quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Fiz um poema de dor.

Fiz um poema de dor.
Mas o genocídio ainda
não acabou... escrevi
sobre o amor, aquele
que não se consolidou
entre seres e mundos
e seus sonhos de valor...
Como tantos de nós
esperam por milagres
contra coisas como a
morte, que já chegou?
Pois ela veio ontem,
e nem nos avisou
morreram nossos
horizontes para
longe do amor...
morreu o senso de
humanidade
morreu a compreensão
sobre o próximo
e a sua dor...
e um abismo se formou
foi lá aonde morreram as
milhares de crianças que
ninguém sequer notou!
- crônicas das lutas de classe

Sobre o tempo

E noves fora tudo, 
reza a lenda 
que é dividindo 
que se conquista...
um passo e um
dragão de cada 
vez, e às vezes 
à perder de vista... 
seja lá o que 
no momento
for o bem, e
noutras o mal, 
mas é só no depois 
é que se mostra 
verdadeiramente 
o que foi o real...
- crônicas das lutas de classe

histórias

Trino é o tempo
em segundos
e minutos
e horas
que passam
em instantes,
mas insiste
o momento
em ser sempre
como o agora...
Viaja ali um sujeito em
assujeitamentos de suas
já agendadas histórias...
- metateatro

A Teoria Geral dos Sistemas e as teorias de campos Mórficos

 A Teoria Geral dos Sistemas de Ludwig von Bertalanffy é uma abordagem fundamental que ajuda a entender sistemas complexos em várias disciplinas, como biologia, psicologia, sociologia e ecologia, promovendo uma visão holística do mundo. O conceito-chave de Bertalanffy é que os sistemas não podem ser compreendidos apenas pela soma de suas partes, pois as inter-relações e interdependências entre elementos criam propriedades emergentes. Isso permite uma visão integrada, especialmente útil para analisar estruturas sociais e culturais, como o patriarcado e as narrativas mitológicas que moldam comportamentos coletivos.

Os principais pontos da Teoria Geral dos Sistemas:

Sistemas Abertos e Fechados

  • Sistemas Abertos: São sistemas que interagem com o ambiente, trocando energia, matéria ou informação. Essa característica é essencial para entender como estruturas como o patriarcado, embora aparentemente estáveis, mudam com as influências externas (movimentos sociais, transformações culturais, novas tecnologias).
  • Sistemas Fechados: Em contraste, sistemas fechados têm pouco ou nenhum intercâmbio com o ambiente externo. Embora existam poucos sistemas fechados na realidade, algumas culturas patriarcais mais rígidas tentam manter uma estrutura próxima ao "fechado", limitando influências externas para manter a tradição.

Totalidade e Emergência

  • Totalidade: Na teoria dos sistemas, o todo é maior que a soma das partes. Assim, o sistema patriarcal, por exemplo, não pode ser entendido apenas analisando indivíduos (pais, filhos, papéis de gênero), mas precisa ser visto como um organismo social completo, onde cada elemento contribui para a manutenção ou subversão da estrutura.
  • Propriedades Emergentes: Essas são características que surgem de uma rede de interações entre elementos e que não são observáveis nas partes isoladas. No contexto de nossa análise, a “norma patriarcal” emergente afeta o comportamento individual e coletivo, moldando percepções, valores e atitudes, ainda que ninguém, individualmente, intencione perpetuar essa estrutura.

Equilíbrio e Homeostase

  • Bertalanffy descreve os sistemas como dinâmicos, buscando sempre um equilíbrio. No patriarcado, por exemplo, a homeostase é mantida por meio de normas, tradições e mitos que reforçam o status quo. Quando ocorre um movimento de transformação, como a emancipação feminina ou mudanças nos papéis de gênero, o sistema responde para tentar restabelecer um novo ponto de equilíbrio, ajustando-se às novas influências.
  • Esse conceito também é relevante para entender os sistemas de crenças e como eles se adaptam para absorver mudanças, sem perder completamente o seu núcleo central.

