segunda-feira, 30 de setembro de 2024

concentração

- Concentração
Na profundidade e em concentração
na força do silêncio amoroso,
sonhei contigo e eu, num momento
grandioso... de compreensões e aceites
de perdões e entregas, de permissões
renovadas e de entendimentos mútuos,
nossas intenções claras e então nossos
campos limpos de narrativas assujeitadas
se estabelecem assim, como naturezas e
fazem-se as integrações de nossos espíritos
consagrados à construção de novos tempos
e melhores mundos...
-crônicas das asceses místicas


domingo, 29 de setembro de 2024

um grande desafio

Falar sobre estes meus mestres, Guattari e Deleuze, é grande desafio... pois a extensão de suas obras é imensa, são dois grandes pensadores franceses cuja colaboração deu origem a ideias inovadoras que marcaram profundamente o pensamento contemporâneo.

Félix Guattari

Félix Guattari (1930-1992) foi um psicanalista, filósofo e ativista político. Ele trabalhou na Clínica La Borde, um local inovador de tratamento psiquiátrico, onde buscava formas alternativas de lidar com a saúde mental, desafiando o modelo tradicional da psicanálise freudiana. Guattari tinha uma visão mais social e coletiva da subjetividade, afastando-se do foco no inconsciente individual.

Sua contribuição mais importante foi a Esquizoanálise, que propõe uma crítica ao modo como a sociedade e a psiquiatria tratam o comportamento humano, especialmente em relação à ideia de normalidade e doença mental. Para ele, o inconsciente era "máquina" e estava constantemente produzindo desejos e conexões, rejeitando a ideia de que ele funcionava de acordo com uma estrutura fixa e repressiva, como Freud sugeria.

 Gilles Deleuze

Gilles Deleuze (1925-1995) foi um filósofo altamente original, conhecido por sua abordagem crítica e criativa da história da filosofia. Ele trabalhou em temas como metafísica, estética, teoria política e epistemologia. Antes de sua parceria com Guattari, Deleuze já era conhecido por suas obras sobre filósofos como Nietzsche, Spinoza e Bergson, nos quais ele encontrou as bases para o desenvolvimento de sua própria filosofia de diferença e multiplicidade.

Em suas primeiras obras, Deleuze já questionava o pensamento estruturalista que dominava a filosofia francesa da época. Ele via a realidade como algo que nunca poderia ser completamente capturado por estruturas fixas e categorias rígidas.

Colaboração entre Guattari e Deleuze

A colaboração entre Guattari e Deleuze começou com o livro "O Anti-Édipo" (1972), que faz parte da série "Capitalismo e Esquizofrenia". Essa obra é uma crítica à psicanálise freudiana e ao capitalismo, onde eles argumentam que o desejo humano foi capturado e canalizado pelo sistema capitalista para servir aos seus interesses, ao invés de ser uma força criativa e libertadora. 

Eles desenvolveram conceitos como:

- Máquinas desejantes: A ideia de que o desejo não é uma falta ou uma ausência, mas uma força produtiva, sempre em funcionamento.

- Corpo sem órgãos: Um conceito que expressa um corpo livre de estruturas e hierarquias impostas pela sociedade, pela linguagem e pela psicanálise tradicional.

- Esquizoanálise: Um novo método de análise que rejeita o modelo edipiano e busca explorar as forças do desejo e as linhas de fuga que as pessoas criam para escapar das repressões sociais e psicológicas.

Ideias Centrais

Uma das ideias centrais da obra deles é a crítica à centralização do poder, seja na política, na família ou no inconsciente. Para eles, o poder centralizado, representado pelo Estado ou pelas instituições, captura o desejo e as forças criativas, moldando as pessoas de acordo com seus próprios interesses. Em vez de uma estrutura unificada e estável, a realidade é composta de multiplicidades e fluxos que estão constantemente em movimento.

Eles também rejeitam a ideia de identidade fixa. Para Deleuze e Guattari, a subjetividade é algo fluido e em constante devir, um processo de se tornar, e não uma essência estática. A vida humana é vista como um campo de forças e fluxos, onde múltiplas possibilidades de ser e de agir estão sempre em jogo.

 Vertentes e Influências

Deleuze e Guattari beberam de várias vertentes filosóficas e teóricas:

- Filosofia de Nietzsche: A valorização do devir, da vontade de potência e da crítica às estruturas de poder.

- Spinoza: A noção de um mundo composto por redes de afetos e conexões, onde a razão é entendida em termos de composição de corpos e intensidades.

