segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Os Doze Elos da Originação Dependente

Guia de Autoconsciência e Ferramenta Terapêutica

Para uma Abordagem Terapêutica Integrativa 
Como terapeuta (Gestalt-terapeuta, esquizoanalista, analista sistêmico e psicoterapeuta e hipnoterapeuta), vejo os Doze Elos como um mapa de processos inconscientes e padrões de sofrimento, mas também como um caminho de descondicionamento e individuação sistêmica. 
 Na minha prática clínica, procuro trabalhar esta técnica coadjuvante ao tratamento e ou desenvolvimento das análises, identificando em qual elo o analisando/ cliente está "retido" e ajudá-lo a dissolver fixações, ressignificar narrativas e reintegrar-se ao fluxo natural da existência, a gestalt e o devir da grande saúde.

A aplicação de estudos na Clínica por Elo (Foco Terapêutico): 


Ignorância (Avidyā) → Desidentificação com certezas absolutas
Trabalho terapêutico:  Questionar crenças nucleares ("Quem seria você sem essa história?").
Introduzir noções de impermanência e interdependência (Gestalt + abordagem sistêmica).
Técnicas:  Experimentos de awareness ("O que você está evitando sentir agora?").
Esquizoanálise: Desterritorializar identidades rígidas.

Marcas Mentais (Saṃskāra) → Reconhecimento de padrões kármicos
Trabalho terapêutico:  Mapear reações automáticas (ex.: autossabotagem, projeções).
Identificar "scripts" familiares e culturais (análise sistêmica).
Técnicas:  Cadeira vazia (Gestalt): Dialogar com o hábito. Registros corporais: Onde o padrão se manifesta no corpo?

Embrião de Identidade (Vijñāna) → Fluidificação do "Eu" Trabalho terapêutico: Explorar máscaras ("Quem você acha que precisa ser?").   
Introduzir o conceito de não-self (sem dogmatismo).
Técnicas:  Meditação do espelho: "Quem está olhando?"
Constelações sistêmicas: Mostrar interdependência.

Aspirações (Nāmarūpa) → Desejos como portas de acesso
Trabalho terapêutico: Diferenciar desejos saudáveis (criatividade, conexão) de compulsões (vazios existenciais). Técnicas: Análise do campo (Gestalt): Como o desejo se relaciona com o todo?
Cartografia esquizoanalítica: Rastrear linhas de desejo.

Corpo (Ṣaḍāyatana) → Terapia Somática
Trabalho terapêutico: Reintegrar sensações negligenciadas (traumas congelados).
Técnicas: Respiração consciente, toque terapêutico (se adequado).

Contato (Sparśa) → Presença no Aqui-Agora
Trabalho terapêutico: Treinar discernimento sensorial ("Isso é percepção ou interpretação?").
Técnicas: Mindfulness dos sentidos (Gestalt).

Gostar/Não Gostar (Vedanā) → Neutralidade Observadora
Trabalho terapêutico:Dissolver julgamentos binários ("bom/mau").
Técnicas: Diário de polaridades (registrar reações e investigar suas raízes).

Apego e Desejo (Tṛṣṇā) → Economia Libidinal Saudável
Trabalho terapêutico: Transformar posse em fluxo (desejar sem se aprisionar).
Técnicas: Exercícios de desapego simbólico (ex.: soltar objetos emocionais).

Sucessos Parciais (Upādāna) → Desinvestimento de Ego
Trabalho terapêutico: Celebrar sem fixação ("Isso também vai mudar").
Técnicas: Narrativas de impermanência (contar a história do problema em 10 anos).

Noção de Nascimento (Bhava) → Renascimento Contínuo
Trabalho terapêutico: Ressignificar ciclos (ex.: "Esta 'crise' é um novo começo").
Técnicas:  Rituais de passagem terapêuticos (ex.: escrever e queimar uma identidade antiga).

Ação no Mundo (Jāti) → Karma Yoga  
Trabalho terapêutico: Agir sem expectativa de controle ("fazer sua parte e soltar").
Técnicas: Atos deliberados de desprendimento (ex.: ajudar anonimamente).

Morte (Jarāmaraṇa) → Impermanência como Mestra
Trabalho terapêutico: Abraçar finitudes (relacionamentos, fases da vida).
Técnicas: Visualização da morte como conselheira ("O que realmente importa?").

Os Doze Elos da Originação Dependente -  conforme apresentados pelo Lama Padma Samten, representante da tradição original, traduzem suas nuances em reflexões práticas para o cotidiano.     
 Este ensinamento descreve um ciclo (samsara) que se perpetua pela ignorância primordial, mas também oferece chaves para a liberação quando compreendido em profundidade.

Análise dos Elos e Aplicação Prática


Ignorância (Avidyā)
Base do ciclo: A não percepção da natureza impermanente e interdependente da realidade.
Prática: Observar como nossas certezas absolutas ("eu sou assim", "o mundo é assim") surgem de desconhecimento. Questionar: "O que estou ignorando nesta situação?"

