sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Rezemos

Rezemos aos atingidos
pela fúria da natureza,
Rezemos aos atingidos
pela fúria do homem
Rezemos aos atingidos
pela fúria da desumanidade
na conformidade dos espaços 
sagrados e profanos que ocupam, 
e ocupavam, 

rezemos, pelos colhidos não tão ao acaso 
na luta da sobrevivência cotidiana,
atingidos por ignorância insana
e pelo ódio de classe e as armas de aço
e o vírus, e a febre e o descaso
de falta de ar e da falta de espaço 

rezemos pelos oprimidos, 
pelos tronchos, mancos, 
caolhos ....e toda a 'escória' 
de todos os desvalidos... 

rezemos, pelas almas torpes 
que espumam raiva e militam ódio,

rezemos pelos 'pseudo' descerebrados, 
os violentos e também os imorais,

rezemos mais,
pelas aldeias dizimadas, 
pelos inocentes desavisados, 
úteis, como massa de manobra,
e pela ingenuidade e dor do amor,
que for apenas devorador.

rezemos, pelos povos nativos 
de toda a parte, 
e todos os seres puros, 
e todos os animais de toda a natureza,

 rezemos pelos reféns da maldade dos interesses de poucos..
Rezemos assim inclusive, por nós, e por este lugar 
de onde conseguimos ainda rezar, 
enquanto ainda o temos e podemos.. 
Rezemos.

ralleirias-  das lutas de classe



sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Cura.

A luz que desloca,
o brilho que toca
e o olho procura,
lucidez e loucura...

Ser... sede,
fome,
desejo, vida...
e cura.

ralleirias- das asceses místicas



para criar novos e melhores mundos ...

Ouça as suas palavras,
elas falam de quem, aonde?

Verdades postas em
arranjos lógicos grupais
para instantes fatos
e que encabeçam
fatídicos destinos?

Vontades, palavras, são como fomes.

As palavras puxam para o real
as ações que podem fazer mundos.

Devoram quase todos os seus instantes.

Tome o tino dos significados
encadeados socialmente, os
que vieram habitar no que
era para a ser sua mente...
Presente nas configurações
da construção do seu momento
numa vontade clara, há poder
para criar novos e melhores mundos ...

ralleirias - 


quinta-feira, 30 de agosto de 2018

cada humano é uma quimera

Cada humano é uma quimera
blasfemando sons sagrados,
e existindo sobre a terra
Cada humano é uma quimera
amaldiçoando e emanando
bênçãos, devorando vidas
e destinos nas palavras
Cada humano é uma quimera
construindo, mantendo e destruindo
tudo, e é pelo que se está sentindo,
arrastados nas correntezas
das lógicas presentes,
em seus logos envolventes...
e seus conteúdos...
cada humano é uma quimera
de sonhos, devaneios, em bardos
imaginados e descontinuados
ad aeternum ou nulos.
Cada humano é uma quimera...
de cada lado e sobre o muro
Cada humano é uma quimera...
no presente passado e futuro
não decifrada, devorando tudo.
ralleirias - metateatro





quarta-feira, 29 de agosto de 2018

orbe sagrada

Excede, ó
orbe sagrada,
impossibilitados
padeceremos mais
do que o próprio tempo...
Em nossas virtudes derramadas
num perpetuado condicionamento...
Vinde a nós, a vossa vontade
de vindas e idas em seus
intercalados movimentos 
e que se façam os sons 
das vidas nascidas e findas
e seus naturais silêncios...
do espaço e do nada, ao
total preenchimento
em todo o seu nada e
e o seu acolhimento...
ralleirias - crônicas das asceses místicas


terça-feira, 28 de agosto de 2018

Onde está você?

Onde está você?
Em que parte da história?
E não são estórias? Em que lugar está
agora e sempre toda a sua vida?
No último segundo, lá, em alguma memória?
Nas glórias, fracassos, lugares instâncias
tão intemporais como um sonho?
Mas, aonde está você, ancorado nas suas
marcas mentais e linguagens, na forma e aparência,
que tem agora, ou na que possui a sua
identidade social, ou num lugar de fala?
Em qual tempo, em quais vontades e sonhos...
Nas móveis circunstâncias longe de seu instante...
São espaços, formas, cenários que foram e
vão o tempo todo... para onde, são seus?
O que resta? Onde está você?

ralleirias- das asceses místicas


sexta-feira, 24 de agosto de 2018

ao condicionado.

Na terra a permanência vibra.
A água flui até parada.
Vento move o movimento.
Fogo em sol, faz saraivada...
Tempo, acontece, informa,
esquece, transforma, em tudo e nada...
O ser é causado, e enlaçado ao condicionado.
ralleirias- das asceses místicas