domingo, 26 de janeiro de 2025

A Base Axial da Metapsicologia: Narcisismo, Inconsciente e as Pulsões na Terapia Sistêmica, Gestalt e Esquizoanálise

Artigo:

A metapsicologia, como arcabouço teórico da psicanálise, oferece as bases estruturais que sustentam a lógica de funcionamento do inconsciente e consciente. Quando trazida para o campo da Terapia Sistêmica, da Gestalt Terapia e da Esquizoanálise, essa estrutura é expandida e recontextualizada, buscando integrar as forças primárias que regem o comportamento humano e seus impulsos inconscientes à realidade social e relacional. Neste artigo, convido o leitor a explorar os principais conceitos metapsicológicos, como o narcisismo, as pulsões, o recalcamento, a sublimação, e a repetição, à luz de uma abordagem integrativa que se apoia nos arquétipos mitológicos e na visão contemporânea da neuropsicologia.

Narcisismo: O Espelho do Ser

O narcisismo, em sua essência, é a força motriz que define o desenvolvimento do ego. Freud, ao descrever o narcisismo primário, refere-se ao estado em que o indivíduo se vê como o centro do mundo, sem distinção entre o "eu" e o "outro". Na Terapia Sistêmica, ampliamos essa visão para entender o narcisismo como um processo de autoreflexão sistêmica, onde a relação com o outro, o grupo ou o sistema, é uma extensão de si mesmo. O mito de Narciso, que se apaixona por sua própria imagem, revela essa dinâmica de fechamento em si e a dificuldade de lidar com a alteridade.

O narcisismo, quando patológico, pode levar à alienação e ao distanciamento do ambiente, mas quando integrado de forma saudável, torna-se uma ferramenta para o reconhecimento da própria identidade e o estabelecimento de limites saudáveis dentro do sistema relacional.

O Inconsciente e Suas Camadas

O inconsciente, esse vasto território que abriga conteúdos recalcados, desejos inconfessos e impulsos reprimidos, é o grande substrato que guia o comportamento humano. Na esquizoanálise, proposta por Deleuze e Guattari, a noção de inconsciente é menos linear e vai além do modelo freudiano de recalcamento. Aqui, o inconsciente é visto como um campo de produção desejante, onde as forças e fluxos que constituem o sujeito operam em constante transformação. O inconsciente é, portanto, uma estrutura ativa, que busca se expressar e se reorganizar frente às experiências e à subjetividade em constante mudança.

As Pulsões: Entre o Prazer e a Sobrevivência

Freud, ao formular as pulsões (Triebe), dividiu-as entre pulsões de vida (Eros) e pulsões de morte (Thanatos), revelando os conflitos inerentes entre os desejos de prazer e de destruição. Recentemente, a neuropsicologia tem avançado na compreensão das pulsões básicas que regem o comportamento humano, identificando sete pulsos principais: busca, fuga, luta, gozo, ser amado, amar e dominar. Esses impulsos fundamentais interagem de maneira complexa, revelando os conflitos psíquicos que permeiam nossas ações e escolhas.

Na Terapia Sistêmica e na Gestalt Terapia, essas pulsões são integradas como elementos que guiam as relações interpessoais e a autoimagem. O terapeuta, ao observar esses impulsos no paciente, pode conduzir o indivíduo a um processo de autoconsciência, onde ele reconhece como essas pulsões influenciam sua interação com o ambiente e com o outro. A busca pela realização do prazer (gozo) e a necessidade de ser amado se manifestam na repetição de padrões disfuncionais e na transferência.

Recalques e Sublimação: A Dialética do Desejo

O recalcamento surge como um mecanismo de defesa, onde desejos e impulsos são empurrados para o inconsciente por não serem compatíveis com as exigências morais ou sociais. No entanto, esses conteúdos recalcados retornam sob outras formas, muitas vezes por meio da sublimação, onde o impulso original é canalizado para atividades socialmente aceitas, como a arte, a ciência ou a espiritualidade.

A esquizoanálise questiona a rigidez dessa estrutura e sugere que o desejo, ao ser recalcado, transforma-se, mas também resiste e encontra novas vias de expressão. É aqui que o conceito de repetição entra em cena: o retorno do recalcado, que se manifesta nas neuroses, nas compulsões e nas escolhas de vida, sempre traz consigo o eco do desejo reprimido.

