quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

desnecessárias

Se há mente,
dissolve estas
desnecessárias identidades escravas
formadas entre o arcabouço de palavras.

Se há mente
Não outorga sólida resistência
para as coisas que determinam
tua restrita existência...

Se há mente,
não negue
ou nutra.
Não, jamais um sutra
nem não ou sim
início e fim...

Se há mente
há espaço
amplo
único
o potencial do vazio
vai ao imutável
e ao infinito

Se há mente
não há
necessidade
de um todo tolo
nem um tudo...
só de um
silêncio
mudo...

ralleirias - (das mortes não morridas)





quarta-feira, 30 de novembro de 2016

afeitos

Quais são os eleitos,
diferentes do que parecem,
afeitos a sua eleição...
Os do sistema, os colegas, 
um irmão? Cada qual escolhe 
pelo afeto o que lhe cabe 
à sua própria ilusão.
ralleirias - Crônicas das lutas de classe 


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

para sempre!

Só o nada, assim, é resistente.
Nada, dura para sempre!

O contrário existe,
só pelo certo...
O mundo é aqui
mas, nada
fica ali,
não tão perto...

O melhor ser que conhece,
deseja deixar de um eu ser.

O pior ser que conhece,
quer o eu, fortalecer.

Segue então a vida,
que só pode até morrer.

E eis que mesmo a morte é
apenas
até o completo esquecer.

(..)ralleirias



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O invisível crível.

Parece que pouco se nota
que toda sabedoria
também forma o ignorante...
Inocente positivo e operante...

Será que qualquer alegria
que for,
num tempo de dor
como utopia
fica muito mais importante?

Olha a carga inconsciente,
carregada na escolha
das palavras...
Não parecem como o ar
dentro duma bolha?

O invisível crível.

Vê só, como carregam junto, um mundo todo
fazendo isto, apenas no reflexo daqueles conteúdos...
Côncavo não, nem convexo... os complexos?

Então, quem cria
o que te entregam
pelas tuas decisões?
São delas ou ... são elas,
as tuas emoções?

Onde se escondem
as outorgadas liberdades
das tuas escolhas?

Num saber fácil e imediato
de apenas muitas luzes, sons e cores?
E numa tentativa perpétua de realização
dos aprendidos prazeres e dos quase amores..?

ralleirias - Crônicas das lutas de classe




domingo, 16 de outubro de 2016

um lugar mágico, encantado...

Eu fui engolido
por uma serpente
cobra luz, reluzente
de ares astecas...

Sua goela era amarela
com arcos dourados,
um tapete rosado,
colunas de marfim,
muito branco, num
teto carmim, abobadado...

E a boca dela era assim
como, um lugar mágico,
encantado...

E, logo feito, sorriu!

E eis que a serpente
após, sumiu...

Passou um século
e, num instante...

Fiquei velho,
talvez
pouco sábio...
mas, ainda
maluco errante...

...e então,
percebi sorridente
o que se deu...

A serpente geométrica
asteca, maia ou tolteca...

era ainda eu...

ralleirias (Das mortes não morridas)




quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Faz um voto...

Faz um voto...
De acreditar nas palavras,
não perceber o momento
e sempre retornar
para as mesmas sagas

Faz um voto...
O de embarcar nas vontades
acreditar que ser
é um acumular de vaidades...

Faz um voto...
De ceder ao desejo
de viver outras verdades
que são recheios de devaneios
sobre o que é a tua realidade...

Faz um voto...
E de novo,
encarcera a paisagem...

Pedra, pau e fumaça...

Afinal, nestes existires
há quem ache graça...

Faz um voto...

ralleirias-(das mortes não morridas)

créditos nas imagens

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Enfrente.

E então, diante 
de todas as ameaças, 
às vezes...
surpreendentemente,
o que resolve...
é apenas...
dar um passo em frente...
Enfrente.
ralleirias
Imagem.La Révolution surréaliste Cannon Bernáldez