terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Classificações Diagnósticas Excessivas na Contemporaneidade – Infância e Adolescência

"Classificações Diagnósticas Excessivas na Contemporaneidade – Infância e Adolescência"

Palestrantes: Renata Vítima e Gesiane Amaral Gonçalves

 BLOCO 1 – APRESENTAÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO DOS TEMAS

Prioridade: Alta | Fundamentação conceitual
Tópico
Conteúdo-Chave
Relevância para Estudo
Tema central
Excesso de classificações diagnósticas na infância/adolescência
Base para toda a discussão
Diagnósticos mais frequentes
TDAH, TOD, ansiedade, depressão
Contextualização epidemiológica
Problematização inicial
Patologização da infância e apagamento da singularidade
Questão ética e clínica central
Medicalização
Diagnóstico → prescrição como "solução rápida"
Crítica à lógica farmacêutica

 BLOCO 2 – FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS DO DIAGNÓSTICO

Prioridade: Alta | Marco teórico essencial
Conceito
Autor/Referência
Aplicação Clínica
Diversidade das constelações psíquicas
Freud (1913)
Alerta contra mecanização da técnica
Plasticidade dos processos mentais
Freud
Especialmente relevante na infância
Sintoma como retorno do recalcado
Freud/Lacan
Diferencia sintoma analítico de sintoma médico
Sujeito barrado e inconsciente
Lacan
Diagnóstico pela fala, não por critérios externos
Estruturas clínicas
Freud/Lacan
Neurose, psicose, perversão – não como doenças, mas como modos de organização psíquica
 Ponto-chave: "O diagnóstico em psicanálise não classifica; ele orienta o manejo da transferência e das intervenções."

 BLOCO 3 – DSM, CLASSIFICAÇÃO E INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

Prioridade: Alta | Crítica institucional e social
Aspecto
Descrição
Impacto Clínico
Evolução do DSM
De poucas páginas para ~1000 páginas (DSM-4 → DSM-5)
Expansão de categorias diagnósticas
Lógica invertida
"É a produção dos medicamentos que determina a fabricação dos diagnósticos"
Crítica ao poder da indústria farmacêutica
Critérios universais
Padronização de comportamentos como norma
Risco de apagamento da singularidade
Estatísticas em disputa
TDAH: 5% em crianças, 2% em adultos (dados em constante revisão)
Questionamento da estabilidade diagnóstica

 BLOCO 4 – O SINTOMA NA CRIANÇA: PERSPECTIVAS CLÍNICAS

Prioridade: Máxima | Núcleo da prática psicanalítica

4.1. Duas perguntas fundamentais:

"O sintoma é da criança ou na criança?"

4.2. Posicionamentos estruturais (Lacan):

Posição
Descrição
Consequência Clínica
Criança como sintoma do casal parental
A criança encarna impasses da relação dos pais
Escuta do contexto familiar e conjugal
Criança como objeto do fantasma materno
A criança tampona a falta materna
Importância da função paterna/nome-do-pai

4.3. Diferença sintoma médico × sintoma analítico:

Característica
Sintoma Médico (DSM)
Sintoma Analítico (Psicanálise)
Objetivo
Extirpar, silenciar
Escutar, dar sentido
Método
Critérios observáveis, exames
Escuta da fala, transferência
Sujeito
Excluído ou objetivado
Central, responsável por seu sintoma
Corpo
Alvo de intervenção biológica
Lugar de inscrição do significante

 BLOCO 5 – CORPO, LINGUAGEM E SUBJETIVAÇÃO

Prioridade: Alta | Interface corpo-psiquismo
Conceito
Formulação
Aplicação
"Deixemos o sintoma no que ele é: um acontecimento de corpo"
Lacan (Conferência de Genebra, 1975)
O corpo é suporte necessário do sintoma
Lalangue
Lacan
Linguagem primordial que afeta o corpo antes da linguagem articulada
Significante e corpo
"O sujeito é feito e efeito do significante" (Lacan, Seminário 9)
As palavras produzem e podem retificar sintomas
Silenciar vs. Subjetivar
Medicalização × Escuta analítica
Intervenção clínica ética: abrir caminhos de fala, não calar
...para memorizar:
"Até cortar os próprios defeitos pode ser muito perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." (Clarice Lispector)

