na obra de Jacques Lacan, diferenciando-se substancialmente do
prazer freudiano.
Enquanto o prazer busca a homeostase, o equilíbrio, e evita a dor,
o gozo envolve satisfação paradoxal, repetição, dor e excessos.
Num "Mais-Além" do Princípio do Prazer
Embora Freud não tenha usado o termo "gozo" com a mesma frequência
que Lacan, ele lançou as bases para o conceito ao investigar o que está
para além da busca por prazer.
Pulsão de Morte (1920)
Freud observou que os seres humanos repetem experiências dolorosas
entre traumas e fracassos... Isso indica uma satisfação que não visa
diretamente o prazer, mas sim, uma "tensão zero", inerte,
uma pulsão de morte.
Ganho Primário do Sintoma
O sintoma inconsciente produz uma forma de satisfação (gozo)
que o paciente não reconhece conscientemente, mas da qual ele
dificilmente abre mão.
A Estruturação do Conceito
Lacan transforma o gozo em um conceito central, evoluindo-o ao
longo do seu ensino, o gozo como Transgressão (Início) ligado à interdição.
É a busca de uma satisfação absoluta e impossível (ligada ou ao incesto ou à
Outras Abordagens como a de Klein e Winnicott, embora foquem mais nas
Então o gozo lacaniano é a "substância" que articula o sintoma e a pulsão
- "Das Ding" a Coisa, o conceito central no Seminário 7 de Jacques Lacan,
representa o Real no absoluto, como um objeto perdido e inalcançável,
estruturante do desejo humano e situado além do princípio do prazer.), que
é proibida pela lei do desejo.
Gozo vs. Prazer
O prazer é o limite; o gozo é o excesso que ultrapassa esse limite e
o gozo suspende a oposição simples entre prazer e desprazer.
Com a evolução da teoria, Lacan passa a ver o gozo como um resíduo
da linguagem, um "mais-de-gozar" que se produz na relação do sujeito
com o objeto a e com o Outro.
O Gozo Fálico e Gozo do Outro (Seminário 20) é limitado... ligado ao
significante, à linguagem e à castração, e então ao Gozo do Outro
(ou Suplementar) é um gozo para além do falo, muitas vezes associado
à posição feminina na sexuação, não limitado pela linguagem, e no
'Gozo e Corpo', Lacan define o gozo, como a "única substância que a
psicanálise admite", relacionada ao corpo.
Outras Abordagens como a de Klein e Winnicott, embora foquem mais nas
relações objetais e na constituição do ego, a noção de repetição de experiências
de dor/prazer (pulsão de morte) também é relevante para a compreensão de
satisfações sintomáticas... E no Super EU Lacaniano, Lacan interpreta o imperativo
categórico de Kant como um comando do Super EU, que exige um "imperativo
de gozo" (goze!), transformando o gozo em uma dívida insuportável e gerando culpa.
As Diferenças:
Conceito Foco Relação com a Dor Objetivo
Prazer (Freud) Princípio do Prazer (Homeostase) Evita a dor Equilíbrio, conforto
Conceito Foco Relação com a Dor Objetivo
Prazer (Freud) Princípio do Prazer (Homeostase) Evita a dor Equilíbrio, conforto
.
Gozo (Lacan) Além do Princípio do Prazer Mistura satisfação e dor Repetição,
Gozo (Lacan) Além do Princípio do Prazer Mistura satisfação e dor Repetição,
excesso, o "Mais-além"...
de morte, representando o "mais-além" que mantém o sujeito preso à repetição
de sua própria dor...
Na esquizoanálise, Gilles Deleuze e Félix Guattari explicitam e desenvolvem
Crítica à "Servidão Voluntária" aonde a esquizoanálise utiliza o conceito para
Gozo vs. Intensidade- o gozo, para a esquizoanálise, muitas vezes é lido
A análise do Desejo, olhando dentro dos caminhos da Psyche...
Na esquizoanálise, Gilles Deleuze e Félix Guattari explicitam e desenvolvem
os conceitos de "gozo", reconfigurado e demonstrando como ele é em grande
parte substituído ou subvertido pela noção de produção de desejo e pela
intensidade de fluxos.
Enquanto a psicanálise lacaniana focará no gozo conformado como um excesso
doloroso ligado à falta e à repetição (num "mais-de-gozar"), a esquizoanálise
rejeita a ideia de que o desejo é movido pela carência ou que o gozo é um
limite interdito.
Os pontos centrais sobre o gozo na perspectiva da esquizoanálise é desejo como
Produção, e não como uma Falta, na esquizoanálise, o desejo não busca um
objeto perdido (gozo), mas produz realidade através de "máquinas desejantes".
O foco muda da "satisfação" (gozo) para a "potência" e a intensidade da vida.
Crítica à "Servidão Voluntária" aonde a esquizoanálise utiliza o conceito para
questionar por que as massas lutam por sua própria servidão como se fosse a
sua salvação (questão reichiana-espinosana), pois isso se refere a uma forma de
"gozo" masoquista que captura a subjetividade e a prende ao poder (microfascismo).
Gozo vs. Intensidade- o gozo, para a esquizoanálise, muitas vezes é lido
como um investimento libidinal passivo ou reativo, que "prende" o sujeito
em arranjos sociais e estruturas fixas. A esquizoanálise, busca então liberar
essa energia para "intensidades" ativas e criativas, que não se baseiam no
sofrimento ou na repetição do mesmo.
A Desterritorialização do Gozo, tem como objetivo tirar o desejo da
"camisa de força" do Édipo e da culpa (o gozo interdito da psicanálise...)
e colocá-lo no plano de imanência, onde o desejo se preenche nos encontros,
produzindo novos modos de vida.
A análise do Desejo, olhando dentro dos caminhos da Psyche...
Assim a clínica esquizoanalítica busca mapear e fazer a cartografia
dos "territórios" em que o sujeito vive, e ali criar novas "máquinas de
autoelaboração" e suas máquinas desejantes...(como arte, escrita, novas
formas de laço social) para expressar 'o desejo'.
A-significante... o gozo esquizoanalítico é muitas vezes "innominável" ,
escapando da representação simbólica para habitar a sensação e a experiência
direta em suas inscrições. Autêntico, é vivido.
A esquizoanálise além da psique analisará a 'economia libidinal-social',
desvendando como o desejo é capturado pelos "agenciamentos", buscando
transformar a "captura" desta subjetividade agenciada por gozos destrutivos,
em um novo processo criativo, valorizando a produção de novas formas de
vida e desejo ativo e uma autêntica e integral subjetividade.
Eleva o gozo e isso coloca-o ao nível da realidade, e ali, pratica-se.
-crônicas sistêmicas
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