objetos substitutos.
3. O Grande Outro (A) e a Função do Nome-do-Pai
- Descrição: O Grande Outro representa o campo da linguagem, a alteridade absoluta que organiza o desejo do sujeito. O Nome-do-Pai é um significante que permite a entrada do sujeito na ordem simbólica e regula o desejo através da lei.
- Dinâmica Psíquica: O Grande Outro é o espaço onde os significantes do sujeito encontram sentido, enquanto o Nome-do-Pai funciona como uma interdição e uma estrutura normativa. Juntos, eles criam a base para a entrada do sujeito no Simbólico e na linguagem.
- Impacto na Análise: Em clínica, a análise pode envolver a investigação da relação do sujeito com o Grande Outro, especialmente em casos de neuroses e psicoses. Na psicose, por exemplo, o Nome-do-Pai pode estar foracluído (expulso do Simbólico), resultando em um desarranjo na relação do sujeito com a realidade.
4. O Conceito de Gozo (Jouissance)
- Descrição: Gozo (ou jouissance) é um conceito central na teoria de Lacan que se refere ao prazer que excede os limites do prazer comum e ultrapassa o princípio de prazer freudiano, envolvendo uma experiência paradoxal que mistura prazer e dor.
- Dinâmica Psíquica: O gozo é aquilo que, ao mesmo tempo que satisfaz, traz sofrimento ao sujeito. Ele se relaciona com o impossível de simbolizar e com o Real, sendo uma força que empurra o sujeito em direção ao excesso.
- Impacto na Análise: A análise lacaniana trabalha frequentemente com as manifestações de gozo e como ele atua na vida do sujeito, permitindo que o sujeito explore suas fixações e os modos como goza, muitas vezes de maneira autodestrutiva.
5. A Cadeia Significante e o Conceito de Metáfora e Metonímia
- Descrição: Inspirado pela linguística estrutural, Lacan introduz a ideia de que o inconsciente é estruturado como uma linguagem, onde as formações do inconsciente (sintomas, atos falhos, sonhos) operam por meio de metáforas e metonímias.
- Dinâmica Psíquica: Metáfora e metonímia são operações que estruturam a fala e permitem o deslocamento do desejo. A metáfora, substituindo um significante por outro, cria novos sentidos; a metonímia desloca o desejo continuamente, sem encontrar uma satisfação final.
- Impacto na Análise: Essas operações linguísticas são ferramentas para compreender as associações livres do sujeito e para analisar como o desejo se desloca sem cessar, mantendo o sujeito em um estado de busca.
6. Fases do Gozo: Gozo Fálico, Gozo do Outro e Gozo Feminino
- Descrição: Lacan introduz diferentes tipos de gozo, cada um relacionado a aspectos distintos da estrutura psíquica e das relações de desejo.
- Gozo Fálico: Relaciona-se ao gozo masculino, que é limitado e dependente do significante fálico; ocorre no registro simbólico.
- Gozo do Outro: Aparece como o gozo do desejo de um Outro, muitas vezes representado pela submissão ao desejo alheio ou a busca de reconhecimento.
- Gozo Feminino: Lacan o caracteriza como um gozo “Outro” que não é totalmente limitado pelo falo e que escapa às classificações fálicas, ligando-se ao enigma do desejo e à experiência de alteridade.
- Impacto na Análise: A compreensão dos diferentes gozos auxilia a explorar as dinâmicas do desejo do sujeito, especialmente nas questões de gênero e identidade sexual.
7. A "Lalangue" e o Real da Linguagem
- Descrição: Lacan cunhou o termo “lalangue” para descrever os aspectos da linguagem que escapam ao sentido e operam mais como sons ou traços que marcam o corpo.
- Dinâmica Psíquica: A lalangue é a dimensão da linguagem que toca o Real, onde os significantes afetam o corpo do sujeito sem necessariamente fazerem sentido no Simbólico. São elementos da linguagem que causam um efeito de gozo.
- Impacto na Análise: Em análise, a lalangue pode se manifestar em lapsos, sonhos e sintomas, revelando como certos significantes afetam o sujeito de modo visceral e inconsciente, explorando assim o campo do Real.
