domingo, 5 de julho de 2015

Como quem afia o fio da faca cortando

E assim, como quem afia o fio da faca cortando,
a palavra, cala fundo na existência das coisas
e em significâncias, fere momentaneamente
o silencio eterno...

Aguçadamente e sem solenidades,
retalha com elas assim,
também o tempo,
formando então realidades...

E vai cortando a não existência,
enquanto é proferida,
ecoando nas certezas
e nos passados, fazendo o sempre
com eles, como coisa construída...

E é desta forma,
que o mundo,
estranhamente,
depende também
do silêncio, eternamente...

Entre umas e outras palavras
é o seu supremo corte
o que permite à realidade pulsar
não encontrando, definitivamente
a morte...

E assim, como quem afia o fio da faca cortando,
a palavra, cala fundo na existência das coisas
e em significâncias, fere momentaneamente
o silencio eterno...
ralleirias 


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