Construção Social, o medo primordial (de violência, fome, exclusão -hierarquia de necessidades de Maslow. ) é real, mas o sistema o canaliza e amplifica para fins específicos. O medo do "Outro", do fracasso, da humilhação, da perda do status, é incessantemente alimentado por narrativas midiáticas, religiosas e políticas.
O Lugar de Nascimento: Nasce nos interstícios das relações desiguais. É gestado na insegurança material (medo da pobreza, do despejo), na insegurança simbólica (medo de perder o respeito, de "cair do lugar") e na insegurança física (medo da violência policial, da violência de gênero).
Um cidadão com medo é um cidadão previsível, obediente e pouco rebelde. Assim o medo cumpre Função Sistêmica, pois paralisa a ação coletiva, faz aceitar "o mal menor" e prioriza a segurança individual sobre a justiça social. É o combustível do autoritarismo e a barreira contra mudanças radicais. Insufla coisas como o orgulho como sua Moeda de Troca do Status na construção Social - É dentro do 'orgulho' que é desviada a sua potência interior real(autoestima genuína) e vinculado à posição dentro da hierarquia- narrativa. Orgulhe-se do que se tem - usa, possui, engaja (propriedade, bens, famas e títulos), do que se conquista (no jogo capitalista), e de identidades de grupo usadas como oposição (nacionalismo, orgulho familiar patriarcal).
Função Sistêmica também serve para naturalizar as desigualdades pois quem está no topo sente orgulho de seu "mérito", invisibilizando naturalizando privilégios estruturais. Quem está na base é incentivado a ter orgulho de "trabalhar muito" ou de sua "resiliência", convertendo a opressão em virtude. Divide a classe trabalhadora (orgulho de ofício X, desprezo por ofício Y) e mantém todos correndo atrás de símbolos vazios de status.
A Raiva é o Combustível Desviado - Construção Social necessária a raiva é uma resposta legítima à injustiça. O sistema, porém, trabalha para deslocar seu alvo e negar sua expressão coletiva. A raiva do oprimido é patologizada ("violento", "descontrolado"), enquanto a raiva do opressor é legitimada ("rigor", "justa indignação"). A Função Sistêmica da raiva é canalizada para baixo (para subordinados, para grupos marginalizados) ou para lados (rivalidades fúteis, ódio a grupos igualmente oprimidos), nunca para cima, contra a estrutura. O resultado é um ciclo de violência horizontal que esgota as energias de mudança e justifica mais controle "de cima". O Apego e a Corrente Afetiva
Construção Social o apego saudável (a pessoas, a lugares) é explorado para criar dependência de estruturas opressoras. Apega-se à "estabilidade" de um emprego explorador, ao "conforto" de papéis de gênero limitantes, à "identidade" fornecida pelo consumo.
Função Sistêmica como o apego ao conhecido, mesmo se doloroso, (dogma) é um dos maiores freios à revolução. A frase "melhor o certo do que o duvidoso...o melhor o diabo/desconforto/ditador/o que seja... conhecido..." encapsula isso. O sistema promete alívio para os medos que ele mesmo cria através do apego a suas próprias instituições (família tradicional, carreira corporativa, Estado paternalista).
O Patriarcado como Arquitetura Central, é o laboratório primordial dessa engenharia de sentimentos. Nele aprendemos desde a infância que Homens devem converter o medo em raiva (permitida) e orgulho vinculado à dominação e Mulheres devem converter a raiva em culpa, o orgulho em serviço, e o apego em subserviência afetiva. A economia se beneficia deste medo que gera um consumo de segurança; orgulho, consumo de status; raiva desviada gera produtividade por competição; apego gera lealdade a marcas e instituições.
A "Conversão à Subserviência" por uma conversão psíquica e bastante covarde aonde o sistema oferece um kit de sobrevivência emocional dentro de seus termos:, um caminho "seguro": Aceite este papel social (o provedor, a dona de casa exemplar), persiga este símbolo (a casa própria, o carro), obedeça a esta autoridade e em troca, você recebe uma dose de orgulho (reconhecimento social), alívio do medo (segurança ilusória) e permissão para descarregar raiva em alvos aprovados.
O resultado é a subserviência ativa aonde o sujeito não é um escravo passivo, mas um agente que reproduz o sistema para obter alívio emocional, tornando-se guardião da própria prisão.
Delineando a anatomia da dominação moderna, percebemos seu contorno... é como uma engenharia que usa a própria energia emocional humana como combustível para sua perpetuação. A verdadeira libertação, então, exigiria não apenas mudar as estruturas, mas desaprender esses circuitos emocionais construídos e recuperar o medo como sinal de perigo real, a raiva como motor de transformação justa, o orgulho como celebração da coletividade, e o apego como vínculo livre, não como corrente.
Delineando a anatomia da dominação moderna, percebemos seu contorno... é como uma engenharia que usa a própria energia emocional humana como combustível para sua perpetuação. A verdadeira libertação, então, exigiria não apenas mudar as estruturas, mas desaprender esses circuitos emocionais construídos e recuperar o medo como sinal de perigo real, a raiva como motor de transformação justa, o orgulho como celebração da coletividade, e o apego como vínculo livre, não como corrente.
-crônicas das lutas de classe
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