quarta-feira, 11 de maio de 2022

Com fé...

 Quem acorda na fé...

Já sabe como é.

Tudo tá certo, 

dê no que der...

E sabe como?

Com fé...


E vai fazendo

um riscado, de 

belo traçado

e de quem sabe 

como é que é...

E sabe como?

Com fé...


Nunca ofende

e também não 

se rende

E sabe como?

Com fé...

- aonde está o blues


em todas as formas

 Existir é um permanente 

confrontar das vontades 

com as normas...

Contemplando 

o respeito pela perfeição 

em todas as formas.

-  crônicas das asceses místicas


Cinza

Miro tua paisagem ... 

me parece tão amarga... 

pesada e cinza... 

Nada há aqui, que lembre 

aquele outrora belo mundo floreado.

Vejo, e assim eu me espelho...

Como nos escombros 

do campo calcinado,

 sei que tudo brota novo e melhor 

do que já foi derrubado...

-  Crônicas das lutas de classe

De onde saiu

 De onde saiu este demônio? 

Alado, intransigente, 

malvado e descontente, 

cospe falso fogo irado

e com pensares inconsequentes...

Mas, vem travestido de anjo 

a nos libertar!

Rapidamente, após autorizado

ele se pôs a nos dizimar...

E a desgraça de mãos dadas 

sorria pra vida e nos dava a sua 

pior risada... fingida e amarelada.

(...) 

ralleirias - crônicas das lutas de classe 2017

Temporalmente

Temporalmente, move.

Num perceber, gera.

Vibra, ocupa, forma,

diferente (ou não)

do que era...

Um livre para tudo, 

precipita ainda o querer...

Como o início, 

exige o fim

é embrião 

do vir à ser.

- meta teatro


no cais...

 O velho capitão encontrou um corpo... 

estava ao sol, no cais... 
O corpo morto.
O velho capitão zarpou do porto... 
sem olhar pra trás... 
pois era seu, o corpo morto... 
e daqui em diante, à porto algum 
retorna mais... 
pelo menos, não mais como antes. 
O velho capitão, agora é o mar... 
como sempre foi... 
antes, durante e doravante... 
mas agora, segue em paz... 
em paz constante
sem olhar pra trás... 
ralleirias- Crônicas das mortes não morridas- fragmento

terça-feira, 26 de abril de 2022

Nua

Contam-nos
os verbos
degradados
sobre os
seres atuais
tão aviltados
que ao que
é o belo
de fato
não o podem
querer,
ou saber
e nem viver
sem os riscos
de nestes atos,
um talvez em si,
morrer...
Pois singelo
é o que é belo
e tão sagrado
o é assim
em apenas ser...
Que em carne
viva
e pele
crua
impõe-se
a beleza
como
nua...
Afrontando
aos feios
tempos
dos árduos
esforços
sem
alentos
e ao
obrigatório
ato de
sofrer...
- Metateatro