terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Quem deseja liberdade

Quem deseja liberdade, deve estar disposto 
a abrir mão dos mundos de todos os outros 
agentes de sua aparente existência... 
Decerto que aos poucos, acorda-se para o fato 
de que o próprio mundo então desmancha-se, 
e assim vai virando outras coisas ainda sem 
fronteiras ou horizontes, e são campos tão longos 
e vastos de nada, nada do que se imaginava antes...
- Metateatro

invisível

 invisível corte no silêncio 

é o pensamento, 

palavras como 

facas imaginárias 

que partem ao tempo...

Invisível sorte a dos movimentos

casuais em causas, causais 

entropias sem os necessários

mas porém, compulsórios

significamentos...

Invisível sorte, 

a do rebento

quando finda 

cada ciclo

numa morte 

recheada de

vidas... 

vividas

pelos

próprios 

sentimentos...

ralleirias - crônicas das mortes não morridas

miríade

  Nos cabe, quem sabe

tentar inventar os nossos 

mundos... conforme

inventam-se também as 

nossas diferentes verdades, 

do raso ao mais profundo... 

e que são obras sempre individuais

mas uma miríade de costura de mundos 

e assim ao mesmo tempo, são coletivas, 

e coletam de fato e de fato semeiam, 

assim nestes atos, todas as nossas vidas...

- Metateatro



inventando

O meu tempo é um velho amigo,
e nós temos a mesma idade
e partilhamos das mesmas
sagas, das mesmas mágoas,
e também as glórias são divididas,
duplamente temos as mesmas
propriedades mágicas, tão
fantásticas que são invisíveis e
completamente desconhecidas...
E é justamente para desvendá-las
que assim produzimos em cada detalhe
todas as nossas estórias e histórias
e vamos inventando os nossos sonhos
e ilusões e nelas irremediavelmente
serão todas às nossas vidas...
ralleirias -metateatro



segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

consentimento

Noite impar
noite par...
sou como
cada sonho
que todo
ser irá sonhar
flutuando em
sentimento na
intenção de
percepção da
invenção e
consentimento
como partícula
de pó, solta
e em fluxo
errático no ar e
em movimento ...
-Metateatro




local para retiro

Acho que talvez por isso, seja importante um local para retiro... 
'domar a mente', não nos livra das mazelas do encontro com o 
mundo e de nossas identidades históricas e sociais... 
não é possível, algo como 'iluminar-se' e extinguir os 'problemas' 
esta é uma busca idealizada e um tanto ingênua, pois justamente 
estes são frutos de nossas formações dialéticas submetidas as regras 
de um patriarcado neolítico e as heranças que nos deixou 'universalizadas' 
em nossas linguagens e nas diversas formações sociais ... 
assim, é muito importante também desenvolver lucidez sobre a própria 
noção de identidades pessoais e coletivas e estas dialética construtivas 
nas linguagens e percepções...
- Salve Padma!

domingo, 24 de dezembro de 2023

sagrada natalidade

Jesus Maria e José,
fugiam de sua terra,
eram exilados
de Nazaré
numa guerra
de ocupação
e de dominação,
escapavam de um infanticídio
comandado pelo representante
local de um império, que cometia
diversas barbáries entre elas um genocídio
em nome do poder, das apropriações
e da colonização,
até que por fim, conseguiram anos depois,
mata-lo numa crucificação...
Enquanto houverem guerras, e exploração e ódio
ao próximo, não haverá espaço para o Jesus Cristo,
só o Jesus morto... Este encontro que tantos
rogam e buscam no sagrado, só é e será possível
primeiramente dentro de cada um e dai, só se consagrará
no meio de todos nós, e será este o milagre: O da real
empatia, o da capacidade de darmos espaços aos outros
num lugar igual ao nosso, crítico, assim crístico e então
consagrando igualdades e verdades. Eis a sagrada natalidade.




Não tem como ser um 'feliz natal', não povo... 
Estão trucidando crianças na terra de Jesus, 
fazer a boa e velha vista grossa não rola... 
O mal estar social convulsionante grita 
nas nossas caras e escancara hipocrisias. 
Somos o resultado de uma sociedade que 
faliu faz tempo e já vai é tarde, o mundo a 
natureza e nós mesmos não aguentaremos 
mais, sabemos que a estrutura está ruindo. 
E que todos tenham claro, são as nossas 
mortes que aos poucos vão pagando esta 
conta, cada um de nós, é moeda, lucro, 
número, uma baixa por vez, um à um...