Suprema meta da liberdade!
Liberdade do desejo...
Mas, o mundo não vai além da vontade..?
Desejo e vontade... é isto a liberdade?
Se desejo e vontade não fossem vaidades!
Que bom, se não fosse verdade...
ralleirias -meta teatro
terça-feira, 12 de agosto de 2014
a suprema liberdade...
Pulsam mistérios em tuas veias...
Paradigmas causais, que nos prendem em teias.
E nada, era como parecia ser: Nada.
E nada, há para entender.
No entanto, há o enquanto...
Em que, nada! Podemos fazer!
E a transição da casualidade
Transcende assim pelo causal
qualquer realidade...
Nada, é a suprema liberdade.
ralleirias
Paradigmas causais, que nos prendem em teias.
E nada, era como parecia ser: Nada.
E nada, há para entender.
No entanto, há o enquanto...
Em que, nada! Podemos fazer!
E a transição da casualidade
Transcende assim pelo causal
qualquer realidade...
Nada, é a suprema liberdade.
ralleirias
deixe que floresça...
Abra sua cabeça...
e deixe que floresça...
O seu cérebro poderá voar?
Esta sua mente, e os seus dilemas...
Isso tudo, é o que 'ele' chama de 'seu lar'?
Tão preso a tudo... impossível sair voando...
mas, e vai que ele saia... Cairia na gandaia?
O que seria diversão, para aquele que não se arrisca,
além do próprio portão?
Quem tem tal chave?
A sua mente, a sua razão?
Elas são a mesma coisa? É mesmo?
Tens a certeza de quem é de si mesmo um 'campeão'?
Mas, veja bem, então...
A tal certeza, é como um prêmio
o qual, depois que se conquista
perde-se já lá na largada,
às razões de vista...
ralleirias
e deixe que floresça...
O seu cérebro poderá voar?
Esta sua mente, e os seus dilemas...
Isso tudo, é o que 'ele' chama de 'seu lar'?
Tão preso a tudo... impossível sair voando...
mas, e vai que ele saia... Cairia na gandaia?
O que seria diversão, para aquele que não se arrisca,
além do próprio portão?
Quem tem tal chave?
A sua mente, a sua razão?
Elas são a mesma coisa? É mesmo?
Tens a certeza de quem é de si mesmo um 'campeão'?
Mas, veja bem, então...
A tal certeza, é como um prêmio
o qual, depois que se conquista
perde-se já lá na largada,
às razões de vista...
ralleirias
memórias de quando fui árvore
Onde está o tempo?
Poderia ser o próprio espaço?
Estava, está e estará...
Nem mesmo um lugar sequer perdurará.
Mas, brotamos em nossas vontades...
E as acreditamos como verdades...
Surpreendentemente, até esperamos por um final,
mas, este não haverá... no entanto, tudo se dissolverá...
Voltaremos então ao mesmo lugar? Ao estar? o Ser?
Na profundidade de um buraco negro, repousa quem sabe,
a nossa tão desejada estabilidade...
Onde, mesmo cada molécula,
cada átomo, deixarão de ser então verdades...
E nem mesmo lembranças ou transitoriedades...
Teus átomos estavam num mineral,
passaram pelo vegetal e liberar-se-ão pelo animal...
E, de tudo que tu sabias,
restará nada e tudo,
na perpétua migração de energia.
ralleirias (memórias de quando fui árvore)
Poderia ser o próprio espaço?
Estava, está e estará...
Nem mesmo um lugar sequer perdurará.
Mas, brotamos em nossas vontades...
E as acreditamos como verdades...
Surpreendentemente, até esperamos por um final,
mas, este não haverá... no entanto, tudo se dissolverá...
Voltaremos então ao mesmo lugar? Ao estar? o Ser?
Na profundidade de um buraco negro, repousa quem sabe,
a nossa tão desejada estabilidade...
Onde, mesmo cada molécula,
cada átomo, deixarão de ser então verdades...
E nem mesmo lembranças ou transitoriedades...
Teus átomos estavam num mineral,
passaram pelo vegetal e liberar-se-ão pelo animal...
E, de tudo que tu sabias,
restará nada e tudo,
na perpétua migração de energia.
ralleirias (memórias de quando fui árvore)
Preciosidades lógicas...
Ouço tua voz... fascinado, olho bem para tua boca (que linda boca..!)
Enxergo os teus pensamentos, esvoaçando em torno de ti...
Um espectro disforme, às vezes, também ali denuncia-se...
São aqueles teus pensamentos, que quando confusos,
esvanecem ainda antes da difusão...
Assim, mesmo o acaso em ti, se faz perfeição.
Enquanto falas, observo tua mente,
e ela, assim como todas, embora às vezes,
plante sementes mortas e também,
faça colheitas inúteis, eis que ainda assim,
entrega os mais belos e doces frutos,
e inigualáveis preciosidades lógicas...