 BLOCO 6 – QUESTÕES PRÁTICAS E CONTEMPORANEIDADE

Prioridade: Média-Alta | Aplicação no cotidiano clínico
Tema
Discussão
Orientação Clínica
Comportamentos infantis "problemáticos"
Agitação, rebeldia, inquietação são necessariamente patológicos?
Distinguir impasses do desenvolvimento × sofrimento psíquico × nomeação diagnóstica
Telas e infância
Uso excessivo × proibição total
Buscar equilíbrio; usar a tela como recurso clínico quando necessário
Avaliações neuropsicológicas
Testes como "verdade" sobre a criança
Cuidado com fechamento diagnóstico; manter espaço para a escuta subjetiva
Família no setting
Pais como parte do tratamento
Inserir responsáveis no processo; escuta do parental, não apenas da criança

 BLOCO 7 – PERGUNTAS FREQUENTES DA TURMA (Q&A)

Prioridade: Média | Dúvidas recorrentes na prática
  1. "Como manejar quando a criança é o 'filhoma' da família?"
    → Escuta do contexto familiar, funções parentais (S1/S2, Nome-do-Pai), não papéis fixos.
  2. "Houve aumento real de transtornos ou apenas de diagnósticos?"
    → Tendência: aumento de diagnósticos por remanejamento de categorias no DSM, não necessariamente de transtornos.
  3. "Estamos transformando comportamento infantil em doença por exigências de produtividade?"
    → Em muitos casos, sim. A cobrança por desempenho precoce pode patologizar ritmos infantis legítimos.
  4. "Qual o olhar psicanalítico sobre avaliações neuropsicológicas?"
    → Reconhecer utilidade em casos neurológicos específicos, mas警惕 ao uso como verdade absoluta; manter espaço para a singularidade.

 BLOCO 8 – SÍNTESE FINAL E ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO

Prioridade: Revisão | Consolidando o aprendizado

 Conceitos para dominar:

  • Diferença entre diagnóstico nozológico (psiquiatria) e estrutural (psicanálise)
  • Sintoma como retorno do recalcado × sintoma como disfunção
  • Função do Nome-do-Pai e separação do desejo materno
  • Escuta da fala como método clínico fundamental
  • Crítica à medicalização indiscriminada

 Leituras sugeridas (citadas na aula):

  1. FREUD, S. Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise (1913)
  2. LACAN, J. Conferência de Genebra sobre o sintoma (1975)
  3. GONÇALVES, G. A. Psicanálise e Psicopatologia: olhares contemporâneos (2019)
  4. GONÇALVES, G. A. Corpo e Clínica Psicanalítica: teoria e prática (2022)
  5. Artigo: "Psicopatologia na contemporaneidade: análise comparativa entre DSM-4 e DSM-5"

 ...para reflexão:

"O diagnóstico vira a linguagem principal quando o sintoma é pensado como disfuncional, fora de uma norma, portanto anormal, a ser extirpado."
"Não existe o diagnóstico em psicanálise: um sintoma nunca é igual. Só João pode dizer de João, Pedro de Pedro."
"Deixemos o sintoma no que ele é: um acontecimento de corpo." (Lacan)

 LINKS E RECURSOS CITADOS

(Verificar disponibilidade com a coordenação do curso)
  • Site da Pós-Graduação em Psicanálise com Crianças e Adolescentes – ESP
  • Livro: Corpo e Clínica Psicanalítica (2022)
  • Livro: Psicanálise e Psicopatologia (2019)
  • Tese de Doutorado: G. A. Gonçalves, UFMG, 2019 (publicada como livro)

Dica de estudo para aproveitamento dos conteúdos: Comece pelos Blocos 2 e 4 (fundamentos e sintoma), depois avance para a crítica institucional (Bloco 3) e finalize com as aplicações práticas (Blocos 5 e 6). Use as perguntas do Q&A para autoavaliação.
- crônicas sistêmicas

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