Marcas Mentais (Saṃskāra)
Padrões condicionados: A ignorância gera hábitos mentais (karmas) que moldam percepções.
Prática: Identificar reações automáticas (ex.: ansiedade diante de incerteza). Respirar antes de agir, criando espaço para novas respostas.

Embrião de Identidade (Vijñāna)
Consciência dualista: Fixação em um "eu" separado do mundo.
Prática: Notar como nos definimos por rótulos ("profissional", "mãe", "fracassado"). Experimentar sentir-se como um processo, não uma entidade estática.

Aspirações (Nāmarūpa)
Nome e forma: A identidade gera desejos orientados à autoafirmação. Prática: Observar se metas surgem de carência ("preciso provar meu valor") ou de sabedoria ("ajudar sem expectativa").

Corpo (Ṣaḍāyatana)
Seis sentidos: A materialização das aspirações em experiências sensoriais. Prática: Usar o corpo como meditação: comer com atenção, ouvir sem julgar, tocar com presença. 

Contato (Sparśa) 
Encontro com o mundo: O corpo media prazer/dor. Prática: Ao sentir atração/aversão ("que trânsito irritante!"), perguntar: "Isto é realmente 'bom' ou 'ruim', ou é minha mente categorizando?"

Gostar/Não Gostar (Vedanā)
Valoração: Reforço de preferências.Prática: Permitir sensações desagradáveis (ex.: tédio) sem reagir. Isso enfraquece o ciclo. 

Apego e Desejo (Tṛṣṇā)  Fome de mais: Busca de repetir prazeres ou evitar dores.
Prática: Quando desejar algo (comida, reconhecimento), observar a vacuidade do objeto: ele realmente trará satisfação duradoura?

Sucessos Parciais (Upādāna)
Posse ilusória: Apegar-se a conquistas efêmeras como se fossem "eu". Prática: Celebrar vitórias sem esquecer: "Isso também passará".

Noção de Nascimento (Bhava)
Renovação do ciclo: Ações movidas por apego recriam condições para novos sofrimentos. Prática: Antes de decisões, verificar: "Isso vem de sabedoria ou de medo/desejo?"

Ação no Mundo (Jāti)
Manifestação kármica: Nascemos em situações que refletem padrões internos. Prática: Enxergar desafios como espelhos: "O que esta dificuldade me revela sobre mim?"

Morte (Jarāmaraṇa)
Fim do ciclo... para recomeçar: Tudo que nasce do ego morre. Prática: Lembrar-se da morte para viver com urgência amorosa, não com desespero.

Chave para a Liberação
Romper um elo (especialmente a ignorância ou o apego) desfaz todo o ciclo. 
Sugestão:  Meditação da Interdependência: Visualizar como cada ação afeta a rede da vida.  
Algumas perguntas que podem ser Revolucionárias:
"Quem está sofrendo?" (Investigar a solidez do "eu") /  "Este desejo é necessidade ou hábito?"

Exemplo Cotidiano Situação: Briga no trabalho.   Ignorância: "Ele é arrogante" (fixação em identidades).
Marcas: Reajo com raiva (padrão antigo). Consciência: Percebo que a raiva surge em mim, não está "nele".
Liberação: Respiração, espaço. Ação surge da clareza, não do hábito.

Essa abordagem transforma o ensinamento teórico em um mapa vivo, mapa não é território, devemos viver internamente e externamente o processo em campo, no carma até o dharma ou liberação.

Breve guia de Autoconsciência e Práticas Cotidianas - Como Assimilar os Doze Elos no Dia a Dia

Um registro qualificado, pode aguçar o alcance das percepções, uma boa ideia é criar um diário dos 'Elos' que poderá ser usado até aguçar a percepção da consciência no agora. podemos registrar quais elos ativaram meu sofrimento?  Posso dissolvê-lo com gentileza?
Micro-Rituais de Liberação são possíveis, ao sentir apego: Respirar e soltar (fisicamente). Ao julgar: Perguntar: "Isso é como verdade absoluta?" Ajudará na prática da Interdependência se você conseguir visualizar como isso rola nas suas ações cotidianas... (ex.: comer, trabalhar) se elas afetam e de que forma, a rede da sua vida. tente meditar percorrendo os dose Elos : Tente expandir e variar locais de observação, deitado ou sentado, caminhando, revise mentalmente cada um dos seus passos em cada um dos 12 elos, identificando onde há contração, veja o que necessita soltar, perceba que o que você está observando pode não ser sobre você.


Cura como um Caminho Sagrado - Viéses Positivos e Individuação Sistêmica

No auto cuidado preconiza-se, que se deve seguir caminho natural e respeitar o tempo orgânico de cada processo (e o não forçar insights está neste campo), procurar ser 'saudável' (no atual estágio civilizatório isto é um grande desafio) priorizar sua saúde é entender que a autocompaixão é correta e natural, e procurar perceber que quando estiver relaxado e tranquilizado, não necessitará de autoanálise excessiva.
Entender a terapia como arte de despertar,  o Sagrado, e não apenas "consertar", mas reintegrar.

