sexta-feira, 11 de julho de 2014

Dukkha

Compreendo que as certezas são móveis.
Procuro não cristalizar as minhas opiniões...
Apenas me parece, que quando 'elegemos um afeto',(objetivo ou objeto)
é como um voto de confiança, mas,  não na pessoa/ algo 'alvo' e sim,
na promessa de cumprimento das nossas expectativas...
Há uma expressão em sânscrito que define bem o que acontece: 
Dukkha, e que significa o seguinte:
Sofremos porque não temos algo;
Sofremos porque conseguimos algo e então temos medo de perde-lo;
Sofremos porque temos algo que parecia bom, mas agora, não é tão bom assim; e...
Sofremos porque temos algo que queremos nos livrar e não conseguimos.
À partir daí, podemos ver então que,  mesmo que tenhamos sucesso em nossa
experiência de felicidade, esta mesma experiência pode tornar-se causa de uma 
experiência de sofrimento.... este ciclo, pode voltar a repetir-se indefinidamente.
ralleirias -meta teatro
Imagem - roda da vida- cultura budista tibetana

decodificáveis

...
Modéstia e comedimento não era o forte dela, nem o dele.
Então ele diz:
- E talvez um dia, venhamos a sair novamente juntos...
Daí, eu com a minha nova namorada e tu com o teu ...
Ela de pronto interrompe:
- Tu sabe que eu não me relaciono com gente idiota..!
Ele:  -  Idiota? E tu não acabou de me dizer que eu sou o único gênio
disponível num raio de mil quilômetros...( com um sorriso irônico)
-Tuas palavras..!
Ela   - É que, se tu me deixar,(com um misto de olhar fascinado
e malicioso enquanto fala) é porque na verdade tu é apenas
um idiota mal compreendido. - E tu, nem sabe diferenciar elogio de deboche...

Calaram-se, continuaram bebendo... se olhando em silêncio, olhos nos olhos,
o copo, nos lábios molhados... fazendo bocas, olhares e charmes de bêbados...
Depois do sétimo chopp, mãos juntas, apertadas sob a mesa...e declarações
de amor, juras eternas com vozes pastosas de um para o outro...
Além  do décimo quarto chopp, ultrapassaram a escala do compreensível e avançam para um universo nebuloso de enigmas, recheados por ofensas subliminares, decodificáveis apenas nesta nova linguagem deles e somente naqueles instantes.
Ela, trôpega, vai ao banheiro e cochila sentada no vaso sanitário...
Ele, pede gim tônica de 'saideira'... - 'Amigãão! Traizz doisss!'
ralleirias(fragmento)


quinta-feira, 10 de julho de 2014

está te olhando...

Ainda que os desejos maus,
não sejam impossíveis
e são só natimortos,
mas não incríveis
e seguem te rondando,
como assombração...

E, se em cada palavra maldita
há uma intenção não dita...
Seria isto omissão?

Em cada gesto que é feito
carregas um maldoso defeito.
E é esta a tua missão...

Então o demônio está te olhando
quer queira, ou não...
E não está em algum inferno
ele mora no teu coração...

Contudo, se em cada palavra não dita
não há uma intenção maldita
nem mesmo há omissão...
E em cada gesto não feito
não mora nenhum defeito
e tua ação, não é nefasta intromissão...

Teu demônio ainda não está 'olhando'...

Mas... se tu segues nisto pensando
é porque, ele passa um bom tempo,
semeando destas falsas vontades
no teu coração...

ralleirias (Do rabo do diabo- da ignorância - fragmento)