- Bergson: O conceito de tempo como duração, um fluxo contínuo e criativo, ao invés de uma série de instantes fixos.

- Marxismo: A crítica ao capitalismo como sistema que captura e canaliza o desejo humano para os seus próprios fins.

- Esquizoanálise: A partir de Guattari, a rejeição da psicanálise freudiana e a proposta de uma nova maneira de entender o inconsciente, como uma máquina de produção de desejo, ao invés de um repositório de traumas e repressões.

 Algumas Passagens Marcantes

Aqui estão algumas passagens emblemáticas de suas obras:

"O Anti-Édipo":

   “O desejo é revolucionário porque tende a anular tudo aquilo que representa, organiza ou estabiliza o poder: o desejo não está ligado à falta, mas à produção.”


"Mil Platôs":

   "Pensar nunca é um começo nem um fim, mas um meio que estabelece conexões e cria possibilidades. Pensar é sempre uma cartografia, uma cartografia do real e do possível."


"O que é a Filosofia?":

   "A filosofia é a arte de formar, inventar e fabricar conceitos."


A obra deles também gerou influência na teoria crítica, nos estudos culturais e nas ciências sociais, abrindo portas para novas formas de pensar a sociedade, o desejo, a subjetividade e a política.

- Crônicas das clínicas sistêmicas



sexta-feira, 27 de setembro de 2024

dualidades

O amor dos Ibejis é como
as florezinhas do campo,
muy frágeis, mas potentes
ainda que singelas...
também elas
nas suas dualidades
seguem tentando salvar
um pouquinho o mundo
apenas por serem jovens e belas.
E elas sabem que podem
pois a natureza é toda
feita como, para e por elas...
Viva aos Ibejis!
- crônicas das asceses místicas



Os Ibejis

Dos mitos relacionados à pujança da vida no embate com seu fluxo final, a morte, a história dos Ibejis sempre representou uma leitura mais pura do verdadeiro poder heróico – que reside no amor, e não no ódio violento.

Os Ibejis, gêmeos divinos, filhos do sagrado, são a personificação da renovação e da alegria, forças vitais que desafiam, com simplicidade, as adversidades mais implacáveis da existência. Em tempos onde o ciclo natural da vida encontra seu fim em Iku, a morte, os Ibejis revelam uma verdade essencial: é o poder do riso, da brincadeira e do afeto que realmente desarma as forças destrutivas. Enquanto houver vitalidade, enquanto houver renovação e amor, a morte não ocupa seu espaço, permanecendo à margem, desarmada pela potência da vida que se refaz.

Vejo-os, portanto, como guardiões de um potencial de renovação para o mundo. Um potencial do qual, mais do que nunca, necessitamos. Vivemos tempos onde a desesperança e o esgotamento parecem tomar conta de nossas realidades, seja em crises sociais, ambientais, políticas ou espirituais. Mas é precisamente nesses momentos que a força dos Ibejis, a força da inocência, da criação e da vida, nos relembra que a verdadeira transformação não se dá por meio da violência ou da destruição, mas pelo cultivo de novas formas de existir. É a vida que se reinventa, que se renova a cada ciclo, e que, na pureza de sua manifestação, afasta o vazio da morte.

No mito dos Ibejis e Iku, quando a morte parecia invencível, ceifando vidas com sua fria determinação, os Ibejis, em sua inocência, não enfrentaram a morte com força bruta. Não empunharam armas nem invocaram os elementos para derrotá-la. Eles simplesmente dançaram. Riram. Trouxeram à tona a essência mais leve e pura da existência. Iku, que nunca conhecera o poder transformador da alegria, se rendeu àquela energia vital e renovadora. Onde antes havia uma sombra implacável, agora havia luz e renovação. Os gêmeos, ao devolver à morte o riso e a leveza da vida, nos mostram que o ciclo vital pode sempre ser renovado, enquanto houver alegria e criatividade.

Essa história traz uma importante lição para nossa realidade atual. Nas comunidades mais vulneráveis, onde a morte, seja ela social, econômica ou espiritual, parece ser uma presença constante, é justamente a capacidade de renovação – seja através da arte, da cultura, ou da união entre as pessoas – que impede que a estagnação domine. No Brasil, vemos isso nas manifestações culturais como o samba e a capoeira, onde a alegria e a criação resistem à marginalização. Em projetos sociais que dão vida a crianças e jovens em situação de risco, encontramos ecos da energia dos Ibejis, provando que, enquanto houver renovação e vida, a morte não tem seu domínio completo.

