quinta-feira, 10 de abril de 2014

O pobre louco...

Acorda alucinado
o pobre louco, 
de suor molhado,
ele murmura rouco...
Lembrando, diz 
o nome dela...

Ele levanta, atrapalhado
com um olhar arregalado
e então vai até a janela...
E lembra novamente,
ele grita o nome dela,
veementemente...

Perguntando 
para o além,
grita também:
Cadê ela !?
Mas... ali, agora,
não há nada 
nem ninguém...

Contém a fala,
com vós embargada
e um nó na garganta,
ele fala baixinho...
- minha saudade é tanta...
E divaga sozinho.

E então, corre até
a outra janela,
e de novo, grita 
o nome dela!
à plenos pulmões
ele replica, também:
Cadê ela, cadê ela? 
aonde está meu bem...
estará no além?
Mas, não...
Não há ninguém!
ralleirias - aonde está o blues



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Atravesso agora

Atravesso agora para o bardo dos sonhos...
E a noite, então é como véspera
de um novo começo.
E lá,  é como uma vida do avesso,
como um outro mundo,
mas, oriundo do mesmo dono...
Onde tudo é possível
não existe nada incrível
se e apenas
enquanto
houver
sono..?
ralleirias (Dos bardos)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Lapso temporal 'Zero'

Há uma passagem oculta, uma dimensão especial e única,
que se revela quando 'West End Blues' é tocado em dois
(ou mais) players diferentes e simultaneamente, desde que,
com um intervalo menor do que um segundo, entre um e o outro...
É uma força atávica,  que contorce o futuro, o passado e o instante
presente, condensando um século desta vibração, neste momento...
e que carrega poder musical de éons...
Neste ato, lhes escrevo de dentro deste poderoso looping,
que está em plena ocorrência,  agora!
E neste vácuo perpétuo, onde o tempo, existe, mas,
não como o conhecemos... Aqui, é um não aqui.
Agora, é um não agora... e no entanto, é sempre...
Tudo muda,  embora, sem se alterar...
O todo é preenchido por esta dimensão mágica...
E o espaço-tempo, de fato, sofre uma mutação...
E então, tudo converte-se em algo, como, um transe lúdico...

ralleirias - aonde está o blues


Ouça aqui (em apenas um player): West End Blues -1928

como só eu sei...

Por dois segundos, ela olhou para mim...
E com uma encantadora expressão admirada,
não conteve um enorme e lindo sorriso.
Depois, voltei a ficar transparente, invisível...
Minha paixão, constatei,
chega ao limiar do risível
por ser impossível,
como só eu sei...
ralleirias


Cultivo, castigo ou obrigação?
Equilíbrio é necessidade,
mas também uma opção.
Assim como manter a realidade
de fato... é construção.
ralleirias


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Então, como era mesmo aquele nosso mundo?
Lembro bem, mas apenas de certas coisas...
Somente aquelas que fizemos acontecer entre nós dois.
Que pena, que foi tudo uma invenção,
Mas nossa não, apenas minha...
Minha vontade de te amar era tanta
E no entanto... por isto sempre tão mesquinha...
Queria mesmo que este romance, tivesse sido real...
Que nós nunca fôssemos atingidos por nenhum mal
Destes males de amor, possessões e desentendimentos
e desconfianças bobas...
que corroem até os melhores momentos
Queria que se fôssemos feitos um para o outro...
Pois realmente perto disto, mesmo o mundo todo
me parece agora, tão pouco...
e tão bobo...
ralleirias

domingo, 6 de abril de 2014

convicção

Em que lugares ficamos prendidos
devido às nossas estimadas convicções?
De onde vem essa voz poderosa,
que se faz sobreposta
transformando puro desejo
em plenas razões?
Seria um truque evolutivo?
É então uma aposta?
Viver não pela lógica
mas sim, pelo 'coração'...
Um labirinto sem respostas...
Ou está ainda em construção?
ralleirias