Algumas Perguntas-Chave para o Terapeuta e o Cliente

Este sofrimento está enraizado em qual elo? O que esta dor quer me ensinar sobre interdependência?
*Como posso honrar este processo sem perpetuá-lo?*  tente pensar/ integrar os elos a rituais de passagem  (ex.: seriam como encerramento de ciclos e como cerimônias simbólicas).

Os Doze Elos da Originação Interdependente como Máquinas Desejantes: 

Uma Leitura sob a luz de Deleuze-Guattariana e como Terapêutica...

A Introdução ao  Fluxo, Desejo e Captura -  A síntese entre os Doze Elos e os conceitos de Deleuze & Guattari (máquinas desejantes, processos de subjetivação, territórios existenciais) nos permite enxergar o sofrimento como efeito de captura do desejo por identidades fixas (o "Eu" como ponto de resistência no fluxo).
A terapia, então, torna-se uma esquizoanálise do samsara – uma desmontagem das máquinas kármicas que repetem a produção de sofrimento.

A Gestalt do "Eu" nos Doze Elos

Fluxo, Pulsão e Hierarquias Sistêmicas
Integração entre Budismo, Deleuze-Guattari, Lacan e Psicologia Sistêmica

Este é uma prática como mapa terapêutico-existencial do "Eu" enquanto processo

.Exploramos sua formação, movimentação e dissolução dentro do ciclo dos Doze Elos da Originação Dependente (Pratītyasamutpāda), integrando referências de várias tradições e abordagens.

Investigamos:  De onde vem → o passado condicionado; Onde está → o presente como campo de forças em disputa;  Para onde vai → o futuro enquanto projeção kármica.

Nesse percurso, incorporamos:

  • Os 7 pulsos neuropsicológicos (instintos arquetípicos);

  • Os 3 registros lacanianos (Real, Simbólico, Imaginário);

  • Os Três Animais da Roda da Vida (desejo, aversão, ignorância);

  • Os Seis Reinos de Existência (estágios psíquicos);

  • As funções da Trimurti hindu (Brahma, Vishnu, Shiva);

  • A lógica rizomática de Deleuze-Guattari (fluxo/desejo).


Mapa da Jornada do "Eu"

1. Ignorância (Avidyā)

  • Origem: Vazio primordial não reconhecido — o Real como trauma inaugural.

  • Presente: O "Eu" é uma crosta imaginária sobre o caos.

  • Destino: Solidifica-se como separação: "Eu ≠ Mundo".

  • Pulso: Sobrevivência (medo de dissolver-se).

  • Trimurti: Brahma – criação do "Eu".

  • Reino Psíquico: Deuses (ilusão de eternidade).


2. Marcas Mentais (Saṃskāra)

  • Origem: Memórias não digeridas — traços kármicos.

  • Presente: Automatismos moldando o desejo simbólico.

  • Destino: Repetição de sofrimento.

  • Pulso: Repetição (segurança no conhecido).

  • Reino: Fantasmas (fome insaciável).

  • Lacan: O simbólico estruturando a cadeia significante.


3. Embrião de Identidade (Vijñāna)

  • Origem: Identificações familiares e culturais.

  • Presente: Persona como armadura contra o vazio.

  • Destino: Ego cristalizado.

  • Pulso: Pertencimento (medo da exclusão).

  • Reino: Humanos (consciência, dúvida, ética).

  • Lacan: O Imaginário em sua função de espelho.


4. Aspirações (Nāmarūpa)

  • Origem: A falta — o “objeto a” lacaniano.

  • Presente: A máquina desejante em pleno funcionamento.

  • Destino: Projeção de um eu ideal.

  • Pulso: Aquisição (ganho e perda como afeto).

  • Trimurti: Vishnu (sustentação do desejo).


5. Corpo e Sentidos (Ṣaḍāyatana)

  • Origem: Traumas e registros somáticos.

  • Presente: Campo sensório — prazer, dor, defesa.

  • Destino: Hipersensibilidade ou entorpecimento.

  • Pulso: Proteção (abrir ou fechar).

  • Reino: Animal (instinto e reatividade).


6. Contato (Sparśa)

  • Origem: Memórias afetivas de encontros.

  • Presente: Fronteira de contato (Gestalt: figura/fundo).

  • Destino: Fixação ou fuga.

  • Pulso: Conexão (amor ou rejeição).

  • Lacan: Simbolização do contato via linguagem.


7. Gosto/Desgosto (Vedanā)

  • Origem: Valores introjetados.

  • Presente: Julgamentos binários (prazer/dor).

  • Destino: Ambivalência e polarizações.

  • Pulso: Dominância (controle/submissão).

  • Trimurti: Shiva (dissolução do apego).


8. Desejo e Apego (Tṛṣṇā)

  • Origem: Feridas de abandono.

  • Presente: Compulsão por prazer.

  • Destino: Escravidão afetiva.

  • Pulso: Gozo (excitação/tédio).

  • Reino: Deuses (prazer intoxicante).


9. Sucesso e Identidade (Upādāna)

  • Origem: Busca por validação.

  • Presente: Autoimagem narcisicamente alimentada.

  • Destino: Crise de identidade (medo da queda).

  • Pulso: Status (ascensão/rebaixamento).

  • Lacan: Fantasias de completude.