Interdependência e Interconectividade

  • Em um sistema, os elementos são interdependentes, o que significa que mudanças em uma parte impactam o sistema como um todo. O patriarcado, como sistema social, não só afeta as interações familiares, mas também o mercado de trabalho, a política e até a estrutura de linguagem.
  • Esse ponto é fundamental na esquizoanálise, que busca mapear as interconexões entre sistemas individuais (psique) e coletivos (sociedade), identificando como sistemas sociais influenciam diretamente o comportamento e o autoconhecimento de cada pessoa.

Perspectiva Sistêmica e Autossuficiência

  • Ao aplicar a Teoria Geral dos Sistemas, é possível ver como movimentos de emancipação e busca por autossuficiência atuam de maneira sistêmica. Essas ações não ocorrem isoladamente; são respostas a pressões do sistema social e, ao mesmo tempo, impactam o próprio sistema.
  • Na perspectiva gestáltica, a autossuficiência — ou seja, a capacidade de atuar de forma lúcida e presente — pode ser vista como uma maneira de reposicionar-se em relação ao sistema patriarcal, questionando sua autoridade e buscando o desenvolvimento pessoal fora de papéis preestabelecidos. Essa busca por autonomia contribui para a transformação de todo o sistema social.

Aplicação Prática da Teoria dos Sistemas na Análise de Estruturas Sociais

A Teoria Geral dos Sistemas oferece ferramentas conceituais para observar:

  • Como movimentos sociais (como o feminismo ou movimentos pela igualdade de gênero) não são apenas reações a uma estrutura opressiva, mas também geradores de novas interações, mudando o próprio “ecossistema” social.
  • Como as mitologias e narrativas culturais funcionam como "circuitos de feedback", reforçando o status quo (ou, no caso de mitos revisionistas, oferecendo saídas e visões alternativas).
  • Como o indivíduo, ao adotar uma postura consciente (awareness) e ativa em relação ao sistema, altera seu papel e, ao fazer isso, influencia o equilíbrio do sistema.

Da Estrutura ao Fluxo

Bertalanffy argumenta que uma visão sistêmica deve ser dinâmica, reconhecendo o fluxo constante e a mudança como parte essencial da vida dos sistemas. Assim, o patriarcado e as narrativas de poder podem ser vistos não como estruturas fixas, mas como sistemas em fluxo, que podem se dissolver ou se transformar conforme novas interações e pressões surgem. A Teoria Geral dos Sistemas oferece um modelo abrangente para analisar a sociedade e o comportamento humano, apontando que mudanças individuais, quando somadas, são capazes de impactar o todo.

As confluências entre a Teoria Geral dos Sistemas de Ludwig von Bertalanffy e as teorias de campos Mórficos de Rupert Sheldrake.

Há uma interessante confluência entre a Teoria Geral dos Sistemas de Ludwig von Bertalanffy e as teorias de Rupert Sheldrake, especialmente sua hipótese dos campos mórficos e ressonância mórfica. Ambos abordam a interconectividade e a ideia de que os sistemas (biológicos, sociais e culturais) possuem propriedades que vão além das partes individuais. No entanto, eles o fazem de maneiras distintas: enquanto Bertalanffy foca na estruturação e interação dos sistemas através de princípios científicos e observáveis, Sheldrake propõe que existe uma espécie de "campo informacional" que influencia padrões e comportamentos.

Pontos de Confluência

  1. Interconectividade e Padrões Emergentes

    • Bertalanffy fala sobre propriedades emergentes nos sistemas, ou seja, características que surgem das interações entre os elementos e não são observáveis em partes isoladas. Essas propriedades são uma expressão da organização e das relações que formam o sistema.
    • Sheldrake propõe algo semelhante com a ressonância mórfica, que é a ideia de que padrões de comportamento e formas biológicas são transmitidos através de um "campo" que conecta os indivíduos de uma espécie ou grupo. De acordo com ele, esse campo "mórfico" cria um padrão que os sistemas seguem, mantendo comportamentos e estruturas sem precisar de uma transmissão direta ou genética.
  2. Memória e Habituação dos Sistemas