Essa renovação também se reflete em movimentos de juventude que, como os Ibejis, desafiam estruturas de poder estagnadas e criam novas formas de viver e prosperar. Ocupar escolas, transformar espaços de opressão em lugares de criação e aprendizado, é um exemplo contemporâneo de como o ciclo da vida continua, apesar das ameaças.

O mito dos Ibejis e Iku nos relembra de uma verdade atemporal: ''a vida, em sua renovação constante, não só resiste à morte, mas a transcende.'' É o amor, em sua forma mais pura, que restaura e revitaliza, e não a violência ou o ódio. Os Ibejis nos ensinam que a verdadeira força está em manter viva a alegria e a esperança, mesmo nas horas mais sombrias. E, nesse sentido, o mundo moderno tem muito a aprender com os gêmeos divinos.

Enquanto houver renovação, haverá vida.
E enquanto houver vida, a morte – seja ela a desesperança, a opressão, ou a destruição – será sempre apenas uma sombra à margem, esperando um momento que, com esperança, talvez nunca chegue...
- crônicas das asceses místicas. 



quinta-feira, 26 de setembro de 2024

O tesouro

O tesouro é aquela palavra de amor, 
que contra o quebranto corta toda mágoa. 
Lavam-se assim, todos os prantos em santas 
guiadas conversas como um fluxo de benditas águas... 
Como as lágrimas de minha vó Nanã, que mandou eu rezar 
forte o amor para dar norte ao desaguar todo este lodo dessa dor... 
do medo e da doença e da injustiça e do desamor.. 
Salubá Nanã Buruquê !

- crônicas das asceses místicas


O Tempo em Henri Bergson: Reflexões sobre 'os tempos' modernos...

O Tempo em Henri Bergson: Reflexões sobre 'os tempos' modernos...

Henri Bergson nasceu em Paris, no dia 18 de outubro de 1859, e foi uma figura marcante da filosofia moderna. Ele desafiou as ideias rígidas e mecanicistas da ciência e propôs uma visão mais viva e intuitiva do tempo. Em 1927, Bergson foi premiado com o Prêmio Nobel de Literatura por sua brilhante exploração filosófica, que influenciou tanto o pensamento quanto as artes.

Bergson fez uma distinção fundamental entre dois tipos de tempo: o tempo medido (aquele dos relógios e agendas) e o tempo vivido (aquele que sentimos passar, em momentos profundos ou sutis). E essa visão pode nos oferecer insights valiosos para refletirmos sobre nossa vida hoje, cercada pela pressão dos prazos e das obrigações e mesmo dos assujeitamentos dopaminérgicos e ainda, relacionais... 

O Tempo da Ciência vs. a Duração Vivida

Quando falamos de tempo da ciência, estamos nos referindo ao tempo que pode ser medido em segundos, minutos e horas. É o tempo que usamos para estruturar o dia, organizando compromissos e tarefas. Esse tempo, segundo Bergson, é uma abstração, algo que congelamos para podermos medir e controlar. O que é prático, mas pode ser limitante.

Por outro lado, Bergson propõe também a ideia de duração vivida...(como 'aquele momento' aonde todos estavam sentados na varanda, conversando tranquilamente e que pareceu bem maior, mais 'dilatado'- que acredito que possamos reconhecer nas nossas próprias experiências). A duração não pode ser dividida em pedaços, ela é sentida como um fluxo contínuo, sequencial, em processo.... Pense em quando está profundamente envolvida em algo significativo: o tempo parece passar de maneira diferente, não é? Há momentos em que parece voar, enquanto em outros, se alonga.

Na vida diária, marcada por responsabilidades e rotinas, também sentimos que o tempo cronometrado acaba impondo uma certa rigidez. Mas a sua percepção de tempo pode ser mais rica e fluida, como Bergson sugere. Cada instante vivido, quando estamos realmente presentes, é qualitativo, e não poderia ser então reduzido a uma simples sequência de números no relógio...

O Presente Como Memória Viva

Uma ideia central de Bergson que pode ser útil para nós é a de que o presente carrega consigo o passado. Ou seja, nossas experiências anteriores não estão simplesmente atrás de nós, mas se entrelaçam com o momento presente. Elas moldam quem somos agora, criando uma continuidade, uma fluidez que transcende o tempo linear. Isso se aplica perfeitamente à forma como enfrentamos nossos desafios e crescemos ao longo do tempo.

