A proposta clínica baseada na cartografia do desejo (frequentemente inspirada por Deleuze, Guattari e pela Micropolítica) propõe uma mudança de paradigma, aonde sai o diagnóstico estático e entra o mapeamento dos processos de subjetivação. Essa abordagem foca na produção de modos de existência e na reconexão da potência de agir. YouTub
Elementos centrais das Cinco Zonas de Passagem da Atenção Clínica
A cartografia clínica funciona como um processo de acompanhamento que atravessa diferentes camadas de intensidade, frequentemente estruturado em zonas de passagem:
- Zona de Captura / Assujeitamento: Onde o desejo está aprisionado em estruturas rígidas, rotinas, "maus jeitos" ou modos de ser que aprisionam a pessoa.
- Zona de Crítica / Desconstrução: A "destruição alegre" dos modos de existência funcionais, mas que geram impotência. É o desmonte dos maus jeitos.
- Zona de Superfície / Criação: A recuperação da autonomia e a capacidade de se tornar criador do próprio modo de existir.
- Zona de Intensidade / Potência: A diferenciação da própria potência, onde se toma o destino nas próprias mãos e se reconecta com devires.
- Zona do Território Clínico: A articulação prática entre o sujeito, o ambiente e o acompanhamento (o território onde a clínica ocorre).
2. Protocolos Clínicos da Cartografia do Desejo
A cartografia mapeia e registra os processos, os jogos de força e as relações de poder:
- Mapeamento de Investimentos: Acompanhar como o desejo se move no corpo (gestos, modo de sentar, andar), no pensamento (fala, escrita, leitura) e no campo afetivo.
- Inimanência do Desejo: Observar onde o desejo perde sua força (imanência) e é capturado por representações ou transcendentalidades.
- Análise do "Como", enseja focar em como a potência aumenta ou diminui, em vez de apenas por que.
3. Dispositivos de Escuta e Intervenção
A clínica cartográfica usa ferramentas ativas para intervir no modo de vida:
- Escuta de Território: Escuta que atravessa diferentes saberes (artes, filosofia, cotidiano).
- O Analista clínico atua como um artesão da subjetividade, trabalhando com os detalhes e os recortes, ainda observando totalidades - A clínica funciona como um dispositivo intercessor que coloca em cena o sujeito em suas potências.
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4. Operadores Clínicos Fundamentais
São ferramentas conceituais que orientam a escuta e o manejo:
- Corte e Sutura:
- Inspirado em Freud, o analista opera cortes em narrativas cristalizadas e suturas (conecta) com novos devires.
- Cartografia da Potência:
- Mapear o desejo para diferenciar a própria potência, focando na produção de valor (criação), não apenas na cobiça ou adaptação.
- Atravessamento dos "Maus Jeitos":
- Identificar a cumplicidade do sujeito na própria captura e transformar esse "maus jeitos".
5. Reconexão do Desejo com os Devires Intensivos
O objetivo final é a transformação da vida...
- Devir (vir-a-ser): O desejo é um movimento orgânico de passagem da potência ao ato. Cartografar é criar novos devires, expandir fronteiras.
- Diferenciação da Potência: Encontrar o horizonte afirmativo, onde a pessoa se torna dona de sua própria diferença e não uma cópia de um modelo universal.
- Autonomia: Retomar o comando da diferenciação, passando da captura para a produção das potencias, mundos, saberes e poderes de si.
-crônicas sistêmicas
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