10. Nascimento Psíquico (Bhava)

  • Origem: Reinvenção do "Eu" em novos ciclos.

  • Presente: Novas personas, novos enredos.

  • Destino: Repetição kármica ou transcendência.

  • Pulso: Sentido (transcendência e responsabilidade).

  • Reino: Humano (potência de escolha).


11. Ação no Mundo (Jāti)

  • Origem: Herança transgeracional (campo sistêmico).

  • Presente: Atos que perpetuam ou rompem ciclos.

  • Destino: Legado ou repetição.

  • Pulso: Criatividade (expressão e repressão).

  • Trimurti: Kali (ação transformadora radical).


12. Morte (Jarāmaraṇa)

  • Origem: Acúmulo de resistências.

  • Presente: Desmontagem da identidade.

  • Destino: Liberação ou reciclagem do ciclo.

  • Pulso: Rendição (entrega ou resistência).

  • Reino: Inferno (agonia da dissolução).

  • Lacan: Furo no Real.


Síntese em Tabela


EloLacanTrimurtiReinoPulso
IgnorânciaRealBrahmaDeusesSobrevivência
Marcas MentaisSimbólicoVishnuFantasmasRepetição
IdentidadeImaginárioShivaHumanosPertencimento
AspiraçõesObjeto aKaliAnimaisAquisição
...............

Técnicas Terapêuticas Integradas

1. Desidentificação pelo Real

Técnica de esvaziamento identitário — olhar para o vazio por trás do "Eu".

Quem ouve essa voz?

2. Resgate dos Pulsos Bloqueados

Ex: medo da morte → ritualização da impermanência (budismo tântrico + gestalt).

3. Cartografia dos Reinos Psíquicos

“Qual reino você habita agora?”
Ferramenta de mapeamento terapêutico arquetípico.

4. Gestalt dos Três Animais

Identificar desejo, aversão e ilusão nos conflitos atuais.

5. Cura Sistêmica pela Trimurti

  • Brahma: criar novas narrativas de si.

  • Vishnu: sustentar fluxos integrativos.

  • Shiva: dissolver padrões obsoletos.


O Jogo Sistêmico da Liberação

O “Eu” é uma construção transitória que: Surge da ignorância,  Se estrutura no desejo, E se desfaz na morte.

A terapia é a arte de dançar com esses elos, navegando com Lacan, para perfurar as fantasias, Deleuze, para liberar os fluxos,  Gestalt, para ancorar no aqui-agora e o Budismo, para lembrar que tudo isso é impermanente.

- Crônicas sistêmicas

O Batuque do Rio Grande do Sul - O Igbára

É crucial entender que o Batuque gaúcho é uma religião afro-brasileira distinta do Candomblé e da Umbanda, com raízes principalmente nas nações Jêje (Ewe-Fon) e Ijexá (Yorubá). 
Surgiu no século XIX em Porto Alegre e arredores, a partir de africanos libertos e seus descendentes. Possui uma estrutura própria, um panteão e ritos únicos, embora dialogue constantemente com outras tradições.

 O Igbára (Ingbará, Ingbára)

O Igbára é uma das entidades mais importantes e singulares do Batuque gaúcho. Sua compreensão requer afastar-se de analogias diretas.

O Igbára é entendido como a força vital primordial, a energia criadora que antecede e fundamenta tudo. 
Não é um Orixá (Odé) no sentido de personalidade antropomorfizada, como Ogum ou Xangô, pois representa  e é uma força impessoal, cósmica, associada ao início, à geração, ao movimento e ao impulso vital. Pode ser comparado, em termos de conceito, ao "Ashé" (Axé) no Candomblé, mas com status de culto próprio.


Na sua representação é frequentemente associado ao fogo, ao sol e ao princípio masculino da criação. 
Em alguns terreiros, é sincretizado com São Miguel Arcanjo, pela sua imagem de força primordial e chefe das hostes celestes, ou com São Jorge, como vencedor de batalhas fundamentais.

Ligação com Exu no Batuque

Aqui está um dos pontos mais delicados e importantes desta pesquisa. 
No Batuque tradicional, Igbára NÃO é Exu.

Distinção Fundamental é dada enquanto o Igbára é a força criadora primordial e impessoal, Exu (ou Èṣù) no Batuque é um Orixá Odé (uma divindade individualizada) muito específico, é o mensageiro, o guardião, o dinamizador. Ele é cultuado, respeitado e tem seu lugar.

A associação direta entre Igbára e Exu é um equívoco comum, fruto principalmente da influência da Umbanda e do Candomblé (especialmente de nações como a Ketu) sobre o Batuque, a partir da segunda metade do século XX. São uma influência externa:  Na Umbanda, a linha das "Almas" ou dos "Exus" trabalha com forças mais próximas do plano material. No Candomblé Ketu, Exu é o princípio da comunicação e movimento, também visto como uma força primordial em alguns contextos filosóficos (o ẹlẹ̀dá).
Essa visão externa começou a ser sobreposta à concepção original do Batuque, levando alguns terreiros (especialmente os mais "abertos" ou sincréticos) a fundir ou confundir os cultos. Portanto, em terreiros mais tradicionais ("de raiz" ou "de nação"), a diferença é rigorosamente mantida.

