no engano de ser quem não é
fazia tudo o que não queria
e nem pensava no que dizia...
no engano de ser quem não é
contava vantagens sobre o
que nem sabia
na vida loca, vulgar e vazia...
no engano de ser quem não é
preso estava no amar errado
e no odiar desnecessário...
no engano de ser quem não é
só tomava identidades
e dava nascimentos
em coisas de otários...
no engano de ser quem não é
morreu a lucidez
cresceu a estupidez
no engano de ser quem não é
passou a vida
perdeu a vez...
ralleirias
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
O impossível é uma acomodação desconfortável.
E preso naquele inferno, sem opção alguma de escapatória,
com seus cinco sentidos, inundados constantemente com
toda aquela insalubre tralha, que chegava aos borbotões...
Começou o lento e gradual processo de desconstrução das
significâncias que suportavam o que conhecia como realidade...
Buscava os rastros de cada referencia fictícia ou pressuposta
como o real, até mesmo na raiz das palavras
e de todo o logos...
E tão próximo chegou da essência, que viu extinguirem-se
o mal, o bem, e o que conhecia como identidade ...
Mergulhara perceptivamente, em uma dimensão amorfa,
ampla, maior, onde um estado de permeabilidade abrangia o todo...
Parecia algo, não como uma especie de presença,
mas, uma indefinível constância, onde não há referenciais,
e há as possibilidades, 'todas'...
Então, reencontrou a paz absoluta
na liberdade daquele silencio...
Neste instante, tudo o mais que há,
pode ser simplesmente uma opção.
O impossível, é uma acomodação desconfortável.
Ralleirias
domingo, 11 de setembro de 2016
biscoitos tão bons...
sábado, 10 de setembro de 2016
idiossincrasias
Um olhar dentro de outro olhar...
pode ser impossível explicar...
Olhar além do espelho
causal do tempo
O reconhecer é conceber
realidade, por vontade e quorum.
E é olhar o passado, o referido.
Talvez, tão somente
e apenas
talvez,
a realidade seja processada
um pouco diferente para cada um,
cada qual com suas idiossincrasias e daí,
esta noção de realidade objetivamente
encarcere o observador,
e de tal forma
que sob sua ótica
outras possibilidades
além da sua
apresentam-se
como
impossíveis...
condenando-o
em suas próprias
certezas e
ignorâncias
cíclicas
ad eternum
mas não inteiramente...
Estou indo,
mas não inteiramente...
Lucidamente enganado,
oniricamente consciente.
Uma parte de mim, insiste
em ficar por aqui,
está obcecada e renitente...
Tento liberta-la,
dissolvendo meu passado,
visitando-o esvazio minhas
memórias,
mesmo as mais dolorosas,
mesmo as mais dolorosas,
e principalmente aquelas
em que presumi
alguma glória...
De lá, o 'agora' é futuro...
e então, tal qual como
neste instante, este futuro,
só pode ser alterado,
em construções do presente...
e por isso... é que
estou indo,
estou indo,
mas, não inteiramente...
ralleirias (das mortes não morridas - Bardos)
ralleirias (das mortes não morridas - Bardos)
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
sufi
Num paradoxo próprio
onde sem estar no tempo
olhando atento ao porvir
consegui transcender
qualquer momento,
e ultrapassei
todo o devir.
Girando
e não circulando
afastei
todo pensamento
e os transcendi
tal qual sufi...
Flutuava
dissolvia
não instância
ou relevância
nem há dor
nem alegria
nem verdade
ou fantasia
e identidade...
Fui ou não
ao antes
do nascer
onde não havia
um morrer
nem nada,
ou tudo e
existi ali
onde sem estar no tempo
olhando atento ao porvir
consegui transcender
qualquer momento,
e ultrapassei
todo o devir.
Girando
e não circulando
afastei
todo pensamento
e os transcendi
tal qual sufi...
Flutuava
dissolvia
não instância
ou relevância
nem há dor
nem alegria
nem verdade
ou fantasia
e identidade...
Fui ou não
ao antes
do nascer
onde não havia
um morrer
nem nada,
ou tudo e
existi ali
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
buda interno
Não, não há mistério,
A de tentar
'ser' feliz
para desvendar
nem há quem seguir
até uma 'iluminação'...
nem há quem seguir
até uma 'iluminação'...
O que pode haver,
talvez,
seja um abandonar
as nossas convicções
encarceradoras...
encarceradoras...
Porém,
não trata-se exatamente
também
de uma negação do eu,
mas sim,
abdicação
dos pesos
das nossas certezas,
das nossas certezas,
e de nossas
travas
e cercas
existenciais...
travas
e cercas
existenciais...
Troca-las
por uma
liberdade maior.
liberdade maior.
A de tentar
'ser' feliz
sem um severo compromisso
com as dores
de nosso repertório
de nosso repertório
e com qualquer permanência
em uma identidade construída
sobre as lembranças
que decidimos
portar...
sobre as lembranças
que decidimos
portar...
E mesmo
aquela que supomos
ser a do nosso próprio
buda interno...
(...)
ralleirias
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