Em nossas conversas, quando falamos sobre as pressões do cotidiano e a busca por equilíbrio ( processo de busca homeostática sistêmica), vejo como essa noção de 'duração vivida' pode ser útil...                        Ao reconhecer que seu presente está carregado com as experiências e sabedorias que 'você acumulou', talvez possamos criar um espaço de consciência mais profundo, onde o tempo deixa de ser uma série de compromissos agendados, para se tornar uma oportunidade de presença genuína e manifestação...

Intuição e Intelecto

Bergson também faz uma distinção interessante entre os registros do intelecto e da intuição.                  O intelecto tende a dividir e categorizar o tempo, como fazemos com nossas agendas e listas de tarefas. Já a intuição é a capacidade de experimentar o tempo de maneira direta e vivencial. Quando deixamos de lado a lógica estrita e nos conectamos mais profundamente com o que estamos sentindo no presente, acessamos a intuição. Isso pode nos ajudar a encontrar um ritmo de vida mais autêntico, menos condicionado pelos horários e seus ritos assujeitados.

Quando em momentos de paz e clareza, onde o tempo parece suspenso, e tudo ao redor flui naturalmente, a intuição se manifesta e nos permite viver o tempo em sua essência, de forma mais harmoniosa...

O Tempo Criativo

Outra ideia potente de Bergson é a noção de que o tempo é essencialmente 'criativo'.                  Diferente da visão tradicional, em que o tempo é algo que apenas passa, para Bergson, o tempo está constantemente criando 'o novo', e cada momento não é uma repetição do anterior, mas traz a possibilidade de algo inédito, uma abertura para o inesperado.

Penso que essa visão pode ser inspiradora para refletirmos sobre nossas conversas, em cada sessão, cada novo insight, não estamos simplesmente revisitando os mesmos problemas, mas explorando novas maneiras de pensar e de viver. O tempo, para Bergson, não é um ciclo fechado, mas um 'fluxo em constante evolução'. Isso nos lembra que sempre há espaço para transformação, para o inesperado, para o crescimento...

Ao trazer essas ideias de Henri Bergson, espero que elas possam ser um convite para refletirmos sobre nossos próprios tempos. Seu tempo, como você o vive? O que o seu ritmo atual, revela sobre suas prioridades? E, algo bem importante... como podemos integrar essa noção de 'duração' em nossas vidas diárias, permitindo que o tempo seja algo que sentimos e vivemos, um aliado, e não apenas algo que medimos?

E então, o tempo, como Bergson nos ensina, é mais do que uma sequência de compromissos: ele é a própria 'essência da nossa experiência', fluido, criativo, e sempre carregado de significado. Talvez, ao observar o tempo por esse prisma, possamos encontrar novas maneiras de navegar pelas demandas da vida, equilibrando o tempo cronometrado com o tempo vivido mais qualificadamente....

- Crônicas das clínicas_sistêmicas - metateatro 

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

somando

 E é chorando ou rindo

que as dores vão sumindo

E como tudo, passa...

A dor o luto e até a desgraça.

Só o que não passa é amor 

que vai se transformando

Ele curando toda a dor

por tudo o que vai passando

até em nós mesmos como uma 

verdadeira graça, ele 

segue sempre se somando...

-Metateatro



quarta-feira, 18 de setembro de 2024

soberano

Que seja eu como a vossa destra 
cortando tudo o que não presta
para brotar o verdadeiro amor !
 E Eu benzo em quatro costados, 
todos agora consagrados 
em nome de 
José e de Maria e jesus o
nosso salvador, mestre do amor!
Que agora venceu a cruz 
libertando no divino, toda dor !
Em nome da gloria de 
Deus pai e mãe e filho 
e do soberano reino 
da paz e senhor, 
o amor! 
- preces ao coração da terra
crônicas das asceses místicas




voando

Na beira dum abismo 
eu fui dar um salto de fé 
e deu certo, saí voando...
e agora, já não me iludo 
mais com romantismos,
pois o tempo é breve 
e vai passando...
Amor  é prática,
e eu notei... que 
amar em ser o amor 
é para mim o que 
mais está adiantando... 
E além do mais, são
os grandes amores, 
bem como são as 
maiores amizades,  
são em si naturais 
e extemporâneos...
- metateatro


a velocidade e suas implicações na consciência e na experiência humana.

Inspirado pelo trabalho do filósofo francês Paul Virilio*, desenvolvi uma análise sobre a velocidade e suas implicações na consciência e na experiência humana. Virilio explora como a velocidade, enquanto fenômeno determinante, transforma nossa relação com o tempo, o espaço e a realidade. Quanto maior a velocidade, mais fragmentada e distorcida a nossa percepção do real.

