segunda-feira, 3 de outubro de 2022

de compaixão e de esperança

Temos e sempre teremos muita luta pela frente, 
pois o sistema, nos conforma todos no idílico 
imaginário ingênuo do ser superior aos demais, 
o melhor e vencedor e assim, o exclusivo... 
e o faz, por meio da reatividade e em meio ao ódio 
de classes que ele, com isto, semeia...

Talvez, o nosso desafio como esquerda, e como sociedade, 
seja então, o re-encantamento com a possibilidade de 
permanentemente seguirmos dando nascimentos à 
melhores condições de igualdade, e com dignidade, 
fazermos esta busca de nossas existências cidadãs 
e gerarmos à partir disto, então, melhores e mais justos 
ambientes para nossas vidas em comum... 

Afinal, teoricamente o que nos diferencia da 'direita' é 
a nossa capacidade de portarmos um olhar e sentimento 
de compaixão e de esperança e assim, de nos movermos 
e lutarmos por isto...

Sim, à mim, parece que a esquerda que temos hoje, 
é a esquerda surgida dentro das pautas permitidas pela direita... 
E assim temos um baita problema, que é a nossa reatividade... 
A esquerda é a esquerda possível, e ela nasce contaminada pelo ódio 
de classes e segue existindo  reativa às proposições deste. 
Nesta brutalidade, 'Ela' se submete, se divide, se desidentifica 
com seu lado mais compassivo, sofre com a própria raiva, 
como um reflexo da impotência natural que tem, dentro 
deste sistema opressor, e segue dando quórum a estas pautas 
impostas e acossadoras e assim, fica impossibilitada de assumir 
a naturalidade da humanidade como caminho.

- crônicas das lutas de classe

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