quinta-feira, 24 de abril de 2014

Pau de bandeira...

O quero-quero parece que me arremeda,
seu canto ecoa no campo após cada pensamento meu
Pensamentos sobre esta liberdade de continuar
cometendo os próprios enganos...
Mas o que foi mesmo que me convenceu?

Quero... quero, grita como deboche ou pergunta
parece que faz uma pausa... não ouvi nunca
um quero-quero cantar assim...
parece que canta, sugerindo algo pra mim.

Meus pesados pensamentos, das lembranças de lutas
pelas coisas e planos... e pelas pessoas erradas
com intenções pretensamente boas, mas mascaradas
e então finalmente reveladas como barganhas fajutas.

E conto sempre com a ingenuidade de minhas certezas.
Meus ouvidos moucos para às razões alheias
nos prendem nas mesmas teias...

Olhos cegos para outras vidas, sofrimentos e realidades
nos condicionam numa única pretensa verdade....

E no final nos tornam todos iguais...
Soldados de outros interesses que não os certos,
que não os nossos,  acéfalos radicais,
nada menos e nada mais...

Já não me agarro firme, mais em convicção alguma
não vou mais ao inferno, queimar só... e por coisa nenhuma.

Como o quero-quero, este que canta em pausa
também não tenho mais certeza da integridade
de tantos pretensos líderes e de nenhuma causa.

E sim, há tantas lutas justas, carecemos muito de real igualdade
tantas intenções nobres, lutemos sim pois com alma e integridade...

Mas fiquemos atentos à intenções espúrias de sobremaneira
Para que não sejamos enrolados e usados
simplesmente como um pau de bandeira...
ralleirias (Carapuça é um chapéu tamanho único)



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