quarta-feira, 4 de junho de 2014

Como toda fera e besta vive...

Vivo um pouco
em cada inspiração.
Assim, como toda fera
e besta vive...e, mais um
pouco, por minhas animosidades,
pelas minhas lutas iradas,
pelos poucos despojos
que amealho
e que valor algum têm,
além do que lhes atribuo
valorando consentimentos...

e, outro tanto vivo, pela saciedade,
e mais outro pelo aplacamento,
desta enorme vontade
de amar de verdade
e de sublimar esse sentimento,
ainda que não no agora
e mesmo que nem
no próximo momento,

sim... e vivo pela expectativa,
de uma eternidade, e prorrogada ...
na qual vencerei esses meus tormentos
por essa enorme sede, de gozar de verdade
o amor da minha amada,
e as glórias do meu tempo...

Ainda que possam durar, não mais que nada
pois também são como a fumaça ao vento,
e como tudo, se esvanecerão em memórias vagas
e esquecidos pensamentos...
ralleirias -Meta teatro



terça-feira, 3 de junho de 2014

A vontade seria um devaneio?

A vontade seria um devaneio?

Ascende o fogo, esquenta os ferros
marca o gado e então, larga seus maneios...

Eis que mesmo num frenesi de medo e fúria,
não somos senhores nem de nossos berros.
O poder a ganancia e maldade parecem ser a cúria...

Lutamos pela supremacia no curral... Lutamos?
Pensamos sobre nossos domínios no plural... Pensamos?
Entre o pastar e seguir ruminando ideias... por melhores pastos...

Erguendo a cabeça alto e acima da manada,
vislumbra então o horizonte... há tantos campos vastos...

Ah! vontade... brete invisível... prisão intangível...

Carreia nossas mortes como o próprio lobo e também o pastor.
A vontade é laço que prende com as fibras da vida e inclusive do amor...
Se é possível correr campo afora livre do medo e livre da dor?
Ah! liberdade! Revela teu norte..!

Eis que, somente na morte
...de morte, como gado,
mas, principalmente...
na morte das vontades de lobo
e de pastor...
ralleirias - das lutas de classe 

Imagem: Katsu Kaishu

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O tempo se esvai em meio a tantas distrações e verdadeiramente ele não passa, nos engana...

Meu caro Franky, o tempo se esvai em meio a tantas distrações
e verdadeiramente ele não passa, nos engana.
Nós passamos pelo espaço tempo, construímos cada momento
com ilusões bacanas (ou sacanas).
Presos na linguagem-forma, fantasiados com nossas identidades,
nós nos acreditamos personagens principais, nada menos (e nada mais),
neste meta-teatro, como criadores e criaturas...
Percebeste? Em respeito a ti, não usei a palavra monstro!
Mas, muitas vezes é o que somos (tu não, nós sim).
Com as melhores partes do que encontramos pelo mundo,
remendamos nossas existências durante o próprio espetáculo.
Mas o improviso, sabe tu, sei eu, tem seu preço:
Nunca se sabe quanto tempo temos até o desfecho...
Porquê meu caro Franky, o tempo se esvai em meio à tantas
distrações, e verdadeiramente ele não passa, nos engana...
ralleirias


O controle é sempre uma ilusão transparente..

O controle é sempre, uma ilusão transparente
O sempre, é o controle, ilusão transparente.
O controle é sempre uma ilusão transparente.

ralleirias


Nem sinto a chuva...

Já não
sei bem,
qual foi
ou é a
verdade...

Mas,
alheio
a toda
aparente
realidade...

Nem sinto
mais a chuva,
e eu acho...
que matei
a alma
das minhas
vaidades...

E não 
seria
por
culpa,
carência
ou saudades?

Eu tenho
a clara
certeza
de que
estás
comigo
ainda
aqui...

E com o olhar 
perdido no tempo,
tropeço em meus
ressentimentos,
e vou seguindo,
pensando sempre 
em ti...
ralleirias -  Das mortes não morridas
Imagem: Troche

Se houvesse um 'fim do mundo'...

Há um tempo em que se anseia por um final.
quando tudo no entorno de nossas existências
parece ir para o caminho errado.

Amores comparados,
como se pesados em balança,
ideais ditados pela moda corrente...
A razão petrificada, torta, suja, cega e surda...
O pouco caso com as dores e os direitos alheios,
quando grassam as injustiças absurdas...
Onde a vida e dignidade são comercializados,
como moeda de troca pelo poder.

Se houvesse um 'fim do mundo',
deveria ser o desta civilização nefasta,
máquina de moer os próprios ossos.
Que usa como combustível sangue,
mentes e vidas inocentes.

Mas há quem caminhe
com as próprias pernas
e pense com a própria cabeça...
Estes provavelmente já despertaram,
e perceberam que tudo isso está errado.
Necessariamente, não precisamos trilhar esta estrada,
pois antes de mais nada, um caminho é uma escolha.
ralleirias

Imagem: teste nuclear no Atol de Bikini.

O quanto pesa um sofrimento?

O que valida um conhecimento?
Vale a morte pela crença, pela razão?
Há quem diga que sim, outros dizem que não...
O quanto pesa um sofrimento?
Em que balança e que grandezas aí são pesadas?
A  razão é como uma cepa de doença...
A percepção está sempre infectada.
ralleirias - metateatro