É que ele dizia, que sempre usaria, pelo menos
uma peça de roupa virada ao avesso, sempre!
E que isto, era parte de um acordo,
um 'pacto' que ele tinha com a morte.
O dia em que estivesse tudo absolutamente,
cabalmente certo com ele, ele morreria,
disse que prometeu, jurou isto pra ela.
Pois, afinal, algo que se encerra, acaba...
E ele dizia, que se esforçava muito. mas, como não tinha certeza
sobre o que é 'perfeito', assim, usava preventivamente,
pelo menos uma peça do vestuário virada ao avesso,
como um 'algo' ainda para resolver, uma espécie de
'pendência técnica', que disponibilizará um pouco mais de tempo
pra verificar se realmente o fim deverá acontecer, algo assim,
como uma última olhada, uma última chance...
e, corre o tempo... corre
e vai até que tudo morre...
E assim sentia, que a morte também
os visitava todos os dias,
matando as coisas mais corriqueiras
e os mistérios mais profundos
em todas as horas, minutos e segundos...
Para não se sentir enganado por ela,
todo dia, contabilizava o que auferia da vida,
pois parecia que dela, só havia saída...
-No eu de ontem, naquele que fui, e no ontem
em que foi o eu, o que foi que morreu?
Foi então, que uma coisa estranha aconteceu,
quando, no meio do inventário do que deveria
ser a morte, a continuação da vida, percebeu...
Ela migrava na mudança, carregada de continuidades
a morte e a vida e o nunca e o sempre, entrelaçados
numa dança, equilibram-se, em sincronicidades...
Assim, restando um tempo sempre presente,
que é o tempo da mudança aonde são e estão
constantemente misturados nas inseparatividades...
(...) ralleirias' - meta teatro

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