domingo, 11 de setembro de 2016

biscoitos tão bons...

Ela só gosta de biscoito fino.
(pensa) -Só tem este, e é muito extravagante!

Ele acha estas bolachas maravilhosas!
_Mas, nesta embalagem, parece cara,
e tão arrogante...

Tantos defeitos inexistentes
nestes dois biscoitos tão bons...

Acabaram mofando na estante...

ralleirias(...)
Crédito na imagem

sábado, 10 de setembro de 2016

idiossincrasias

Um olhar dentro de outro olhar...
pode ser impossível explicar...

Olhar além do espelho
causal do tempo

O reconhecer é conceber
realidade, por vontade e quorum.
E é olhar o passado, o referido.
Talvez, tão somente 
e apenas
talvez, 
a realidade seja processada 
um pouco diferente para cada um, 
cada qual com suas idiossincrasias e daí, 
esta noção de realidade objetivamente 
encarcere o observador, 
e de tal forma 
que sob sua ótica 
outras possibilidades 
além da sua 
apresentam-se 
como 
impossíveis...

condenando-o
em suas próprias
certezas e
ignorâncias
cíclicas 
ad eternum 

ralleirias(das mortes não morridas- Movimentos)


mas não inteiramente...

Estou indo, 
mas não inteiramente...
Lucidamente enganado, 
oniricamente consciente.
Uma parte de mim, insiste 
em ficar por aqui, 
está obcecada e renitente...
Tento liberta-la, 
dissolvendo meu passado, 
visitando-o esvazio minhas 
memórias,
mesmo as mais dolorosas, 
e principalmente aquelas 
em que presumi  
alguma glória...

De lá, o 'agora' é futuro... 
e então, tal qual como 
neste instante, este futuro, 
só pode ser alterado, 
em construções do presente... 
e por isso... é que
estou indo,
mas, não inteiramente...
ralleirias (das mortes não morridas - Bardos)

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

sufi

Num paradoxo próprio
onde sem estar no tempo
olhando atento ao porvir
consegui transcender
qualquer momento,
e ultrapassei
todo o devir.

Girando
e não circulando
afastei
todo pensamento
e os transcendi
tal qual sufi...

Flutuava
dissolvia
não instância
ou relevância
nem há dor
nem alegria
nem verdade
ou fantasia
e identidade...

Fui ou não
ao antes
do nascer
onde não havia
um morrer
nem nada,
ou tudo e
existi ali
girando
igual 
sufi...
- crônicas das asceses místicas 

crédito na imagem


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

buda interno

Não, não há mistério,
para desvendar
nem há quem seguir
até uma 'iluminação'... 

O que pode haver, 
talvez, 
seja um abandonar 
as nossas convicções
encarceradoras... 

Porém, 
não trata-se exatamente
também 
de uma negação do eu, 
mas sim, 
abdicação 
dos pesos
das nossas certezas, 
e de nossas
travas
e cercas
existenciais... 

Troca-las 
por uma
liberdade maior.

A de tentar
'ser' feliz 
sem um severo compromisso 
com as dores
de nosso repertório
e com qualquer permanência 
em uma identidade construída
sobre as lembranças
que decidimos
portar... 

E mesmo 
aquela que supomos 
ser a do nosso próprio 
buda interno... 
(...)
ralleirias
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terça-feira, 30 de agosto de 2016

vontade e esperança

Uma  potencia
da verdade
é a vontade...
e  da vontade,
é a esperança.

Mas, vontade e esperança
são subjetividades
tão móveis..

Assim,
faz-se o frágil agora
em lapsos de desejos,
compreensões e memórias..

Será um 'ser' como
reservada instância..?

Na consciência deste
reverberará
o logos do todo

mas, ao tudo,
este, espraiado em
plenas liberdades
nunca alcança.

Talvez, por isto,
para um  real
consistente
de verdades
reste apenas
vontade e esperança.

ralleirias - Metateatro




sábado, 20 de agosto de 2016

humildemente

Fazer o melhor
à partir de si
é legar
ainda que
humildemente
o melhor
ao mundo.
ralleirias