E as mais raras e valiosas, em todo o universo,
definitivamente, são as tuas confissões de amor, por mim...
ralleirias
Enxergo os teus pensamentos, esvoaçando em torno de ti...
Um espectro disforme, às vezes, também ali denuncia-se...
São aqueles teus pensamentos, que quando confusos,
esvanecem ainda antes da difusão...
Assim, mesmo o acaso em ti, se faz perfeição.
Enquanto falas, observo tua mente,
e ela, assim como todas, embora às vezes,
plante sementes mortas e também,
faça colheitas inúteis, eis que ainda assim,
entrega os mais belos e doces frutos,
e inigualáveis preciosidades lógicas...
E as mais raras e valiosas, em todo o universo,
definitivamente, são as tuas confissões de amor, por mim...
ralleirias
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Relação complexa - I
Num galpão, afastado da casa, mantinha bem guardados,
todos os objetos que haviam pertencido à eles, e especialmente
os que foram dele.
Às vezes, pelo menos uma vez por semana,
então, ela costumava realizar uma espécie de ritual,
onde escolhia algum destes objetos, e o destruía
com uma enorme fúria e violência.
Ao final, parecia haver uma catarse, onde ela gargalhava
descontroladamente, e então, um arrepio costumava
percorrer todo corpo, e ela, extasiada,
se contorcia exausta no chão...
Ficava acabada, imóvel por um longo tempo
com os olhos arregalados, fixos, como se em transe...
Passado o rito, se sentia feliz, bem disposta,
alegre e realmente muito aliviada, revigorada...
Por algum tempo.
No começo, se sentia meio constrangida, achava que isto
até era algo doentio, mas após, ela se sentia tão bem e tão liberta,
que aceitou o rito, foi como uma forma de celebração, descarrego,
ainda que bizarra e secreta, mas, também depois de algum tempo,
poderosamente libertadora e deliciosa.
Mas, algumas vezes, dependendo do objeto escolhido,
o rito não se sucedia apenas em delícias...
Ocorriam lembranças complexas, e algumas, muito amargas...
Isto trazia um grande incômodo, algumas vezes, ela até
mesmo chorava... de soluçar.
Quando então recomposta, ficava furiosa, batia portas,
chutava paredes... e bufando, corria em torno do galpão
e de longe, jogava terra, pedras, galhos, ou que houvesse...
Gritava palavrões, urrava histericamente,
até perder o fôlego, até cair!
Parece, que isto ajudava, e fazia ela se sentir bem melhor...
Depois destas situações, durante uma ou duas noites,
ao chegar em casa, ela nem mesmo olhava para a direção
do galpão...
Isto, até que surgisse novamente aquela
enorme vontade de vasão...
e daí, multiplicada... até virar tesão.
À partir disto, mesmo durante o dia enquanto trabalhava,
ela já começava a pensar e replanejar o rito...
E então, só pensava nisto, num crescente,
até começar a atrapalhar suas tarefas...
Tal como acontecia antigamente, quando ela arquitetava uma briga,
para poder, depois, fazer 'às pazes', e daí, dar uma boa transada
de reconciliação...
Ela, como noutros tempos, quase perdia-se cega
numa espiral de excitação imaginária.
Nestas ocasiões, ao fim do dia, quando ela chegava em casa,
escolhia um objeto especial, algo que, não fosse exclusivamente dele,
algo que fora da casa, ou mesmo só dela, mas, que ela lembrasse
dele haver tocado, ou mesmo, apenas se referido especialmente,
com sua aprovação ou desaprovação durante alguma conversa,
ou que ele tivesse concertado, algo em que houvessem
lembranças complexas, associadas à eles dois ...
Então, naquela noite, retomava seu ritual...
E destruindo aqueles objetos, mais uma vez, se sentia
numa relação real, ainda que presa naquele ódio, e
também admiração, mesmo em meio à esta confusão,
que sentia entre repulsa e necessidade urgentes, esta
era uma sensação tão viva, tão legítima...
Assim, parecia, que manipulava aquela energia,
como se exorcizasse, e desta forma,
extraísse daquilo, fantasmas.
Podia então esfacelar todos estes espectros de amor,
e de interdependência, os de tesão, de ódio e paixão...
E daí, ela não os libertava, mas, se alimentava neles...
E repetia este rito, tantas vezes quanto fosse o necessário
para atingir esta espécie de êxtase psíquico,
loucamente abusando dos seus próprios fantasmas,
num ritual bizarro de tortura nas próprias lembranças.
ralleirias - Relação complexa I
todos os objetos que haviam pertencido à eles, e especialmente
os que foram dele.
Às vezes, pelo menos uma vez por semana,
então, ela costumava realizar uma espécie de ritual,
onde escolhia algum destes objetos, e o destruía
com uma enorme fúria e violência.