 Ligação com Outras Entidades: Candomblé e Linha de Caboclos

No Candomblé como dito, a ligação mais próxima é conceitual, com a ideia de Axé (Ashé). Não há um correspondente exato no panteão dos Orixás. A associação com Exu no Candomblé é um paralelo recente e, muitas vezes, rejeitado por estudiosos e sacerdotes do Batuque tradicional.

Na Umbanda e Linha de Caboclos: Na Umbanda, não há uma incorporação ou uma "linha" do Igbára. Sua natureza impessoal não se encaixa no modelo de guias espiritualizados (Caboclos, Pretos-Velhos, etc.). No entanto, algumas casas de Batuque que também praticam Umbanda podem, em seus rituais umbandistas, interpretar a força do Igbára de forma adaptada, mas isso não é padrão. Os Caboclos no Batuque gaúcho são entendidos como espíritos da natureza (indígenas/ forças de imanência locais), que podem ser "ajudantes" ou "cavalos" dos Orixás, mas não têm ligação direta com o culto ao Igbára, que é mais essencial e anterior.

Dia de Culto e Demais Dados

Dia da Semana: O dia principal de culto ao Igbára é a segunda-feira. Isso reforça sua associação com o início, o começo da semana, o impulso para o movimento. As suas cores principais são o vermelho e o branco (às vezes o preto é incluído, especialmente naquelas casas que o associam a Exu). Em casas tradicionais, predomina o vermelho e branco, e as suas oferendas são simples e poderosas. O principal é o "azeite-de-dendê" (óleo de palma), que simboliza o fogo e a vitalidade. Também se oferece um  "padê" (feito com dendê, camarão seco e outros ingredientes), cachaça (ogo), fumo e velas. O seu assentamento (igbá ou assento sagrado) costuma ficar em um lugar de destaque, muitas vezes perto da porta principal ou em um altar específico, antes do espaço dos outros Orixás, simbolizando sua primazia e a sua saudação mais comum é "Atôtô!" ou "Atôtô Igbára!".


Características Rituais: É o primeiro a ser louvado e "alimentado" em qualquer cerimônia importante, pois é dele que vem o Axé (força vital) que sustentará todo o ritual. É comum acender-se uma vela ou lamparina de dendê para Igbára no início dos trabalhos. O Igbára é uma força criadora primordial no Batuque, distinta dos Orixás personalizados. Não é Exu, embora a influência de outras tradições afro-brasileiras tenha criado essa sincretização em alguns terreiros menos tradicionais. É cultuado às segundas-feiras, com oferendas de dendê, padê e ogo. Sua cor emblemática é o vermelho e branco. É a primeira força a ser invocada, pois dele emana o Axé necessário para o culto. Não possui um correspondente direto nas linhas de Caboclos da Umbanda, sendo uma concepção mais metafísica e fundamental.

Para uma pesquisa mais aprofundada, recomendo consulta aos trabalhos dos antropólogos Vagner Gonçalves da Silva (estudos do Batuque) e Luis Augusto Pinheiro dos Santos, além de buscar a oralidade dos sacerdotes e sacerdotisas mais antigos ( estudos "de nação") do Batuque gaúcho, que guardam as distinções tradicionais. A obra "Batuque: uma religião dos Orixás no Sul do Brasil" (de vários autores) é um excelente ponto de partida para pesquisas.
Axé! Atôtô Igbára! .

- crônicas sistêmicas 

Opaxorô

Me parece o Opaxorô de Oxalufã, instrumento 
de ancoragem de harmonia amor e paz, e
gerador de justiças e esperanças, da continuada
e da que se alcança. E é sempre aonde todo caminho 
será com amor e paz, e isso ele faz e simbolicamente 
e sendo equivale este seu cajado tal qual como uma lança...
Lançada a paz pelo amor, ela é capaz da alcançar 
qualquer distância, acabar com desavenças dores 
e desesperanças... Pois quando caminha sobre a 
existência, pela paz e paciência ele age com elas, 
faz curas e numa ordem mais serena e bela, 
faz suas novas crianças: o saber, a evolução a
justa organização, e o bem estar e a confiança...
esses são os poderes que nos alcançam, 
é aonde nos tocam, elevam, pacificam, evoca 
em nós a evolução certa e o que nos adianta...
- crônicas das asceses místicas. 