Objeto e Transferência: A Relação com o Outro

Na metapsicologia, o objeto é aquilo para o qual a pulsão se dirige. O objeto do desejo, entretanto, nunca é plenamente alcançado, o que leva à perpetuação da busca. Na Gestalt Terapia, o foco é a percepção do momento presente e a consciência de como o objeto é construído em função das necessidades do indivíduo no aqui e agora.

A transferência emerge quando o paciente projeta no terapeuta sentimentos e desejos inconscientes que estão, na verdade, ligados a figuras de sua história pessoal. Na Terapia Sistêmica, a transferência é vista como um reflexo das dinâmicas familiares e sociais que influenciam o indivíduo. O terapeuta, ao se deparar com essas transferências, utiliza-as como uma ferramenta para desvendar os padrões de relacionamento que sustentam o sofrimento do paciente.

Mitos Contemporâneos: Arquétipos e o Inconsciente Coletivo

Mitos como os de Narciso, Édipo, Antígona, Sísifo e a Jornada do Herói continuam a ser referências poderosas na psicologia contemporânea, especialmente na compreensão dos processos inconscientes. O mito de Édipo reflete os conflitos familiares e as pulsões sexuais reprimidas, enquanto o mito de Sísifo ilustra a repetição compulsiva e o esforço constante diante de um objetivo inalcançável.

Já a Jornada do Herói, amplamente difundida por Joseph Campbell, traz à tona a trajetória de individuação, onde o sujeito enfrenta seus medos, atravessa provações e retorna transformado. Na Gestalt Terapia, a jornada do herói é vista como um processo de autodescoberta e integração das partes fragmentadas do self, enquanto na Esquizoanálise, o herói é aquele que rompe com as estruturas opressivas e cria novas formas de subjetivação.

 O Desafio de Integrar o Consciente e o Inconsciente

A complexidade da psique humana, revelada pelos conceitos metapsicológicos e pelos mitos arquetípicos, aponta para um caminho contínuo de autoconhecimento e transformação. Na Terapia Sistêmica, na Gestalt Terapia e na Esquizoanálise, o objetivo é levar o indivíduo a uma maior compreensão de suas forças inconscientes e dos padrões repetitivos que moldam sua vida, permitindo-lhe transformar sua relação consigo mesmo, com o outro e com o mundo ao seu redor.

O terapeuta, nesse contexto, atua como guia nessa jornada, ajudando o paciente a reconhecer e integrar suas pulsões, recalques e projeções, e a encontrar novas maneiras de estar no mundo de forma mais plena e consciente.

 - Crônicas sistêmicas 

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sábado, 25 de janeiro de 2025

Atos mágicos

Atos mágicos.
Desprendido das cadeias de instintos do mundo,
as movimentações que o mago analisa são as
movimentações dos astros, aonde representa-se
esta alusão, dali, se passa a olhar para cima e mira
suas ideias, na sua estrela que então, lhe 'sorri' e
você sorri para ela, e nesse momento você começa
a tornar-se senhor dos elementais, então o seu
mundo, sua terra e você já compreende e ordena
os elementais com maestria, porque você recebe
a ajuda integrada de tudo e dos sete poderes
clássicos, desta maneira, teremos diferentes obras
mágicas, assim, em 'Dogma & Ritual da Alta Magia'
Eliphas Levi nos fala:

- Obras de luz e riqueza estão sobre os auspícios do sol;

- Obras de adivinhação e mistério sob as invocações da lua;

- Obras de habilidade e ciência e eloquência sob a proteção de mercúrio;

- Obras de Cólera e Castigo consagradas a Marte;

- Obras de amor favorecidas por Vênus;

- Obras de ambição e política sobre os auspícios de Júpiter;

- Obras de maldição e morte sobre o patrimônio de Saturno...


- crônicas das asceses místicas


A Vitória perante o mal

A Vitória perante o mal.
Em 'Dogma & Ritual da Alta Magia' Eliphas Levi postula:

- Precisamos formular a inteligência por signos e resumi-la
por caracteres e pentáculos.
- Precisamos determinar a vontade por palavras;
- Precisamos realizar as palavras por atos;
- Precisamos traduzir a ideia mágica em Luz para os olhos;
em harmonia para os ouvidos, em perfumes para o olfato,
em sabores para a boca e em formas para o tato;
-Precisamos numa palavra, que o operador realize na sua vida
inteira o que quer realizar fora de si no mundo.
- Precisamos que se torne um ímã para atrair a coisa desejada
e quando tiver suficientemente imantado saiba de que a
coisa o desejo, a ideia, o mundo ... virá.