Ao final, parecia haver uma catarse, onde ela gargalhava
descontroladamente, e então, um arrepio costumava
percorrer todo corpo, e ela, extasiada,
se contorcia exausta no chão...
Ficava acabada, imóvel por um longo tempo
com os olhos arregalados, fixos, como se em transe...
Passado o rito, se sentia feliz, bem disposta,
alegre e realmente muito aliviada, revigorada...
Por algum tempo.
No começo, se sentia meio constrangida, achava que isto
até era algo doentio, mas após, ela se sentia tão bem e tão liberta,
que aceitou o rito, foi como uma forma de celebração, descarrego,
ainda que bizarra e secreta, mas, também depois de algum tempo,
poderosamente libertadora e deliciosa.
Mas, algumas vezes, dependendo do objeto escolhido,
o rito não se sucedia apenas em delícias...
Ocorriam lembranças complexas, e algumas, muito amargas...
Isto trazia um grande incômodo, algumas vezes, ela até
mesmo chorava... de soluçar.
Quando então recomposta, ficava furiosa, batia portas,
chutava paredes... e bufando, corria em torno do galpão
e de longe, jogava terra, pedras, galhos, ou que houvesse...
Gritava palavrões, urrava histericamente,
até perder o fôlego, até cair!
Parece, que isto ajudava, e fazia ela se sentir bem melhor...
Depois destas situações, durante uma ou duas noites,
ao chegar em casa, ela nem mesmo olhava para a direção
do galpão...
Isto, até que surgisse novamente aquela
enorme vontade de vasão...
e daí, multiplicada... até virar tesão.
À partir disto, mesmo durante o dia enquanto trabalhava,
ela já começava a pensar e replanejar o rito...
E então, só pensava nisto, num crescente,
até começar a atrapalhar suas tarefas...
Tal como acontecia antigamente, quando ela arquitetava uma briga,
para poder, depois, fazer 'às pazes', e daí, dar uma boa transada
de reconciliação...
Ela, como noutros tempos, quase perdia-se cega
numa espiral de excitação imaginária.
Nestas ocasiões, ao fim do dia, quando ela chegava em casa,
escolhia um objeto especial, algo que, não fosse exclusivamente dele,
algo que fora da casa, ou mesmo só dela, mas, que ela lembrasse
dele haver tocado, ou mesmo, apenas se referido especialmente,
com sua aprovação ou desaprovação durante alguma conversa,
ou que ele tivesse concertado, algo em que houvessem
lembranças complexas, associadas à eles dois ...
Então, naquela noite, retomava seu ritual...
E destruindo aqueles objetos, mais uma vez, se sentia
numa relação real, ainda que presa naquele ódio, e
também admiração, mesmo em meio à esta confusão,
que sentia entre repulsa e necessidade urgentes, esta
era uma sensação tão viva, tão legítima...
Assim, parecia, que manipulava aquela energia,
como se exorcizasse, e desta forma,
extraísse daquilo, fantasmas.
Podia então esfacelar todos estes espectros de amor,
e de interdependência, os de tesão, de ódio e paixão...
E daí, ela não os libertava, mas, se alimentava neles...
E repetia este rito, tantas vezes quanto fosse o necessário
para atingir esta espécie de êxtase psíquico,
loucamente abusando dos seus próprios fantasmas,
num ritual bizarro de tortura nas próprias lembranças.
ralleirias - Relação complexa I
Que poema! que poema!
Que poema! que poema!
Desvendava o universo!
E descomplicava todo problema!
Magnífico, em cada linha e verso...
Perfeito, em rima e métrica...
Num singular sincopado,
com avassaladora lucidez épica
trazia à luz, grande enunciado...
Nem uma vírgula sequer
havia por melhorá-lo!
Mas, distraído...pela mais perfeita mulher...
Eis que eu, esqueci de anota-lo...
Que Musa fantástica!
Que Musa maravilhosa!
Deixou minha rima apática!
Confundiu toda minha prosa!
Seja o caos bendito!
Por propiciar tais eventos...
Uma Musa, transcende o infinito!
E causa tantos poemas, que gera, até ventos!
ralleirias
Desvendava o universo!
E descomplicava todo problema!
Magnífico, em cada linha e verso...
Perfeito, em rima e métrica...
Num singular sincopado,
com avassaladora lucidez épica
trazia à luz, grande enunciado...
Nem uma vírgula sequer
havia por melhorá-lo!
Mas, distraído...pela mais perfeita mulher...
Eis que eu, esqueci de anota-lo...
Que Musa fantástica!
Que Musa maravilhosa!
Deixou minha rima apática!
Confundiu toda minha prosa!
Seja o caos bendito!
Por propiciar tais eventos...
Uma Musa, transcende o infinito!
E causa tantos poemas, que gera, até ventos!
ralleirias
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