    • Memória nos Sistemas: Bertalanffy não descreve um campo como Sheldrake, mas reconhece que os sistemas podem apresentar padrões de comportamento ou reações habituais como resultado de suas interações e adaptações. Isso seria semelhante à maneira como as sociedades criam e mantêm normas, tradições e estruturas de poder.
    • Campos Mórficos e Memória Coletiva: Sheldrake teoriza que existe uma “memória coletiva” que persiste nos campos mórficos. Esse campo influencia membros da mesma espécie ou grupos, levando a comportamentos aprendidos em uma geração a serem, de alguma forma, transmitidos e replicados em outras. Isso se alinha com a visão sistêmica de que o ambiente cultural ou social de um grupo pode "repetir" e solidificar padrões comportamentais.
  3. Mudança Sistêmica e Ressonância

    • Ambos também compartilham a ideia de que mudanças individuais podem, em última análise, influenciar o sistema maior.
    • Na Teoria Geral dos Sistemas, pequenos ajustes em uma parte do sistema podem levar a uma reestruturação no sistema como um todo, à medida que busca um novo ponto de equilíbrio.
    • Na Hipótese da Ressonância Mórfica, mudanças que se consolidam em um indivíduo ou grupo acabam, eventualmente, influenciando o campo mórfico da espécie ou grupo. Se determinado comportamento ou característica se torna comum, Sheldrake sugere que essa mudança ressoa e passa a influenciar outros membros, potencialmente resultando em uma mudança coletiva.
  4. Autossuficiência e Evolução Sistêmica

    • A perspectiva de Bertalanffy sobre sistemas abertos implica que os sistemas evoluem através de adaptações, onde influências externas e mudanças internas contribuem para a autossuficiência e sobrevivência. É uma noção de evolução que se encaixa com o conceito de campos mórficos de Sheldrake, onde o campo que conecta um sistema se "adapta" ou se modifica para acomodar novos comportamentos ou descobertas, criando uma evolução não-linear.

Divergências

  1. Método Científico vs. Metafísica

    • Bertalanffy manteve sua teoria dentro de um quadro científico, tentando explicar os sistemas com base na observação, na biologia e em outras ciências. Ele buscava criar uma metodologia aplicável a diferentes domínios, como uma linguagem comum para descrever sistemas complexos.
    • Sheldrake, ao introduzir conceitos como campos mórficos, entra em um campo mais especulativo e metafísico, pois suas ideias não se baseiam na observação direta nem são passíveis de uma comprovação tradicional científica. Ele propõe um tipo de “campo informacional” que desafia as teorias convencionais de genética e biologia.
  2. Explicação das Propriedades Emergentes

    • Para Bertalanffy, as propriedades emergentes são o resultado de interações observáveis e mensuráveis entre elementos do sistema.
    • Para Sheldrake, no entanto, os campos mórficos representam um tipo de "memória" não-biológica e não-observável diretamente, que facilita a emergência de comportamentos e formas.

Aplicação Conjunta na Análise de Estruturas Sociais

Quando aplicadas juntas, essas teorias fornecem uma visão profunda da formação e perpetuação de sistemas como o patriarcado:

  • Bertalanffy oferece uma estrutura para entender como elementos inter-relacionados mantêm a estrutura do sistema patriarcal, adaptando-se a pressões sociais, tecnológicas e culturais.
  • Sheldrake complementa essa visão ao sugerir que existe uma "memória coletiva" ou “campo mórfico” que reforça tais sistemas, permitindo que estruturas de dominação e normas culturais se perpetuem mesmo com mudanças de indivíduos.

Portanto, as duas teorias dialogam ao mostrar que sistemas complexos, como o patriarcado, a cultura e as normas, são mantidos não só pelas interações observáveis entre seus elementos, mas também por um "campo" informacional ou uma “memória” sistêmica. Essa visão integrada permite entender como mudanças significativas podem ser alcançadas não apenas através de ações individuais, mas também através de influências coletivas e da ressonância cultural ou psicológica.