Até que aconteça, o mago deve se isolar, enquanto
resolve-se a natureza, e solve ou coagula, espalha ou aglutina...

- Mesmo o ato mágico é, e requer ação e força de vontade e de
realização por determinação da lucidez e da original capacidade
de existir no mundo que todo ente tem... e assim de estabelecer
sua narrativa própria de transcendência do lugar pronto que lhe
esperava, e esta é a luta contra o mal e os maus ...
A grande magia da vida, é a luta por nós mesmos nossos
amores e nossos mundos.

- crônicas das asceses místicas



merecemos o Oscar.

 Nós merecemos o Oscar.... pois, se não, nunca haverá glória possível em ser perseguido e destruído por ignorantes e arrogantes que se pensam donos da verdade, por assassinos morais, e ter a vida devassada e exposta a humilhações diversas, estúpidas e violentas até a própria morte virar um produto... no contexto de premiação do Oscar, o país que dá o prêmio, o prêmio em si, todo o contexto de humilhação e destruição de vidas e de interferência criminosa nas estruturas políticas de diversos outros países aonde ocorre o mesmo, saem de um único poço de sangue que este país genocida e seu modelo de mundo criaram e está vigendo... e nas fronteiras entre propaganda, informação, desconhecimento, fato, ato, vontade e perspectiva, avançam sobre a verdade objetiva e a transformam em narrativa, aonde revaloram conceitos, elevam alguns símbolos, ressignificam atos, enaltecem fatos, incensam, elogiam gestos, reconfiguram ações, pagam, disseminam e apregoam e premiam regiamente os que os seguem replicando, dando voz e vez, com suas ficcionais glórias e louros em revisionismos heroicos, triunfantes e  reformatados ... aonde nossa derrota é boa, aonde nossa moral é menos importante, secundária, aonde nossa potência é irrelevante, aonde somos subservientes e obedientes às imposições de modelos que pretendem referendar como o possível, para seres como nós nos nossos mundos subservientes à centralidade do algoz ... e ou do contrário...  nos destroem, desmoralizam e desprezam, riem, e ridicularizam todos os que os contrapõe, e oportunamente os anulam e até se possível, matam.  O algoz, o colonizador  tem certeza de que todos nós somos seus produtores enquanto somos também produtos, nosso lugar de honra, curiosamente é no topo desta montanha de lixo que sistemicamente, civilizacionalmente agora representamos e servilmente é um lugar que no capital tardio, nos ensinaram que 'amamos' e tão bem e também ali, os representamos, nas mortes das quais necessitamos e incluídas as nossas mortes morais e intelectuais e culturais às quais eles e nós neste lugar infeliz e subservientemente, moralmente  nesta condição, também 'necessitamos'... 'Nós' merecemos o Oscar...

- crônicas das lutas de classe

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

possibilidades

Tu o meu poema portal
na vitória da minha verdade  
prodigiosa obra fenomenal
do dispositor natural da realidade
o amor que é o teu verdadeiro nome
no espaço em que é em conformidade 
saciadas todas as ilusões, e sede, e fome
restarão as considerações do ser e aonde
deseja-se num existir em produtos ou possibilidades...
- metateatro

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Nada

- E então, nada acontece.
- Nada não existe.
Nada existe.
- Se é que o que foi 'lá',
daqui ainda é, pois
assim então sempre
é num 'será'... como
um futuro que se dá
numa ré, já aconteceu
em que nem mais
acontecerá, mas,
ainda é num 'até'...
É, e não é.
- Nada é.
ralleirias -Metateatro

domingo, 19 de janeiro de 2025

Poetizar

Poetizar, na vida... pode ser dramático, 
tornando-se lugar de ruptura e inovadora
geração e assim também de destruição e 
de entrega e resistência contra a imposição 
da própria rendição e enganos, contrapondo 
a incompetência de formação das crenças e 
todos os seus decanos, até a confirmação do 
que o contraditório à nós todos, possibilita, 
em outros planos da dimensão de cada acerto 
ou engano, aonde a vida já não pode ser prescrita, 
por nenhuma imposição e jamais por cega 
submissão aflita em que um expandir de si, ali, 
se impossibilita, e seja qual for qualquer suposição 
de instância e de superior posição além de ti mesmo 
e da tua própria vida e merecida expansão e 
preservação do melhor que se pode sonhar em 
ti e dali, do tudo que para ti e teu mundo se possibilita...
- Metateatro