Imagem Link
Vídeo:  LIGHTNIN' HOPKINS : Devil Is Watching You


terça-feira, 8 de julho de 2014

Corvos

Quando um corvo, animal difícil de ser visto nos paralelos ao sul do continente americano, começou a segui-lo por toda parte, como uma espécie de bicho de estimação, todos que ficavam sabendo, achavam isto surpreendente e estranho. Mas, nem tanto estranho era para os seus familiares, afinal ele nunca fora uma criança ou adolescente normal, era então natural que, quando adulto, continuasse produzindo 'esquisitices'...
E... havia uma certa descrença de que tudo houvesse acontecido daquela forma...
- Saído do 'nada'? Um corvo, seguindo dia e noite?
Especulavam que talvez ele o tivesse comprado e treinado, ou, o corvo houvesse fugido de algum lugar e ou ainda, seu antigo dono, fosse muito parecido com ele, e então o corvo, apenas o seguia por isto ... Cada um que tomava contato com a história, elaborava a sua própria hipótese... Mas com o tempo, todos se acostumavam, e parece que daí, deixavam de notar o quão bizarro isto realmente era ...

Ele, também achou que isto não iria durar, mas depois de anos, acabou se acostumando, tanto que na maior parte do tempo nem mesmo lembrava ...
Não deu ao corvo nenhum nome, era apenas o 'corvo', ele tinha muitas outras coisas para se preocupar e afinal, o corvo não era 'dele', apenas o seguia...
Quando ele tomava um ônibus.. o corvo junto voava, quando fazia uma entrega no '21º andar'... lá estava o corvo, observando seus movimentos pelas janelas... Assim era, em todo o lugar, todo o tempo...

Havia uma certa confiabilidade, na quase certeza disto,  não importava o clima, com sol ou até tempestade, nem o quanto longe ele viajasse, lá estaria o corvo, que perecia simplesmente viver a própria vida, sem mistérios, sem 'mensagens' ou relação com simbolismos, sem nada de muito incomum além do próprio fato, o que já era estranho o suficiente...

O corvo fazia jus a inteligência atribuída à esta espécie de ave, parecia audacioso e destemido, fazendo muitas coisas arriscadas... comia e bebia em lugares perigosos. Desafiando gatos e cachorros, ficava muito próximo à eles, também pousava em meio à cruzamentos em ruas com trânsito intenso, esquivando-se dos carros com uma inacreditável habilidade.
Na maior parte do tempo, não emitia nenhum som, e sempre fazia o acompanhamento muito discretamente, tanto que quase nenhuma pessoa estranha parecia nota-los ...
ralleirias - Corvos ( 'Conta' "cultura" fragmento)



domingo, 6 de julho de 2014

Premio maior.

O premio maior por tamanhas conquistas e grandezas,
será a morte... e disto, tenhas certeza.
Nada do que conseguires levarás,
mesmo os troféus das mais terríveis lutas,
as vitórias sobre os desafetos (e as excessivas brutalidades)
mas principalmente, esta imensa falta de paz.
Eis que se diluirá todo o veneno...
E deste imenso mundo pequeno,
muito pouco sobrará...
Decerto do caixão, sob a campa ninguém notará...
Que tudo o que construíste
à ferro e fogo e broncas e chistes,
Este complexo e doloroso mundo agora, inexistirá...
ralleirias


sábado, 5 de julho de 2014

as boas mudanças.

Mas, toma atenção!
Não esquece que é tua a conquista do pão,
e o dever da luta por saúde e segurança,
E vê que importante,
não te manter ignorante
e ainda sustentar tua esperança...
Saiba que sempre foi a ação
amparada não no ódio, mas na razão
que trouxe as boas mudanças.
ralleirias
Crédito na imagem.

O que se passa na cabeça dela...

Se eu soubesse, o que se passa na cabeça dela...
Me parece, que são mundos complexos e lindos,
tanto quanto ela...

Impenetráveis universos...
Para os quais, eu não fui convidado.
Fico apenas olhando, perplexo e
admirando... e  acho que, apaixonado...

Mas, por isto minha percepção quase duvida
alguém que assim me despreza
poderia ser o amor de minha vida?

Contudo, mesmo que para ela,
eu não preste...
Ainda ela, é a minha preferida...

Já ouvi, que isto é como uma maldição,
a qual, todo homem enfrenta,
ao menos uma vez na vida...

E que desta perdição,
passada então a tormenta
eis então a saída:

Uma nova paixão nos alimenta...

Ou seria outra maldição?
Arrebenta coração...
Arrebenta..!
ralleirias