sexta-feira, 9 de setembro de 2016

sufi

Num paradoxo próprio
onde sem estar no tempo
olhando atento ao porvir
consegui transcender
qualquer momento,
e ultrapassei
todo o devir.

Girando
e não circulando
afastei
todo pensamento
e os transcendi
tal qual sufi...

Flutuava
dissolvia
não instância
ou relevância
nem há dor
nem alegria
nem verdade
ou fantasia
e identidade...

Fui ou não
ao antes
do nascer
onde não havia
um morrer
nem nada,
ou tudo e
existi ali
girando
igual 
sufi...
- crônicas das asceses místicas 

crédito na imagem


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

buda interno

Não, não há mistério,
para desvendar
nem há quem seguir
até uma 'iluminação'... 

O que pode haver, 
talvez, 
seja um abandonar 
as nossas convicções
encarceradoras... 

Porém, 
não trata-se exatamente
também 
de uma negação do eu, 
mas sim, 
abdicação 
dos pesos
das nossas certezas, 
e de nossas
travas
e cercas
existenciais... 

Troca-las 
por uma
liberdade maior.

A de tentar
'ser' feliz 
sem um severo compromisso 
com as dores
de nosso repertório
e com qualquer permanência 
em uma identidade construída
sobre as lembranças
que decidimos
portar... 

E mesmo 
aquela que supomos 
ser a do nosso próprio 
buda interno... 
(...)
ralleirias
crédito na imagem


terça-feira, 30 de agosto de 2016

vontade e esperança

Uma  potencia
da verdade
é a vontade...
e  da vontade,
é a esperança.

Mas, vontade e esperança
são subjetividades
tão móveis..

Assim,
faz-se o frágil agora
em lapsos de desejos,
compreensões e memórias..

Será um 'ser' como
reservada instância..?

Na consciência deste
reverberará
o logos do todo

mas, ao tudo,
este, espraiado em
plenas liberdades
nunca alcança.

Talvez, por isto,
para um  real
consistente
de verdades
reste apenas
vontade e esperança.

ralleirias - Metateatro




sábado, 20 de agosto de 2016

humildemente

Fazer o melhor
à partir de si
é legar
ainda que
humildemente
o melhor
ao mundo.
ralleirias

...e, nem não ao Tao

Emana onde o agora?
Mas, bem certinho
e preciso... desde
qual hora?
...e, nem não
ao Tao,
não sim
também...
E, do então 
dum ente,
ele vem?
Num aqui
que é quando?
... O estranho,
é aquilo com o que
não nos conectamos?
E é qual tempo,
o que se afasta
enquanto ando?
O que é que passa?
Havendo ontem,
e, aonde foi?
Onde mudando fui?
E o aqui, de onde vem?
Chega, quando é hora?
Aqui é um 'só' ou 
é um 'também'?
Emana onde o agora?
ralleirias - dos solipsismos 





sexta-feira, 5 de agosto de 2016

é noite tarde

E é noite tarde
no breu o
fogo arde
crepitação
quebrando
o silêncio e
a escuridão

E é noite tarde
No ócio da
eternidade
dispensa-se
sanidade
na despensa.

E é noite tarde
no piso gelado
o corpo vivo
enrolado no
papelão
Embrulho
social
refutável
largado
no chão.

E é noite tarde
bêbado
confessa ao
poste
que está
perdido
mijado
e fodido.

E é noite tarde
ninguém mais
me ama, já
morto sobre
minha
cama
minha
última
palavra foi:
- 'Solidão.'

E é noite tarde
vivemos mais
um dia.
há menos...

E é noite tarde
vagalume
sem alarde
lume
ilumina

E é noite tarde
não ouço mais
tua respiração
sincopada.
Nem nada.

E é noite tarde
num campo
próximo, correm
raposas
apaixonadas
brincando
durante
a caçada.

E é noite tarde
ressentimentos
e paixões
convertem-se
em combustível
para um novo dia
no inferno
do impossível

E é noite tarde
sexo é só
o que resta.

E é noite tarde
e na estrada
nem sempre
é o caminho

E é noite tarde
bilhões de sonhos
confundem entidades
sonhando serem deuses
sonhando serem humanos,
que sonham serem deuses
sonhando que são
humanos.
E é noite tarde
ralleirias - das lutas de classe


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

polifônica

 ela
e eu...
sutra
surto
solta
volto
cultua
pontuo
destoa
concluo
entoa
entulho
ela, a maravilhosa
e eu, o bagulho...

(...) ralleirias