domingo, 5 de abril de 2015

Central do Carma Informa: aviso 1

Central do Carma Informa: aviso 1

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ralleirias



São dragões... ou serpentes

-- São dragões, às linguagens...
- Dragões?
-- Vivem se empoderando, nestas nossas dependências
em manter o mundo como ele é e está....
Serpenteiam na concatenação dos significados
de cada palavra...
- As linguagens?
-- Os dragões! ... E que são às linguagens... É no que
nos fazem acreditar... E toda lógica é como um rabo de
lagarto, se contorcendo antes do bote que ele dará no final,
e depois da compreensão geral de todos os sentidos...
Alguns são como serpentes, que não mais do que
de repente, nos dão uma picada, inoculando epifanias...
- São dragões... ou serpentes?
-- São dragões, às linguagens!
ralleirias(fragmento)


sábado, 4 de abril de 2015

Não como antes...

Dai, a dúvida foi vencida pelo desejo!
Faz tanto tempo que eu não te vejo...
Tu, ainda me ama..?
Será que eu sou ainda,
o teu melhor amor de cama?
Melhor sermos apenas bons amantes...
Afinal, agora, já não nos enganamos,
não como antes...
ralleirias


Destino pronto!

Assim!
Cospe no meu cadáver inerte,
preso na tua ratoeira, e isto te diverte!
Sim, sou  como rato morto.
Joga minha carcaça no lixo, despreza,
enfim, como começou,
nosso amor acabou:  Torto..!
Fui eu, mais um pobre bicho...
Acreditei em todas aquelas asneiras...
E nos teus labirintos de besteiras, fiquei tonto
Veja só, gata e rato, destino pronto!
ralleirias


Tanta coragem...

O que realmente está por trás de tanta coragem?
E que te faz ir contra tudo, ataca como um leão!
Qual a verdadeira força que te move...
E de que é feito este teu coração?
Não teme as bestas, e contra elas, investe...
Espumando em ira, na fronteira da razão!
Esta loucura, é bem como uma couraça que te veste...
E a besta é tu, só que disto, não tens vaga noção!
ralleirias- crônicas das lutas de classe


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Agarrados

É que, na existência,
mudam nossas realidades
mais ou menos,
como numa dança...

E assim, bailam
desequilibrados e bem
agarrados, um ao outro,
a dúvida e a esperança...

Não exatamente como na saudade...
Mas, talvez como numa boa lembrança.
ralleirias (fragmento)

Imagem: La Vie Parisienne 1923 By Chéri Hérouard

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Escaravelho

Onde ela estiver, certamente terá também um destes besouros.
Aonde ela vai, tem de haver um destes besouros... há um no escritório dela.
E haverá um destes besouros, na casa de cada pessoa que ela frequentar.

Quando ela viaja para um determinado lugar, antes, ela envia
para agência de correio local ou mesmo para a recepção de algum
hotel na localidade, uma caixa contendo um besouro,
às vezes, ela telefona para confirmar se a caixa já chegou,
antes mesmo de partir para lá...

Antes de seu nascimento, a mãe dela usava um amuleto de escaravelho.
A bisavó e a avó dela também usavam, e agora, ela usa o mesmo amuleto.

No berçário, após o parto, a avó dela arranjou um jeito de esconder um,
debaixo do colchãozinho dela, e que foi encontrado somente após
ela já haver seguido para casa com a mãe dela.

Tudo isto, foi ela quem me contou, e sorrindo, me pediu para eu não
fazer perguntas sobre o assunto... Me disse que isto era uma tradição
de família, uma espécie de brincadeira...

Daí, ela me entregou uma caixinha, dentro havia este escaravelho verde
metálico, e falou que era para eu guardar num lugar seguro, o qual
somente eu tivesse acesso, mas tinha de ser na minha casa...

Às vezes, parece que o besouro faz barulho dentro da caixinha e logo
em seguida, ou no mesmo dia, ela faz contato ou aparece...

Poderia ser apenas uma impressionante coincidência, talvez seja apenas
minha imaginação, pois, acontece que o besouro não está vivo...

Ela é mesmo maravilhosamente misteriosa...

ralleirias(fragmento)