terça-feira, 28 de julho de 2015

além da paisagem...

Não necessitaria nada, além da paisagem...
Bastaria contemplar o jogo de luzes e sombras
o orvalho, surgindo, molhando e já indo, no seu evaporar
sabe-se lá onde e quando, irá novamente brotar?

É como o vento que vem e que vai,
e o dia e a noite, o sol, quando brilha
e a chuva, quando cai...

Veja, está tudo tão ocupado em fazer
cada segundo, e cada hora, em fabricar o tempo,
não há mesmo, como  evitar o agora...

E nisto, qual é mesmo o nosso lugar?

O mundo, vai continuar acontecendo,
é momento, e ainda que estejamos em tudo, e
mesmo o todo, um dia, se desmancha e se refaz.

Por isto, que também é móvel, a nossa  própria paz?

Olhando daqui, aquelas nuvens,
estão agora cobrindo um monte,
como se elas tentassem nos encurtar o horizonte...

Mas ele é, num existir incontido,
e mantem-se sempre além, ele existiria também
se não o houvéssemos percebido?

Parece móvel, sim, é um pouco como a nossa própria paz.
tal como ele, se percebida, ela parece que dura bem mais...

Mesmo o sol, às vezes, nem às nuvens consegue vencer, e
talvez, sejam elas, as coisas mais frágeis, que ele próprio,
ainda além da paisagem, fez acontecer...

(...)
ralleirias - fragmento



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