terça-feira, 3 de junho de 2014

A vontade seria um devaneio?

A vontade seria um devaneio?

Ascende o fogo, esquenta os ferros
marca o gado e então, larga seus maneios...

Eis que mesmo num frenesi de medo e fúria,
não somos senhores nem de nossos berros.
O poder a ganancia e maldade parecem ser a cúria...

Lutamos pela supremacia no curral... Lutamos?
Pensamos sobre nossos domínios no plural... Pensamos?
Entre o pastar e seguir ruminando ideias... por melhores pastos...

Erguendo a cabeça alto e acima da manada,
vislumbra então o horizonte... há tantos campos vastos...

Ah! vontade... brete invisível... prisão intangível...

Carreia nossas mortes como o próprio lobo e também o pastor.
A vontade é laço que prende com as fibras da vida e inclusive do amor...
Se é possível correr campo afora livre do medo e livre da dor?
Ah! liberdade! Revela teu norte..!

Eis que, somente na morte
...de morte, como gado,
mas, principalmente...
na morte das vontades de lobo
e de pastor...
ralleirias - das lutas de classe 

Imagem: Katsu Kaishu

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