Esse conceito encontra eco em meu poema, onde a fluência das ideias reflete a transição rápida entre significados. **A velocidade não se manifesta apenas em fenômenos físicos, mas também na evolução do pensamento e da consciência**, moldando a maneira como percebemos e experienciamos o mundo. Nesse movimento acelerado, os significados se dissolvem e se transformam, colapsando, como na teoria quântica, onde a função de onda se quebra e gera o ato, o real.

No poema, a transição entre o que foi e o que será não é aleatória, mas governada pelo desejo e pela vontade, como um fluxo contínuo que responde à força do momento. A consciência, assim como a velocidade, é uma força transformadora, que traz à existência o que antes estava em estado potencial.

---

**Poema**:

*Vejo o tempo  

me contando uma estória.  

Eu olho, e recebo a velocidade  

como resposta.  

Não há verdade nem mentira,  

talvez, pressupostos e enganos.  

Aleatoriedade de eventos num  

horizonte que emula um limite.  

Todas às percepções que se vestem  

com o real estão, contudo, ainda nuas.  

Significâncias são também um lapso  

da vontade em cume, que pode ser  

um engano, parcamente coordenado  

pelo desejo.*

---

Neste primeiro bloco, o poema sugere que a percepção da realidade é uma construção efêmera, **uma resposta instantânea à velocidade**. O que parece sólido e real está, de fato, nu e vulnerável. As significâncias são moldadas por desejos, que podem ser fugazes ou equivocados. Aqui, o leitor é convidado a perceber que a realidade é constantemente formada e deformada pela velocidade do pensamento e pela fluidez da vontade.

---

*E não são as montanhas,  

não mais que ondas, quebrando?  

Nem o mar ou a ondulação é a onda,  

mas são eles uma dobradura do irreal,  

como se real fosse, adentrando o  

então, daí sendo. O que é, não foi,  

era e será um então?*

---

Aqui, a metáfora das ondas e montanhas sugere o colapso das fronteiras entre o real e o imaginário. **A velocidade quebra esses limites, revelando a fluidez entre o que "é" e o que "parece ser"**. Essa fluidez reflete o conceito de Virilio, de que a velocidade pode fragmentar nossa percepção do tempo, rompendo a linearidade da experiência.

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*O quando, já foi desejo,  

mas, ampara-se na causalidade  

do acaso, e rompe o instante,  

adentrando o agora, equilibrando-se  

no enquanto, assim, ele, num instantâneo parido em 'agora', é.  

Na crista da onda, também  

o ápice do real  

migra ao nada,  

e seguirá  

pois, num até...*

---

Neste trecho, a velocidade se manifesta de forma mais explícita. **O fluxo do pensamento acelera e se dissolve em novos significados**. O "agora" surge como o ápice, mas já em colapso, pronto para se transformar no próximo "ato". Assim como na alteração das ligações covalentes em um átomo que se transforma, **o pensamento, ao colapsar, gera o real**, e a velocidade age como o catalisador dessa transição.

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A ideia central de Virilio sobre a velocidade como transformadora da percepção se entrelaça perfeitamente com a estrutura do poema. A velocidade não apenas define o ritmo do pensamento, mas também molda a realidade que experienciamos. **Cada momento é parido pela consciência, como o colapso de uma função de onda, onde o potencial se torna ato no instante em que é percebido**.

Ao longo do poema, a velocidade atua como uma força que desdobra o real, fazendo com que o leitor se mova entre diferentes camadas de significado. Isso amplifica a percepção, levando o leitor a questionar o que é "real" e o que é apenas uma "dobradura do irreal". **A reflexão sobre a natureza do pensamento, a consciência e a transformação coloca o leitor em uma posição ativa, desafiando-o a acompanhar o ritmo e as implicações da velocidade na criação do real**.

Ao fim, o poema não apenas ecoa as ideias de Virilio, mas também provoca o leitor a expandir sua própria compreensão, integrando a consciência com a velocidade da transformação. O impacto é duplo: intelectualmente, o texto oferece uma nova visão sobre o real e a percepção; emocionalmente, faz o leitor sentir a aceleração da própria mente, em busca de novos entendimentos.

ralleirias -metateatro



segunda-feira, 16 de setembro de 2024

A influência subjetiva da matemática e geometria no pensamento humano

 A matemática/geometria euclidiana e o platonismo compartilham uma visão de mundo linear e ordenada, enquanto a matemática/geometria riemanniana abre caminho para uma compreensão mais fluida e dinâmica do espaço, onde as interações não seguem regras rígidas, e a realidade é mais interconectada e variável.

