segunda-feira, 30 de junho de 2014

No princípio, sempre.

No princípio parecia uma surpresa, recordar da condição pré
(ou extra) nascimento ou surgimento...
E destas outras instâncias de agora's' múltiplos... depois,
lembrei-me claramente ao ponto de saber que sempre havia
mantido de alguma forma esta conexão, ainda que 'veladamente',
porém, com uma forte e constante negação ... Pulso?
Contudo podem ser apenas ilusões químicas, biológicas...
produção do cérebro, simplesmente...
Não sei, quanto tempo tenho agora nesta realidade..?
Ou se rumo para algum estágio de evolução ou qualquer
outro tipo de apoteose do 'ser', ou conclusão, alguma
entropia ou distropia... estas memórias, esta consciência
seriam uma disfunção ou algo natural, ou uma forma
complexa de imaginação?
De qualquer maneira, tudo é tão relativo e a realidade
parece como uma corda, com fibras de significâncias
que são acrescentadas dia a dia, como numa roca...
Lembrar-se talvez seja irrelevante.
Mas, lembro... e de forma bastante clara, desta linha
que me liga a quem eu 'fui'...Tão complexa é a questão de '
ser algo', que me soa engraçado...
Lembro curiosamente, da entidade em que me transformei,
depois de deixar de ser um ente humano...
Lembro, do meu continuado apego aquela antiga
identidade que minguou e também, da liberdade e da
estranha capacidade de fazer algo como 'permear' as coisas...
Recordo também destes 'eventos', como alguma coisa
parecida com a sensação que descreveria como 'velocidade',
mas que era algo mais, algo como experimentar uma
'circunstância' e não como realizar um deslocamento...
Parte destas lembranças extrapolam os signos e as
codificações, resgata-las significa submete-las à uma
lógica restrita que certamente às empobrece e distorce...
Pois uma 'realidade' necessita de uma linguagem...
e esta pode ser um cárcere. Mas ainda há um fragmento,
uma ligação infinita, uma impressão, algo como uma memória,
há um elo até a mais longínqua história, antes da história...
como? Algo de mim, estava lá? Ainda está...
Como se nunca tivesse um começo, como se fosse uma
migração constante, sem um real princípio, onde, ainda
resta esta única ligação, sempre e sempre desdobrada,
mas inquebrantável... E surpreendentemente é algo inextinguível ...
Em que há e sempre haverá o mesmo 'onde', 'quando' e 'enquanto',
no entanto, nenhum deles é necessário...
Uma força maior que qualquer quasar, pulsar e que todas as
galáxias e que a tudo conecta...
Ela nos liga ao que conhecemos como o infinito e a forma
mais próxima de expressa-la e evoca-la em nós é tocando-a.
Esta disponível, sempre acessível...
A conhecemos como uma espécie de 'espaço' vazio ou,  silêncio'.
ralleirias -'Das mortes não morridas - fragmento



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