terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Da mesma arte.

Somos
todos
um
todo
em
partes
E cada
um
traz
e faz
sua arte
E a arte feita
e mostrada,
é a arte aceita
e incorporada...
Somos todos parte 
da mesma arte.
ralleirias -Metateatro



Ninguém mais poderia e conseguiria...

Somente o teu ser, entre todos
guarda este poder ...
dentre estes bilhões de entes,
sobre esta terra,
ninguém mais poderia e conseguiria...
após estas tantas eras
e os milhares de anos passados,
dada a geração do universo,
e todos os eventos cósmicos...
a formação deste planeta
e constituição destes povos,
destas culturas...
Em tua voz, nesse teu olhar
tua força e teus gestos...
estes tão esperados gestos...
revestidos de uma aura sagrada
de culminação e realização...
...contém esta enorme dádiva
que libertará e permitirá
afloramentos únicos...
É tal como o qual,
nunca houve até então...
Pois deixa que o melhor
que colheste do todo
e que é o teu cerne,
e em ti concebeste preciosamente...
Permita que esta singularidade
se manifeste entre todos nós,
continuamente,
enquanto estiveres conosco,
como, o nosso presente...
e que hajam ecos desdobrados
desta perfeição inaugurados,
em cada segundo
um novo sempre
um novo mundo...
...e no então, haja de mim, sempre o melhor de ti...
Ralleirias


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Ainda, às vezes me surpreendo...

Ainda, às vezes me surpreendo
perambulando num deserto...
essa minha assombrada alma
sedenta, nesta árida paisagem,
torce por encontrar
o amor ainda intacto...
nem percebe, que isso
agora é uma miragem...
vagueia como vento incerto,
inquieto, em altos e baixos
em torno e em volta
sem fazer contato...

...os nossos ecos ela caça...
e em devaneios, nos imagina
aqueles de outrora juntos:
pele, boca molhada,
olhos nos olhos,
enquanto te abraça...

...há tanto que não te vejo...
o meu tudo, que já foi o teu beijo
agora, é lembrança amarga...
o que nos aconteceu?...
quando foi que a beleza,
que sustentava o nosso amor
pereceu...
e virou uma carga?

E como tudo isso, foi parar
neste lugar errado...
neste terrível inferno,
onde somos fantasmas
que juraram amor eterno...
Ralleirias

em cada letra...

A palavra, 
não é mais
nem menos.

Não encerra 
definitivamente
o seu próprio conteúdo,
e ainda assim,
uma palavra nunca mente.

É portadora volátil de um significado,
que é um passageiro,
há com ele,
uma certeza efêmera...

E esta, no decorrer dos dias e noites,
do clima, da temporada, do gosto e
da moda, se dilui, se deforma,
se arranja e se reorganiza...

E ainda que transmitida
de uma mente à outra mente,
rapidamente e contraditoriamente
de forma permanente...

Mesmo portando conteúdos atávicos,
dogmáticos, aparentes...

A palavra 
não sai impune 
das mentes 
que à absorvem...

Ao permear o ente, este à possui,
e ao desferi-la, à transforma,
contorce e deforma,
adaptando-a 
à cada ouvido,
com novos sons,
conteúdo e sentido,
matando-a
e ao mesmo tempo
mantendo-a viva
em sua mente.

A palavra
tem poder 
de borboleta,
em cada letra...

ralleirias

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O caos é causa.

O caos é causa.
Mantém, cria, desfaz.
Nexo, vazio e mais...
Energia da forma...
Potencial intrínseco...
Despertar...
Meu caos é causa.
Meu vazio é despertar.
Minha forma é o vazio.
Minha energia é o potencial.
Meu despertar é intrínseco...
Cria, mantém, desfaz ... e refaz.
ralleirias


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Infinito o desejar...

Infinito o desejar...
Mesmo quando enseja,  
não carências,  
quiçá aspirações...
Mas definida está a essência?
E o que de verdade há por lá?
Concupiscências à relevar...

O que é puro?
O mar? O ar? O ser?
Nadar? Respirar? Viver?
Tão obscuro pode ser o querer...
Tão soturno é o ter?

O tempo que murcha e come tua carne.
O medo que toma teu cerne.
Todos, em instâncias diferentes...

E estamos crentes de que não somos 
tal como os vermes...
Não queres ter que... apenas ser?
Não queres ser ? isso, não é apenas ter?
Tenha tempo e coragem... 
pois a vida,  é viajem.

Pegue cada caco do mundo,
carregue-os neste sonho profundo
em que tudo... tudo é descarte,

Mas... converta estas fontes ambíguas
da cultura do lixo,  para um legado de arte...

E nas tuas dignas mortes
em cada 'uma' dimensão...
deixarás um legado de sorte...
Catalisando então um novo norte
para mundos em transformação.

ralleirias - crônicas das lutas de classe



domingo, 1 de dezembro de 2013

somente por agora

Estou de posse de teu ser,
somente por agora,
somente por hoje.

Tu, que embora sejas amálgama
do antes, durante e depois,
de essência volátil...
é como vapor na tempestade.
E em existências múltiplas devaneias,
com ânsias de liberdades últimas.

Não percebes, que no dia destas vidas,
o fim costuma ser para à tarde,
não há noite... nem haverá ceia.

E que tua essência, não tem identidade,
e a pura liberdade te permeia.

Então,  quando acordo, resolvo:
Uma vez desperto, te dissolvo...
(Eu quem?)
ralleirias