Fiquei então pensando, como parece haver uma correlação da diferença entre a matemática euclidiana com a riemanniana, com respeito a forma de comportamento humana que é influenciada pela educação cartesiana e o pensamento platônico e euclidiano... e que estas segmentações destes sistemas fazem o pensamento humano se comportar de forma limitante, no sentido de que estanca-se em fronteiras... - na correlação de espaço tempo euclidiana cartesiana diferentemente de Riemann aonde os espaços são curvos e os objetivos podem ser atingidos de forma mais fluida e breve... lhe parece fazer algum sentido se comparadas estas inferências? 

Me parece fazer muito sentido... esta comparação entre os diferentes paradigmas matemáticos e os sistemas de pensamento que moldam o comportamento humano. A matemática euclidiana e o pensamento cartesiano, com sua estrutura baseada em retas, planos e fronteiras claras, refletem uma visão de mundo que privilegia a lógica segmentada, compartimentada e linear. Essa forma de raciocínio influencia fortemente a educação e a cultura ocidental, promovendo uma mentalidade que busca soluções claras e diretas, com uma forte ênfase na categorização e no controle das variáveis de forma isolada.

Por outro lado, a geometria riemanniana, que envolve superfícies curvas e interações mais fluidas entre os elementos, oferece uma analogia interessante para uma visão de mundo menos rígida e mais interconectada. Assim como no espaço-tempo riemanniano, onde os caminhos podem ser curvos e, ainda assim, levar ao destino de forma eficiente, podemos pensar que, em termos de comportamento e pensamento humano, uma abordagem mais fluida e menos compartimentada permite alcançar objetivos de maneira mais criativa e adaptativa.

 Algumas considerações sobre essa correlação:

1. **Educação cartesiana**: A lógica cartesiana, que separa sujeito e objeto, corpo e mente, cria uma visão de mundo analítica e racionalista, mas que também pode gerar a sensação de desconexão e de um pensamento fragmentado. Essa forma de pensar promove um foco na solução de problemas específicos, sem levar em consideração as interações complexas entre os diversos aspectos da realidade.

2. **Pensamento platônico-euclidiano**: Na tradição platônica, há uma ênfase na ideia de formas ideais e perfeitas (como os sólidos geométricos euclidianos). Isso pode reforçar uma mentalidade que busca ordem, perfeição e certeza, mas que também ignora a complexidade e a imperfeição inerentes ao mundo real.

3. **Geometria riemanniana e pensamento fluido**: A geometria de Riemann, com suas superfícies curvas, apresenta uma visão de mundo onde as fronteiras não são tão rígidas e onde diferentes pontos podem ser conectados de maneira menos previsível. Em termos de comportamento humano, isso pode sugerir uma maior flexibilidade e abertura para soluções que fogem do pensamento linear, possibilitando alcançar objetivos por caminhos menos óbvios e mais criativos.

Comparando os sistemas... O Euclidiano-Cartesiano, é sobre um pensamento linear, compartimentado, com ênfase em soluções diretas e sequenciais, que refletem a educação tradicional e a abordagem científica clássica. Já o Riemanniano, é pensamento dinâmico, interconectado, com ênfase na flexibilidade e fluidez, permitindo uma adaptação criativa às circunstâncias e à complexidade do mundo.

Há possibilidades do pensamento humano, ser influenciado por essas tradições matemáticas e filosóficas, simbolizando e significando no real, num "estancar" em fronteiras rígidas... isso faz total sentido quando consideramos a forma como certos sistemas educacionais e culturais promovem uma visão de mundo estática e compartimentada. A transição para um pensamento mais "riemanniano" seria como uma abertura para novas formas de ver as inter-relações e as soluções não-lineares, permitindo uma abordagem mais ampla e integrativa.