Pontos centrais de ambas as teorias que refletem sua visão de sistemas interligados e processos de desenvolvimento:

  1. Teoria Geral dos Sistemas de Bertalanffy: Bertalanffy propôs a TGS como uma maneira de entender sistemas complexos, vivos e inanimados, em termos de seus elementos inter-relacionados e de como eles buscam equilíbrio dentro de um ambiente dinâmico. Ele introduziu conceitos como equifinalidade (a capacidade de alcançar um estado final semelhante a partir de diferentes condições iniciais) e destacou a importância dos sistemas abertos, que trocam energia com seu ambiente, ao contrário dos sistemas fechados abordados pela termodinâmica clássica. Esse entendimento de sistemas dinâmicos e interconectados ainda é aplicado na biologia, psicologia, ecologia e ciências sociais​                                                                                                (links acervo técnico e docs- Panarchy / Is Nature / Internet Archive )

  2. Conexão com as Teorias de Rupert Sheldrake: Sheldrake, com sua teoria dos "campos morfogenéticos" e "ressonância mórfica", introduziu a ideia de que os seres vivos são influenciados por padrões de comportamento e desenvolvimento que residem em um campo de informações não-material. A teoria se alinha com a TGS em sua visão de interconectividade entre sistemas, mas expande a abordagem para incluir influências não-físicas e mais holísticas, sugerindo que o aprendizado e o comportamento podem ser "armazenados" em campos que transcendem os organismos individuais e influenciam o desenvolvimento futuro.

  3. A documentação e acervos científicos atuais, oferecem uma base sólida para relacionarmos as abordagens de Bertalanffy e Sheldrake em um contexto que combina biologia, psicologia e teorias de sistemas aplicados.

- Crônicas sistêmicas

Referências:

  1. Bertalanffy, Ludwig von. General System Theory: Foundations, Development, Applications. Este livro clássico de Bertalanffy é o fundamento da Teoria Geral dos Sistemas, abordando como sistemas complexos interagem e trocam informações e energia com seus ambientes. Bertalanffy desenvolve a noção de sistemas abertos, equifinalidade e a aplicação da TGS em várias disciplinas, como psicologia e biologia​ ( Panarchy ) 

    .

  2. Sheldrake, Rupert. A New Science of Life: The Hypothesis of Formative Causation. Neste livro, Sheldrake introduz sua teoria dos campos morfogenéticos e da ressonância mórfica, propondo que padrões de desenvolvimento e comportamento são influenciados por "memórias" coletivas que residem fora dos indivíduos, um conceito que se conecta à interconexão de sistemas, ampliando a TGS para incluir dimensões não-materialistas​  ( Internet Archive )

    .

  3. Capra, Fritjof. The Web of Life: A New Scientific Understanding of Living Systems. Capra explora a evolução da TGS e sua aplicabilidade moderna, discutindo as influências holísticas e interconexões entre os sistemas vivos e seus ambientes, o que relaciona a teoria de Bertalanffy às ideias de Sheldrake sobre ressonância​

Como os sistemas configuram relações de poder e linguagem?

Várias camadas interpretativas, possibilitam-se sobre como o patriarcado configura estruturas de poder e submissão desde a infância da civilização e interfere na individuação coletiva, e molda a maneira como mitos e narrativas simbólicas refletem e perpetuam essa hierarquia, e isto, ocorre porquê ele é sistêmico... Então, vamos desdobrar estes olhares de forma esquizoanalítica, com foco em como essas influências atravessam os nossos comportamentos e linguagens, ligando-nos às perspectivas sistêmicas prontas, mas passíveis portanto, também de alterações, aprimoramentos e reinvenções . 

O Patriarcado e a Submissão Infante

A civilização patriarcal, ao estruturar hierarquias que frequentemente privilegiam o masculino e os pressupostos sobre seu modelo de 'adulto' submetido e assujeitado citadinamente, cria códigos 
culturais e sociais que promovem a submissão em diversos níveis. A infância, nesse contexto, é entendida não como um período de experimentação e descoberta, mas de formação obediente e moldagem às convenções sociais que atendem a esses padrões. Na prática, esses códigos geram um sistema de poder onde o jovem é disciplinado e conduzido a um entendimento de si mesmo atrelado a papéis sociais definidos, muitas vezes limitantes. Isso se reflete na linguagem de “controle” e “educação” como imposições.