pés de barro

São com pés de( no) barro que os Mestres, caminham suavemente sobre a terra, cientes de que devem avançar delicadamente como suas consciências e linguagens em seus caminhos, e assim é próprio evitarem passos muy largos... contemplando também o tempo do próprio desenvolvimento para formarem o decidido existir no agora e só assim abrem-se as portas do real para de fato e ato, observar interagindo, para ser, exercitar o saber que quer ser, fazer, receber e aprender e ensinar, reciclar recriar e acontecer, caminhado em praticar... assim também evita pular sobre qualquer etapa ou coisa que estiver no caminho, assim, pisa devagarinho e cuidadosamente cura o perceber, o interagir, o acomodar, o respeitar-se e o lugar, o 'terreno', pois também só entregando-se em corpo total e pleno, e integrando-se poderá saber o novo saber o grande e o pequeno, e desenvolver-se no desenvolver deste suave caminhar, para seus pés de barro não se esfarelarem (se ferirem), ruindo a santidade (integridade) inteira no mundo aonde está a caminhar.
-crônicas das asceses místicas

viver é caminho

Sendo as linguagens como portas das comunicações, a consciência é seu dínamo, o logos sua fonte, o sentimento seu canal, e as vontades são como os seus caminhos. E o mundano e o sagrado estão entre tudo isso. Assim no desenvolvimento pessoal, social e mediúnico torna-se mais auspicioso para a compreensão e alguma ascenção, do ser e existir, e do desenvolver, dar um trato mais apurado em todas as nossas auto observações comportamentais e principalmente nas dinâmicas de escuta de nossa própria fala e de nossas atitudes em correlação com os nossos discursos e nossas ações de fato no mundo e os demais participantes. Pois o comportamento é modus operandi de linguagens distintas, expressando-se simultaneamente, na corporeidade inclusive, emanando e recebendo interações de percepção e observação do meio, aonde nos habilitaremos à utilizar melhor as nossas marcas mentais de formação cultural e pessoal, assim se possibilitam diferentes modos de adaptações, ocorrem alterações e então se dão algumas evoluções... No âmbito mundano, as linguagens são como 'Anjos', e suas trombetas são as comunicações que vibram nas notas de nossas composições pessoais, nossa prosódia na fala é uma canção sobre as nossas vidas comuns, buscando amor nos nossos mundos, e assim, são nossos desafios existenciais em meio aos demais e aos diferentes com os quais evoluiremos proporcionalmente quanto mais nos interessarmos amorosamente e espontaneamente pelos caminhos que nos unem aos outros e a nós mesmos e todo nosso entorno...
Expressar a vontade de viver é caminho da cura e base da grande saúde.
- crônicas sistêmicas

domingo, 14 de dezembro de 2025

mapa do processo de encarnação da Luz na consciência humana

A DESCIDA DA ENERGIA DIVINA NA ÁRVORE DA VIDA,          A EVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA E O TIKÚN

A Árvore da Vida é apresentada aqui como um mapa do processo de encarnação da Luz na consciência humana. A energia divina (Shefá) emana do Ein Sof, atravessa as sefirot e se densifica até Malkuth, onde a experiência se torna vida concreta.

Cada descida da Luz gera forma, limite, identidade e, consequentemente, karma. O Tikún consiste na retificação dessas experiências, permitindo que a energia volte a circular de forma consciente.


 CONHECIMENTOS De DA’AT  

Da'at é um conceito central de "conhecimento" e "unificação", atuando como um portal ou estado de consciência superior, não é uma sefirá fixa, pois funciona como um estado de consciência integrador, que surge quando Sabedoria (Chokmah) e Entendimento (Binah) se encontram nas oportunidades da vida. Da’at manifesta-se na vida humana como: crises de identidade; despertar da consciência; rupturas de narrativas antigas; chamado à verdade existencial, tomada de postura. Conceito crucial na Cabala judaica como um estado místico onde as dez Sefirot da Árvore da Vida se unem, funcionando como um "espaço vazio" ou "conhecimento" que conecta o intelecto às emoções, sendo um ponto de unificação e revelação da Luz Divina


 AS 44 ENERGIAS OCULTAS DE DA’AT

As 44 energias como forças ocultas de consciência, distribuídas nos interstícios da Árvore da Vida, atuando entre as sefirot; Nos caminhos invisíveis; Nos estados de passagem, crise, iniciação e morte simbólica

Elas não são como “anjos” no sentido clássico, mas qualidades vibratóriascampos de experiência efunções psicoespirituais.


O Eixo I – Ruptura do Eu (1–8)

  1. Ignorância Sagrada – suspensão do saber antigo

  2. Desorientação – perda das referências

  3. Vazio Operante – silêncio fértil

  4. Queda Iniciática – colapso do ego

  5. Medo Primordial – encontro com o desconhecido

  6. Dor Reveladora – sofrimento que produz consciência

  7. Desnudamento Psíquico – queda das defesas

  8. Entrega – aceitação ativa do processo

Eixo II – Polaridade e Integração (9–16)

  1. União dos Opostos

  2. Ambivalência Sustentada

  3. Tensão Criativa

  4. Equilíbrio Dinâmico

  5. Oscilação Consciente

  6. Rigor Compassivo

  7. Misericórdia Estruturante

  8. Centro Invisível

Eixo III – Corpo e Encarnação (17–24)

  1. Corpo como Oráculo

  2. Sintoma Revelador

  3. Desejo Autêntico

  4. Energia Vital Bruta

  5. Prazer Consciente

  6. Limite Corporal

  7. Respiração Iniciática

  8. Enraizamento

Eixo IV – Linguagem e Sentido (25–32)

  1. Silêncio Significante

  2. Palavra Criadora

  3. Escuta Profunda

  4. Nomeação Essencial

  5. Quebra do Discurso

  6. Linguagem Simbólica

  7. Verdade Ética

  8. Testemunho

Eixo V – Responsabilidade e Destino (33–40)