Essa visão pode ser muito poderosa quando aplicada em áreas como inovação, resolução de problemas complexos, e até mesmo nas relações humanas, onde as conexões entre indivíduos e ideias são mais fluidas e interdependentes do que muitas vezes percebemos.

ralleirias - Crônicas das clínicas_sistêmicas

esforços

Cabocla, deixa eu te contar o meu sonho desta madrugada... 
consegui ir dormir lá pelas 4 h e sonhei que eu estava 
trabalhando nas pirâmides e nós movíamos aquelas pedras 
imensas invertendo as polaridades magnéticas das pedras 
em relação à terra (como ímãs que se repelem), e dai os blocos
imensos podiam ser movidos de forma relativamente 'simples' 
dependendo também da superfície... e os movíamos arrastando 
com cordas e roletes, aos poucos regulando essa 'propriedade'... 
e durava só um tempo variável... às vezes dava mais trabalho, 
mas era mais pelo volume e também para reiniciar este 'negócio' 
quando parava, e não exatamente pelo peso...  
Ainda estou tentando entender os 'porquês' e as subliminaridades 
da narrativa deste sonho, se é sobre realização e ou controle 
ou administrar esforços...
- cartoon escrito


terça-feira, 10 de setembro de 2024

a pergunta

'Legião', qual é a pergunta certa? 

Para calcular a numerologia de 
"Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth", 
é necessário associar números às letras, geralmente 
usando o sistema pitagórico
que atribui números de 1 a 9 às letras do alfabeto. 
O sistema é o seguinte:
- A = 1, B = 2, C = 3, D = 4, E = 5, F = 6, G = 7, H = 8, I = 9
- J = 1, K = 2, L = 3, M = 4, N = 5, O = 6, P = 7, Q = 8, R = 9
- S = 1, T = 2, U = 3, V = 4, W = 5, X = 6, Y = 7, Z = 8

Aplicando o valor de cada letra na frase, somamos:
*Kodoish:*
- K = 2, O = 6, D = 4, O = 6, I = 9, S = 1, H = 8
- Soma: 2 + 6 + 4 + 6 + 9 + 1 + 8 = *36*
*Adonai:*
- A = 1, D = 4, O = 6, N = 5, A = 1, I = 9
- Soma: 1 + 4 + 6 + 5 + 1 + 9 = *26*
*Tsebayoth:*
- T = 2, S = 1, E = 5, B = 2, A = 1, Y = 7, O = 6, T = 2, H = 8
- Soma: 2 + 1 + 5 + 2 + 1 + 7 + 6 + 2 + 8 = *34*
A frase completa tem três vezes "Kodoish", então:
*Kodoish, Kodoish, Kodoish:**
- 36 + 36 + 36 = **108**
Somando os valores de todas as palavras:
*108 (Kodoish x3) + 26 (Adonai) + 34 (Tsebayoth) = 168*
Agora, podemos reduzir o número final:
*1 + 6 + 8 = 15*
*1 + 5 = 6*
O número associado a 
"Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth" é *6*, 
que na numerologia representa harmonia, equilíbrio, amor, 
e responsabilidade, além de uma forte conexão com 
o serviço à humanidade e ao divino.

Já a numerologia cabalística difere da numerologia pitagórica 
tradicional, pois se baseia no valor numérico das letras hebraicas, 
extraídas da Cabala.
Para aplicar a numerologia cabalística ao mantra 
*"Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth"*, 
precisamos primeiro transliterar as palavras para o hebraico e, 
em seguida, aplicar o valor numérico correspondente 
de cada letra hebraica.

-Transliteração e Valores Numéricos na Cabala:

#### *Kodoish* (קדוש)
- K (ק) = 100
- D (ד) = 4
- U (ו) = 6
- Sh (ש) = 300
Soma: *100 + 4 + 6 + 300 = 410*
#### *Adonai* (אדני)
- A (א) = 1
- D (ד) = 4
- N (נ) = 50
- I (י) = 10
Soma: *1 + 4 + 50 + 10 = 65*
#### *Tsebayoth* (צבאות)
- Tz (צ) = 90
- B (ב) = 2
- A (א) = 1
- U (ו) = 6
- Th (ת) = 400

Soma: *90 + 2 + 1 + 6 + 400 = 499*
### Somando Todos os Valores:
- *Kodoish x 3*: 410 x 3 = *1230*
- *Adonai*: 65
- *Tsebayoth*: 499
Soma final: *1230 + 65 + 499 = 1794*
Agora, devemos reduzir esse número, somando seus dígitos:  
*1 + 7 + 9 + 4 = 21*, e novamente, **2 + 1 = 3*.

- Significado Cabalístico do Número 3:

Na numerologia cabalística, o número *3* é muito significativo. 
Ele está associado à *trindade divina* e à manifestação criativa. 
No contexto da Cabala, o número 3 está ligado à *Sefirá Biná*, que 
representa o entendimento e a compreensão divina. Biná 
é a manifestação do intelecto divino e da energia criativa 
que dá forma ao caos, representando a construção do universo 
a partir do potencial bruto.