Mitos como Marcadores e o Mito da Caverna de Platão

O Mito da Caverna de Platão oferece uma metáfora poderosa sobre ignorância e liberdade. Quando revisitamos esse mito nos videogames e na cultura digital, ele ressurge como uma experiência de imersão e liberação do controle. Na narrativa dos jogos, o "despertar" para uma realidade fora do controle direto do jogador simula a saída da caverna. Videogames como “The Legend of Zelda” ou “The Matrix” criam versões contemporâneas da libertação, mas também questionam se essa liberdade é real ou apenas uma nova caverna — um paralelo às questões de controle dentro do patriarcado e da sociedade.

Outros mitos civilizatórios reforçam as fundações patriarcais ao explicar o surgimento da ordem social como algo divino ou inevitável, como no Enuma Elish babilônico ou no Popol Vuh maia, onde a criação e os conflitos entre forças divinas refletem tensões de hierarquia e controle que acabam se espelhando na sociedade. Esses mitos fundamentam a autoridade, hierarquia e o “destino”, moldando a psicologia coletiva para aceitar a submissão como um valor.

Influência da Linguagem e do Comportamento na Atualidade

A linguagem contemporânea carrega marcas desse legado, especialmente em expressões de subordinação ou de autoridade. Expressões como “obediência”, “cumpra seu papel” ou mesmo o uso de metáforas de guerra em contextos de “sucesso” corporativo indicam valores de disputa e hierarquia, reminiscências dessas fundações mitológicas e patriarcais. Esses símbolos perpetuam uma visão da pessoa como subordinada a um sistema de poder e reforçam a adaptação ao “caminho estabelecido” ao invés de à autorrealização.

Análise Sistêmica e Esquizoanalítica na Atual Gestalt

Do ponto de vista da análise sistêmica, o patriarcado se revela como um sistema de relações, onde os papéis são organizados para perpetuar uma “ordem”. Uma abordagem esquizoanalítica desconstrói essas relações, enfatizando o desejo como uma força autônoma que não se alinha necessariamente aos papéis convencionais. Essa análise revela as tensões internas e os traumas causados pela imposição de papéis desde a infância, que moldam a autoimagem e dificultam o processo de individuação.

Dentro da Gestalt atual, a ênfase recai sobre a autorresponsabilidade e o awareness* como formas de dissolver a reatividade e desenvolver uma presença lúcida. O trabalho consiste em orientar o indivíduo a se desvencilhar dos condicionamentos externos e acessar uma consciência mais profunda de si, onde é possível agir com base em escolhas autênticas e não reações condicionadas.

*- Na Gestalt-terapia, awareness entende-se como "consciência" ou "percepção" e, no contexto terapêutico e de desenvolvimento pessoal, refere-se ao estado de estar plenamente atento e consciente do que acontece dentro e ao redor de si mesmo. entende-se o 'awareness' como  é um dos conceitos centrais e envolve não só estar ciente dos próprios sentimentos, pensamentos e comportamentos, mas também perceber as reações do corpo, as sensações e o ambiente externo em tempo real. Esse estado de presença facilita uma compreensão mais profunda das próprias necessidades e dos fatores que influenciam as escolhas e reações, ajudando a pessoa a responder ao mundo de maneira mais autêntica e equilibrada, em vez de agir por impulsos ou condicionamentos.

Pacificação e Caminhos de Autossuficiência

Dado o atual cenário de crise climática, bélica e social, buscar pacificação não significa passividade, mas, sim, uma ação intencional e lucidez sobre os sistemas que compõem a realidade pessoal e coletiva. A autossuficiência pode ser desenvolvida pela prática da atenção plena ao momento presente e pela compreensão de que cada indivíduo é um ponto de influência, afetando o sistema em que está inserido. Esse despertar para uma presença ativa, consciente de interdependências e comprometida com uma postura ética no mundo, é um passo na construção de uma sociedade mais equitativa e justa.

Como esses sistemas configuram relações de poder e linguagem

Ao observar e reinterpretar os mitos e as estruturas patriarcais, não apenas conseguimos identificar como esses sistemas configuram relações de poder e linguagem, mas também encontramos, através de uma perspectiva esquizoanalítica e gestáltica, formas de dissolver essas amarras. O enfrentamento dos desafios civilizatórios demanda uma postura presente e consciente, uma autossuficiência pautada pela ética e um compromisso com o processo de individuação e transformação coletiva.

