quinta-feira, 9 de julho de 2015

nunca me conclui...

Esta noção
de desejo
impele,
na sustentação
da própria identidade...

Dominando internamente,
o externo, abarca assim
a mente...

Então,
o que quero, me possui
mas,
nunca me conclui...
(...)
ralleirias



Diz que sim!

Amor, me abraça forte!
Temo a solidão da vida
a imensidão da morte, e
este existir, que não tem saída!

Amor, consola o meu medo
mas, faz por favor, segredo!

Não entendo do mundo
nem da vida, nada!

Não é tudo um mistério profundo
como uma confusão sonhada..?

Amor, porque tu não me responde,
tu tá com a tua cabeça aonde?

Cadê tu e teus braços,  que não
estão em mim?

Amor, tu ainda existe?
Diz que sim! diz que sim!
ralleirias - Bravo amar


infestações de palavras grávidas

(...)  Acontecem às vezes, infestações de palavras grávidas,
nas coisas que eu escrevo.
Elas costumam roer as lógicas por dentro
e estas ficam só nas casquinhas... (...)
ralleirias
Crédito na imagem

O estado, a religião, as leis e a polícia...

O estado, a religião, as leis e a polícia, sempre foram usados, não como instrumentos sociais de harmonização e regulação racional de recursos e sistemas, mas como ferramentas de repressão, contenção e imposição de precariedades e diferenças especulativas...
(...)
ralleirias

quarta-feira, 8 de julho de 2015

poderia...

(...) Eu poderia, poderia fazer um discurso,
inventar´uma máquina, escrever um poema memorável,
ou um romance, ou alguns ótimos contos, e...
compor uma sinfonia, fazer uns versos de encanto,
rogações mágicas, poderia estudar e compreender o caos,
resolver a gravidade, esculpir uma estátua, seria uma
escultura única, também poderia inventar um som, seria puro!
E mais que tudo, poderia ressignificar umas palavras
e assim, até uns passados...
Eu poderia, poderia...(...)
ralleirias

Crédito na Imagem...

um lapso da vontade em cume

Vejo o tempo me contando uma estória.
Eu olho, e recebo a velocidade
e onda, em deslocamento como resposta.
Não há verdade nem mentira, talvez,
pressupostos e enganos.
Aleatoriedade de eventos num horizonte
que emula um limite.
Todas às percepções que se vestem
com o real estão, contudo, ainda nuas.
Significâncias são também um lapso
da vontade em cume, que pode ser
um engano, parcamente coordenado
pelo desejo.

E não são as montanhas, não mais que
ondas, quebrando?
Nem o mar ou a ondulação é a onda,
mas são eles uma dobradura do irreal,
como se real fosse,
adentrando o então, daí 'sendo'.

O que é, não foi, era e será um então?
O quando, já foi desejo, mas,
ampara-se na causalidade do acaso,
e rompe o instante, adentrando o agora,
equilibrando-se no enquanto, assim,
ele, num instantâneo parido
em 'agora', é.

Na crista da onda, também o ápice do real
migra ao nada, e seguirá pois, num até...
ralleirias
Imagem: Ray Collins

Nexo nulo

O não desprezo,
não significa.
Nem registro.
Nem onde.
Nem quando.
Não reconhecimento,
não latência ou promessa.
Inexiste assim o sem.
Não desconhecimento,
sem, portanto.
Num 'também' que é pois,
lugar inominavelmente estranho,
o nada, é como um paradoxo,
no qual a percepção se esvai
na incompletude.
Tão vasto, que abarca
mesmo o antes e o todo, mas,
nem nega-lhes ainda existências...
Não observado.
Não nada.
Nexo nulo.
- metateatro_2015