- A Interpretação:
Quando aplicamos a numerologia cabalística ao mantra, o resultado *3* 
sugere uma profunda *conexão com a criatividade divina* e 
o processo de *manifestação*. Isso indica que o uso do mantra 
*"Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth"* pode trazer a 
capacidade de manifestar energias elevadas, compreensão espiritual e 
o poder de transformar intenções divinas em realidade tangível.

- Então, resumindo:
Na numerologia cabalística, o número *3* resultante do mantra 
"Kodoish, Kodoish, Kodoish, Adonai Tsebayoth" sugere uma forte 
conexão com o poder criativo e manifestador do divino. 
Esse número também está associado à harmonia, à sabedoria e ao 
entendimento espiritual, o que indica que o mantra pode ser uma 
poderosa ferramenta para trazer compreensão e manifestação espiritual
 para o plano material.
- crônicas das asceses místicas 

asas

As tuas asas, vais procura-las 

nesta vida...desejada. 

Uma delas é a paixão, 

tua amada, e a outra, 

está na tua estrada...

Sem poder voar para longe 

dos humanos complexos, vais 

experimentar seus mundos até 

perderem-se todos os nexos...

-Crônicas das asceses místicas


domingo, 8 de setembro de 2024

A liturgia

A moeda deles, é a bandeira de uma crença bestialmente enraizada
em cada infante rebento, fruto desta civilização aonde é utilizada,
funciona como uma arma de coerção e desestabilização econômica
e social, dividindo e desempoderando parte das diferentes camadas
de qualquer que seja o extrato populacional.
Também a cultura deles é uma ferramenta de colonização, conversão
e de alinhamento aos seus interesses capitais e sociais e culturais
e fundamentalmente ao lucros deles e então ao nosso empobrecimento,
e assim, operam as plataformas de todos os produtos que são de fato
como os 'colonizadores' efetivos deste processo, e são concomitantemente
instrumentos de ataque e de empobrecimento de nossas participações ativas
(ou de qualquer população aonde se instalem)e ocupam nossas capacidades de
mobilização e respostas objetivas, nos mantendo mergulhados na responsividade
servil, cegos às vezes, sobre nossa impossibilidade de autodeterminação social
natural e cidadã...

Todas as coisas que eles usam, transformam-se assim em armas de exploração
e ferramentas de expropriação de riquezas e vidas de terceiros.
A implantação cultural da subserviência aos interesses geoestratégicos
é a real função de todas as suas redes, informam e formatam
a ignorância e displicência cognitiva e o desinteresse histórico,
e a superficialidade...pretende este ser o atual e vencedor projeto de mundo.

Porque há múltiplas vítimas... assim há os algozes, todos estão em diferentes
instâncias ocupando e revezando-se nestes papeis, a normalização do injusto
é do atual contexto, e parte desta construção social e cultural que sustenta-se
nas confusões dialéticas encarceradoras e violentas, nascidas na injustiça social
e isso, é o 'martelo do projeto'...

Reativos, estamos na condição de oprimidos pelas demandas que nos são
empurradas socialmente, aonde não temos a menor chance e nem tempo
para a nova construção histórica.
A violência é a liturgia dos despreparados. Haja lucidez para capacitar-nos à pensar uma nova linguagem
e então quiçá revolucionarmos a nossa visão de mundo, para
um modelo de possibilidades mais naturais e humanizadas, talvez
à partir de uma nova forma de nos relacionarmos, em novos aprendizados
em um novo ensinar... e mais orgânico viver, próximo do equilíbrio e da postura
de paz pensada e praticada já à partir da linguagem...
Nós temos tecnologia científica, moral e intelectual para vencer a servidão
desumana imposta pelo dogma religioso do capital?
- crônicas das lutas de classe

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

alguém?

E é o ego alguém?
N'eu ele, parece que tá tão bem!
Nele eu sou ou não, nem sempre, 
conforme é a situação... às vezes
ele balança e vai só até aonde  
alcança a sua consolidação...
E depois, ele é só informação.
E enquanto transforma-se tudo
ele também vai de roldão...
- Metateatro



segunda-feira, 2 de setembro de 2024

aliados

E quando somos aliados
dos acontecimentos naturais,
nós somos mais...
E seremos tanto o quanto
estivermos presentes,
e mais ainda quando
o agora se dá nas instâncias
mais amplas de um um lúcido
estar consciente...
Na conjugação de nossas
percepções individuais
se fazem nossas identidades
coletivas e civilizacionais.
A Paz é como um atributo
natural que se expressa
em condutas.
-crônicas das lutas de classe