Essas dinâmicas refletem a complexidade do pensamento lacaniano e oferecem ao analista várias ferramentas e perspectivas para abordar a subjetividade. Na prática clínica, elas ajudam a traçar um mapa do inconsciente do sujeito e a navegar as dimensões de seu desejo e suas formações de gozo, criando um espaço para o sujeito reencontrar suas próprias faltas e significantes que organizam seu mundo psíquico.
- crônicas sistêmicas
Referências Acadêmicas
Freud, S.
- Título: A Interpretação dos Sonhos
Referência: Freud, S. (2011). A Interpretação dos Sonhos (trad. Maria Helena B. R. de Souza). São Paulo: Companhia das Letras. - Título: Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade
Referência: Freud, S. (2010). Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (trad. Maria Helena B. R. de Souza). São Paulo: Companhia das Letras.
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Reich, W.
- Título: A Função do Orgasma
Referência: Reich, W. (2010). A Função do Orgasma (trad. Carlos Eduardo A. de Carvalho). São Paulo: Cultrix. - Título: Análise do Caráter
Referência: Reich, W. (2013). Análise do Caráter (trad. José Carlos R. do Nascimento). São Paulo: Editora Cultrix.
- Título: A Função do Orgasma
Jung, C. G.
- Título: O Eu e o Inconsciente
Referência: Jung, C. G. (2011). O Eu e o Inconsciente (trad. José A. de Lima). São Paulo: Editora Nova Fronteira. - Título: Psicologia e Alquimia
Referência: Jung, C. G. (2014). Psicologia e Alquimia (trad. Maria F. de Almeida). São Paulo: Editora Vozes.
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Lacan, J.
- Título: Escritos
Referência: Lacan, J. (2013). Escritos (trad. Sérgio A. de Almeida). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. - Título: O Seminário, Livro 10: A Angústia
Referência: Lacan, J. (2006). O Seminário, Livro 10: A Angústia (trad. M. P. D. Silveira). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
- Título: Escritos
Solms, M.
- Título: A Neuropsicanálise: O que Freud e a Neurociência nos Ensinaram sobre a Mente
Referência: Solms, M. (2020). A Neuropsicanálise: O que Freud e a Neurociência nos Ensinaram sobre a Mente (trad. Rodrigo H. Pereira). São Paulo: Editora Rocco.
- Título: A Neuropsicanálise: O que Freud e a Neurociência nos Ensinaram sobre a Mente
Panksepp, J.
- Título: A Ciência do Afeto
Referência: Panksepp, J. (2005). A Ciência do Afeto: O Poder das Emoções em Nosso Comportamento (trad. J. R. Costa). São Paulo: Editora Pioneira.
- Título: A Ciência do Afeto
Miller, J.-A.
- Título: A Prática da Psicanálise
Referência: Miller, J.-A. (1992). A Prática da Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
- Título: A Prática da Psicanálise
Artigos e Teses
Chasseguet-Smirgel, J.
- Título: "Freud e a Arte da Psicanálise"
Referência: Chasseguet-Smirgel, J. (1985). Freud e a Arte da Psicanálise. Revista Brasileira de Psicanálise, 19(3), 31-41.
- Título: "Freud e a Arte da Psicanálise"
Duarte, F.
- Título: "A Subjetividade na Clínica Psicanalítica"
Referência: Duarte, F. (2012). A Subjetividade na Clínica Psicanalítica. Estudos de Psicanálise, 2(1), 45-58.
- Título: "A Subjetividade na Clínica Psicanalítica"
Livros Complementares
Seligman, M.
- Título: Felicidade Autêntica
Referência: Seligman, M. (2011). Felicidade Autêntica: A Nova Psicologia do Bem-Estar (trad. R. L. de Oliveira). Rio de Janeiro: Editora Objetiva.
- Título: Felicidade Autêntica
Santos, J. A.
- Título: Psicopatologia e Psicoterapia
Referência: Santos, J. A. (2016). Psicopatologia e Psicoterapia: Uma Abordagem Sistêmica. São Paulo: Editora Atlas.
- Título: Psicopatologia e Psicoterapia
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