quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Desfaço o pacto...

Agora, desfaço o pacto.
Neste ato, não libero-te então.
Mas, antes sim... à mim!
Este nosso universo, já havia chegado ao fim...
Percebo, que falo à um fantasma do que nunca foste...
O pacto, foi um ato, só meu.
Como foi que a ilusão me convenceu?
Desejo e crio, tudo o que imagino e o que vejo...
Como, a tua boca!
E também, este maldito desejo,
pelos teus beijos...
ralleirias

E então, a paz acontece...

E então, a paz, acontece...
E não importa quem merece,
mas , importa sim, é que nos ocorra...
E que assim, ninguém mais morra,
que ninguém mais chore,
nem mais implore,

por amor,
por socorro...
por terror,
por desforro...

E finalmente, a paz acontece...
mas, não por todas as preces, 
aos céus, quais sejam,
nem pelos que nela ainda 
padecem e tanto a desejam...

Mas, devido aos infernos, 
por quem estas guerras valeram,
e também pelas misérias,
nas quais se fortaleceram,
eis que a paz, acontece finalmente,
e ela se dá apenas, por nada mais 
que a nossa total exaustão...

ralleirias - crônicas das lutas de classe


Inexistes...

Inexiste dor...
E mesmo o amor, inexiste...
Inexiste odiar, o sofrer e o lembrar,
ou o vazio, como um grande mar, inexiste...
Inexiste dó, e mesmo ser tão só, inexiste...
Inexiste aqui, pois ainda estou aí, que inexiste...
Mesmo esta confissão, inexiste...
Como esse amor e essa paixão, que inexiste...
E por ti, esta obsessão, inexiste...
Pois inexiste nós, certamente, inexiste...
E inexiste o amanhã,
para mim...
Inexiste o fim...
Sim, inexiste...
Pois...
Inexistes...
ralleirias - aonde está o blues


Não navego mais em qualquer mar...

Não navego mais em qualquer mar...
Pois, eis que agora, a minha nau,
apenas entre nuvens flutua.
Aterrado e só, além dos meus sonhos,
do passado, ninguém mais a tripula.
Nesta eterna busca, pelos quatro cantos
de um mundo sabidamente redondo...
nem eu, estou mais ali...
Eis que no último porto, desembarquei e fugi.
ralleirias


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A maior reverência para as coisas externas...

A maior reverência para as coisas externas...
Nos mostra que possivelmente,
ainda somos aqueles mesmos das cavernas.
Que ainda, o que está lá fora,
turva nossa visão do todo...
A independência é um condão interno.
E a dependência, se cria e se faz, no tolo...
ralleirias


Nossas cargas...

A duras penas, descobri que podemos
levar a nossa mente, para fora de sentimentos
e momentos que não são agradáveis.
Claro, temos sim que também viver nossas dores,
pelo menos até o ponto de compreende-las...
E aí sim, então, eis que surge a capacidade de esvazia-las...
Isso acontece normalmente, quando daí,
empoderamos outros sentimentos...
Reconhecendo nossos potenciais e valores,
desfazendo as automáticas atribuições,
significâncias e a causalidade em tudo...
Nossas cargas, podem ser vistas como uma opção, sim...
Mas não há como descarta-las, sem esta necessária troca,
e isso, nunca é fácil...
Porque, incrivelmente em determinados momentos, nossas dores
nos parecem tão caras, e nos identificamos tanto com elas,
que aparentemente já não conseguiremos mais nos livrar delas,
por acreditar, que de alguma forma, sairemos perdendo...
ralleirias


O que mais me preocupa?

O que mais me preocupa?
Talvez a consciência...
Antes mesmo da própria mente,
explico...

Me parece, que há uma separação,
que algumas vezes percebo.
Meus pensamentos,
depois de um tempo, revelam-se
'não exatamente meus'...
Mas, não todos...

Então, quem em minha mente,
ou o quê, além de 'mim'... ou eu,
está se manifestando?

E, particularmente, nestas opiniões,
ações e vontades que definitivamente,
não eram originalmente minhas?

E especialmente
nas respostas prontas...

Como e quais mecanismos
me lavavam à pensar
e agir  no ' piloto automático'?

Percebi, que existem algumas identidades 'sociais',
que usamos, e que elas se sobrepõem umas às outras...

Somos então assim, como múltiplas personas?

Parecem que são papeis com atuação bem delimitada, e
embora aparentemente oriundos do mesmo ente,
defendem seus universos e razões muito particulares...

Há entre eles, entes tranquilos e que se co-relacionam...

Assim como o filho, o pai, o funcionário,
o chefe, o amante e o  marido...

Há também, outros mais estranhos entre si,
como, as personas tipo vítima... ou violentas.
E até, um possível, sombrio e 'potencial assassino',
que já me disseram, todo homem é ou carrega semente ...

Essas múltiplas personas,
agora compreendidas, algumas 'notadas'
e algumas até meio 'ocultas',
por enquanto, estão contidas...

Pois, minha consciência
selou um 'pacto' com a mente.

Agora, nem todas têm permissão
para manifestarem-se livremente,
foi-se este tempo de 'bestas'... soltas.

Mas, ainda assim, todas tentam...

Ainda mais, quando a consciência
não está plenamente atenta.

E elas, realmente o fazem
permanentemente.

E me parece, que
nestes tempos brutos
aquelas personas potencialmente
perigosas e em especial  'o obscuro assassino',
continuam tentando se manifestar
com uma inquietante e brusca insistência...

ralleirias - (legião - Cronicas das mortes não morridas- Fragmento)