  1. Peso do Saber

  2. Irreversibilidade

  3. Solidão Iniciática

  4. Discernimento Temporal

  5. Chamado Vocacional

  6. Serviço

  7. Humildade Ontológica

  8. Aliança com o Real

Eixo VI – Transcendência Imanente (41–44)

  1. Não-Apego

  2. Passagem Consciente

  3. Presença Testemunhal

  4. Conhecimento Vivo (Da’at)



DA’AT E O OCULTO

Da’at não é uma sefirá formal, mas um estado de consciência integrador, o campo vivo onde o conhecimento se torna experiência encarnada. Funciona no eixo secreto que conecta Kéter ↔ Tiféret, mente ↔ coração, arquétipo ↔ ação. E Da’at representa o conhecimento vivido, não apenas intelectual; O ponto onde sabedoria (Chokmah) e entendimento (Binah) se fundem; O lugar do risco iniciático: quem acessa Da’at sem integração, pode fragmentar-se.


OS SABERES RELACIONADOS

1. Conhecimento como Transformação

Saber é tornar-se aquilo que se conhece, portanto Não há Da’at sem mudança ontológica, todo verdadeiro conhecimento implica perda de identidade anterior ; Da’at exige morte simbólica do ego narrativo


2. O Saber do Vazio

  • Da’at surge no intervalo, no “não-saber”; A consciência precisa suportar o silêncio e perceber que o vazio não é ausência, mas ´r como um campo fértil; o Saber cabalístico é diferente de acúmulo, está nos campos do desnudamento


3. A Energia da Queda

  • A queda não é erro, é a forma de transformação como  método; Todo acesso a Da’at passa por: Confusão, desorganização e portanto de perda de referências e ecoa a quebra dos vasos (Shevirat ha-Kelim), que referem a fragmentação precede a reintegração


4. O Saber do Corpo

  • Da’at não se fixa na mente, extrapola como um corpo é arquivo iniciático, aonde  os sintomas, impulsos, dores e desejos são portais de conhecimento e aonde Conhecer é sentir e  integrar e  agir


5. As Energias da Polaridade

As 44 energias operam sempre em pares opostos: Luz e Sombra; Expansão e Contração, Misericórdia e Rigor aonde não há purificação pela exclusão, mas pela integração dos opostos.


6. O Saber da Linguagem

  • A linguagem cria mundos aonde cada palavra ativa campos sutis e abre portais, o iniciado aprende a falar menos,  'Nomear' melhor e escutar o que não foi dito, e Da’at é também a ética do verbo.


7. Conhecimento e Responsabilidade

  • Quem acessa Da’at não pode fingir ignorância, o saber gera responsabilidade, peso(pesar), solidão relativa, por isso Da’at  lugar de exercer saberes em profundidade.


8. As 44 Energias como Estados de Passagem

Elas atuam em crises existenciais, processos terapêuticos profundos, ritos de passagem, em colapsos de identidade, em chamados vocacionais tardios aonde são ativadas por eventos da vida, não por estudo intelectual.


9. O Saber do Não-Apego 

  • Da’at ensina a não se fixar nem na luz, todo estado é transitório e o apego ao êxtase gera queda mais dura, para o iniciado aprender a passar, deixar, agradecer e soltar.


10. Da’at como Ponte e Ferida

  • Não é ensinada diretamente, pois não é sistematizável e só é reconhecida após ser atravessada


 INTEGRAÇÃO COM A ÁRVORE DA VIDA E ASTROLOGIA INICIÁTICA

Cada grupo de energias, foi correlacionado às sefirot, aos caminhos da Árvore e aos princípios planetários:

  • Kéter–Chokmah–Binah → Urano, Netuno, Plutão

  • Binah → Saturno (karma e tempo)

  • Tiféret → Sol (identidade consciente)

  • Guevurah/Chesed → Marte/Júpiter (ação e sentido)

  • Yesod/Malkuth → Mercúrio/Vênus (encarnação)



 DA’AT E AS CRISES EVOLUTIVAS

A crise de meia-idade, a vocação tardia e a iniciação são compreendidas como ativações progressivas de Da’at.

  • Crise → ruptura da persona

  • Meia-idade → integração dos opostos

  • Vocação tardia → missão

  • Iniciação → função encarnada


 SÍNTESE INICIÁTICA

A Árvore da Vida é como um mapa de orientação existencialDa’at produz as condições para a percepção sobre a verdade, ela exige a viva 'encarnação'.

Crônicas sistêmicas

Fluxo, Pulsão e Hierarquias Sistêmicas - Gestalt do "Eu" nos Doze Elos da originação interdependente

Um exercício de contemplação e integração entre Budismo, Deleuze-Guattari, Lacan, e Psicologia Sistêmica...