- crônicas das lutas de classe


 Referências:

1. Sobre Patriarcado e Estruturas de Submissão

  • O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir: Este livro clássico examina como o patriarcado molda a vida e a subjetividade das mulheres, o que pode ser extrapolado para a estruturação de poder e submissão nas sociedades.
  • A Dominação Masculina de Pierre Bourdieu: Bourdieu explora como as estruturas patriarcais reproduzem a dominação e o controle, especialmente através de normas culturais e sociais.

2. Mitos e Narrativas Civilizatórias

  • O Mito da Caverna, em A República de Platão: Este texto examina a alegoria da caverna, que simboliza a ignorância e a libertação através do conhecimento, oferecendo uma metáfora poderosa sobre o controle mental e a liberação individual.
  • Mitologia Primitiva e As Máscaras de Deus de Joseph Campbell: Campbell explora como os mitos estruturam o pensamento coletivo e sustentam ideais de sociedade, autoridade e submissão em diferentes culturas.
  • Mitologia de Edith Hamilton: Apresenta uma análise das tradições mitológicas ocidentais e seu impacto na formação de valores sociais e comportamentais.

3. Influência na Linguagem e Comportamentos

  • A Ordem do Discurso de Michel Foucault: Este trabalho examina como a linguagem é usada para manter estruturas de poder e controle, relevante para entender como os comportamentos e a linguagem são moldados por narrativas patriarcais.
  • A Linguagem como Prática Social de Norman Fairclough: Fairclough explora a análise crítica do discurso e como as normas sociais e de poder estão impregnadas na linguagem cotidiana.

4. Análise Sistêmica e Esquizoanálise

  • Capitalismo e Esquizofrenia de Gilles Deleuze e Félix Guattari: Este livro propõe uma análise esquizoanalítica que desconstrói o patriarcado e outras estruturas, promovendo o entendimento do desejo e da liberdade fora de normas opressivas.
  • Terapia Gestalt Explicada de Frederick Perls, Ralph Hefferline e Paul Goodman: Este texto traz os princípios de awareness e presença plena na terapia, que são essenciais para o enfrentamento de estruturas internalizadas de submissão.
  • Teoria Geral dos Sistemas de Ludwig von Bertalanffy: A obra seminal sobre teoria dos sistemas, útil para entender como as relações patriarcais podem ser vistas e tratadas como sistemas inter-relacionados.

5. Desafios Contemporâneos e Caminhos de Autossuficiência

  • Sociedade de Risco: Rumo a uma Outra Modernidade de Ulrich Beck: Beck aborda a sociedade contemporânea, caracterizada por crises climáticas e sociais, e como os indivíduos e as coletividades lidam com esses riscos.
  • Para Além do Bem e do Mal de Friedrich Nietzsche: Nietzsche questiona as morais impostas pela sociedade, o que pode inspirar uma reflexão sobre autossuficiência e ética no contexto atual de crise.

como ser

Possuir, não é como ser,
mas o objeto pode representar
o lugar aonde existe um transcender
simbólico ao ser simplório na saga
de conquista de si próprio como herói
dos próprios imbróglios transitórios,
até o seu sonhado lugar meritório...
E se existem tais objetos,
eles preenchem quais lugares,
como 'afetos'? E eles falam sobre
as curas de uma falta?
De um lenitivo para o que não volta?
Aonde a dor transversa, conversa
com os sofrimentos alheios,
há uma possibilidade de entendimento
sobre a própria humanidade.
O desejo é matéria subjetiva
que por vezes pavimenta o
caminho das diretivas que
transcendem as nossas narrativas...
Ter não é igual como ser
mas pertence ao compreender
e no uso e nas formas
o ser se reconfirma
mas também se transforma ...
- crônicas das lutas de classe


O agendamento

O agendamento da necessidade
é da ordem sistêmica que sustenta 
os mecanismos de injustiça 
que ratificam também as condições civilizatórias 
condicionadas ao sujeito sempre reinventado 
pelo capital tardio na condição de citadino infante...
- Crônicas das lutas de classe