Eros e Civilização, de Herbert Marcuse, é uma análise filosófica da teoria de Freud, defendendo que a civilização não precisa ser inerentemente repressiva e que a tecnologia avançada pode permitir uma sociedade não-repressiva, focada no princípio do prazer (Eros) em vez do trabalho e da dominação, revertendo o progresso atual que aliena e reprime o ser humano, transformando-o em um instrumento de consumo e controle. Argumenta que a riqueza gerada pela sociedade industrial permitiria a libertação dos instintos vitais, rompendo com a repressão da mais valia e criando uma sociedade livre e prazerosa, um ponto de virada na luta contra a dominação e interpreta Freud não só clinicamente, mas como um filósofo social, buscando contradições em sua teoria sobre a repressão dos instintos para a civilização.
A civilização, segundo Freud, exige a repressão dos instintos (princípio de realidade), gerando o "mal-estar". Marcuse questiona se essa repressão é essencial ou se o progresso tecnológico pode superá-la. Ele vê uma contradição, a sociedade industrial avançada, com sua riqueza, poderia abolir a carência artificial, mas, na prática, reforça o controle social e a repressão através do consumo e da manipulação.
O objetivo seria uma inversão do progresso, na libertação do Eros onde a energia libidinal não é mais usada para a produtividade e destruição, mas para o prazer e a vida plena, transformando o corpo de um instrumento de labuta em um de prazer. A tarefa é criar um novo princípio de realidade, não obsessiva, livre da dominação e exploração, que requer a emancipação da "afluência repressiva" e o fim do capitalismo, abrindo caminho para uma vida mais harmoniosa.
É uma Luta é Política, Marcuse critica o superego (a internalização das normas sociais) e a lógica da dominação, que se manifesta na cultura e no consumo, sugere que a revolução agora é contra o próprio sistema que nos oferece conforto em troca de liberdade, a libertação dos instintos, para Marcuse, é a luta política fundamental para romper com a estrutura repressiva da sociedade de classes, que mascara a dominação sob a aparência enganosa de liberdade e prosperidade..
- crônicas sistêmicas
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