Como o "Eu" se forma, se move e se dissolve em cada elo, identificando: De onde vem (passado condicionado),  Onde está (presente como campo de disputa), Para onde vai (futuro como projeção kármica).
Observando integradamente os 7 pulsos neuropsicológicos (instintos primários), os 3 registros de Lacan (Real, Simbólico, Imaginário), os Três Animais da Roda (desejo, aversão, ilusão), e os Seis Reinos (como estágios psíquicos), obtemos uma territorialidade compartilhada aonde nos é possível imaginar um Mapa da Jornada do "Eu" nos Doze Elos da originação interdependente. E como exercer este olhar? A seguir proponho à partir dos doze elos, contemplarmos: 

1. Ignorância (Avidyā)
De onde vem: Vazio primordial não reconhecido (o Real lacaniano).
Onde está: O "Eu" é uma crosta imaginária sobre o caos (medo do informe).
Para onde vai: Solidifica-se como núcleo de separação ("Eu ≠ Mundo").
Pulsos: Sobrevivência (medo da dissolução).
Sistemas: Trimurti → Brahma (criação do "Eu").
Lacan: Real como trauma inicial.

2. Marcas Mentais (Saṃskāra)
De onde vem: Memórias não integradas (karma passado).
Onde está: Rede de hábitos (o Simbólico estruturando o desejo).
Para onde vai: Automatismos que repetem sofrimento.
Pulsos: Repetição (busca de segurança).
Sistemas: Seis Reinos → Reino dos Fantasmas (fome insaciável).

3. Embrião de Identidade (Vijñāna)
De onde vem: História pessoal (família, cultura).
Onde está: Persona ("Eu sou X") como defesa contra o vazio.
Para onde vai: Cristalização em ego rígido.
Pulsos: Pertencimento (medo de exclusão).
Lacan: Imaginário (identificação com imagens).

4. Aspirações (Nāmarūpa)
De onde vem: Falta lacaniana ("objeto a").
Onde está: Desejo como motor (máquina desejante em ação).
Para onde vai: Projeção de um futuro idealizado.
Pulsos: Aquisição (ganho/perda).
Trimurti: Vishnu (sustentação do desejo).

5. Corpo (Ṣaḍāyatana)
De onde vem: História somática (traumas corporais).
Onde está: Campo sensorial (prazer/dor como território).
Para onde vai: Hipersensibilidade ou entorpecimento.
Pulsos: Proteção (defesa/abertura).
Seis Reinos: Reino Animal (reações instintivas).

6. Contato (Sparśa)
De onde vem: Memórias de encontros passados.
Onde está: Fronteira de contato (Gestalt: figura/fundo).
Para onde vai: Fixação (apego) ou evitação.
Pulsos: Conexão (busca de amor/rejeição).
Lacan: Simbolicamente mediado (linguagem do contato).

7. Gostar/Não Gostar (Vedanā)
De onde vem: Valores introjetados (família/sociedade).
Onde está: Julgamento binário (amor/ódio).
Para onde vai: Polarização (crises de ambivalência).
Pulsos: Dominância (controle/submissão).
Trimurti: Shiva (destruição do prazer).

.8 Apego e Desejo (Tṛṣṇā)
De onde vem: Feridas de abandono/privação.
Onde está: Compulsão (ciclo de satisfação frustrada).
Para onde vai: Escravidão ao prazer.
Pulsos: Gozo (excitação/tédio).
Seis Reinos: Reino dos Deuses (prazer viciante).

9. Sucessos Parciais (Upādāna)
De onde vem: Necessidade de validação.
Onde está: Autoimagem ("Eu sou bem-sucedido").
Para onde vai: Medo da queda (crise de identidade).
Pulsos: Status (hierarquia social).
Lacan: Fantasias de completude.

10. Noção de Nascimento (Bhava)
De onde vem: Memórias de renascimentos psíquicos (vidas passadas/metáforas).
Onde está: Reinício kármico (nova persona).
Para onde vai: Novos ciclos de sofrimento.
Pulsos: Transcendência (busca de sentido).
Seis Reinos: Reino Humano (escolha e responsabilidade).

11. Ação no Mundo (Jāti)
De onde vem: Padrões ancestrais (sistêmicos).
Onde está: Karma em movimento (ações e consequências).
Para onde vai: Legado (o que será repetido?).
Pulsos: Criatividade (expressão/repressão).
Trimurti: Kali (transformação radical).

12. Morte (Jarāmaraṇa)
De onde vem: Todas as resistências acumuladas.
Onde está: Desmontagem do "Eu".
Para onde vai: Liberação ou reciclagem.
Pulsos: Rendição (entrega/medo).
Seis Reinos: Reino Infernal (angústia da desintegração).

Síntese dos Paralelos traçados:
EloLacanTrimurtiSeis ReinosPulsos 
Neuropsicológicos
IgnorânciaRealBrahmaDeuses (ilusão)Sobrevivência
Marcas MentaisSimbólicoVishnuFantasmas (fome)Repetição
IdentidadeImaginárioShivaHumanos (dúvida)Pertencimento
AspiraçõesObjeto aKaliAnimais (instinto)Aquisição
MorteFuro no Real-Infernos (medo)Rendição

Na gestalt o agora é o lugar de inauguração de novas perspectivas e potências de desenvolvimentos, qual elo está te convidando a se desprender hoje?

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