segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Da humanidade

Da humanidade, há a certeza,
na pura potencialidade...

Das construções sobre devaneios,
guerreiros são, mas antes, covardes...

Pois há uma coragem, mas que é
revestimento de seus medos...

Sua ignorância é um demônio alado, que cobre
grandes espaços, cuspindo arrogâncias e certezas...

Sua alma, traz o breu de suas toscas vontades...

Mas, quando satisfeitos e em paz, não são tão adoráveis?
ralleirias (do Rabo do diabo)




catarse necessária

Parece mesmo, um processo muito complicado
como esta subjetividade da lógica do ódio confunde
e faz, na maioria das vezes, que ele se agigante...

Já o amor e a tolerância, assim, também parecem bastante frágeis
em suas sustentações, talvez porque a fonte seja a mesma...

Somos nós e nossos egos, que prostituímos a razão, de acordo
com nossos medos, desejos e  ignorâncias.

Assim, o silêncio interno necessário, para o despertar da lucidez
sobre a origem dos pensamentos e motivações e significações,
mostra-se como impraticável, frente à esta gritaria  de um mundo que
parece agora, não estar longe desta catarse necessária para sua libertação...

Já está em flagrante convulsão.
Talvez, depois do colapso... então o amor finalmente re-surja.

Pois, certamente, ainda o amor é maior que tudo,
pois ele se parece com a verdade:
Em sua naturalidade,
não precisa de quase nada para sustenta-la...

E é diferente do ódio, este,  que se parece com a mentira:
Precisa de sustentação e investimentos permanentes...

Difícil o ódio que não desperte mais ódio...
Mas, nós e nossas crenças, ainda somos a fonte de tudo...
Talvez por isto, os odiosos e suas maquinações,
ainda gracejam, todos os dias...
ralleirias- das lutas de classe




quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

nossa próxima morada.

E inevitavelmente, o desconhecido,
será sempre a nossa próxima morada.
ralleirias


O convite é permanente.

O convite é permanente.
E o incentivo, é frequente:
Morremos um pouco, todo o dia.

Nas nossas desusadas manias,
nos nossos fracos motivos,
nas nossas identidades,
e não só quando sustentadas
por desejos e sonhos pueris...

Quando a felicidade se fantasia de desejo,
ela constrói uma armadilha,
na qual morremos 
mesmo quando saciados.

A morte, sempre nos carregará, 
pois o outro nome oculto 
que ela possui é 'tempo'. 

Se temos tempo, é certo que morreremos.

A maldição da morte, assim, é lançada pela vida.
Pois este, é o outro nome que ela costuma usar,
ainda que despercebida...
ralleirias - Crônicas das asceses místicas


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

neste único momento...

Devagar e sempre ...
é assim que a vida vai, e é 
bem assim que a morte vem...
Se, amanhã é um dia a mais,
que pena que ele nunca chega,
e se, é um dia à menos, é um
bem, se ele ainda não vem...
Dura a vida por um tempo
mas, ocorre tudo é
neste único momento...
O agora, aonde resta viver...
Impossível é joga-lo fora
Impossível lhe apreender...
ralleirias - Meta teatro

Distorcia os sonhos

Distorcia os sonhos de tal maneira,
que usava-os como outras vidas.
Revelado então, foi o acesso à uma 
amostra do que é a eternidade...
Migrar com às impressões da própria mente.
A própria vida, deixou de ser cárcere
quando relembrou que poderia fazer disto
sua liberdade. Criar mundos possíveis, 
ainda que incoerentes
já é uma arte humana antiga...
abraçar a loucura
ralleirias -meta teatro






Uma coisa boa?

Uma coisa boa?
Se houvesse uma proposição de recordarmos
uma coisa boa, e registra-la
e que evocasse um resumo do
que somos e fomos,
esta memória, esta imagem
ou este momento seria como o quê,
quando, e porquê?


Em que tempo estamos,
se ainda no passado
ou dele já nos desligamos?
Somos um outro ser
que é mais do mesmo,
andando por aí a esmo?

Ou somos um novo ente,
acordado, ensimesmado
e consciente....

Que memórias resumiriam
a nós e nossas histórias?

Quem sabe, a memória
do primeiro amor correspondido,
a do primeiro beijo..?
Talvez, a do gesto de alguém
que nos amou, além do desejo
e apesar de nossos enganos,
e como uma visão ainda enamorada...

Quem sabe, a de nossa primeira
mancada ou mesmo, uma ideia privilegiada..?
Como algo criando o bom, do nada...

Nos trai a memória...
Quando evoca certezas por felicidades,
que, quase sempre foram moldadas
em gabaritos dum passado...

Pois é assim que uma coisa boa,
relativa a um lugar, entidade, ou alguém
pode não ser sempre boa de verdade também...

Ou, boa o suficiente para durar num 'para sempre'...

Mas, uma coisa boa, pode ser,
encontrar-se consciente sem forçar o ser
ainda que, mesmo temporariamente, e ou
inevitavelmente, como e com o tudo,
até mudar ou desvanecer...
ralleirias (das mortes não morridas)
Crédito: assinado na imagem