terça-feira, 15 de dezembro de 2015

sonhamos sonhos iguais?

Sou sempre eu sonhando contigo
ou é tu sonhando comigo?

E no meu sonho, sonhado por ti...
E no teu sonho, sonhado por mim...

Tu no teu sonho, sonha comigo,
sonhando contigo, que sonha assim...

Eu no meu sonho, sonho contigo,
sonhando comigo, que sonha assim...

Sonhas, e eu sonho,
que sonhamos juntos,
que sonhamos...

Mas, sonhamos
sonhos iguais?

E mais
sonhos,
mas...

Eu, entrei no teu sonho
pra te libertar...

Te livro agora
deste sonhar.

E comigo,
tu livras, teu
eu e eu de mim...

Deste meu eu
de ti pra mim
deste teu eu
de eu pra ti
tu e eu
teu, meu.
Nó dos nós.

Pois a posse
maior do eu
é o seu
próprio
fim

num fim de
propósito, de
princípio e fim
pelo seu findar.

e o
sonhar
é assim,
fim
sempre
num
recordar
renovar?
posto um
inovar,
cria-se?

Assim
o criar
é também
um fim

Sonhamos
assim?

ralleirias - Das lutas de classe


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Toda ilusão, não é ignorância?

E se,
todo o mistério, 
segredo e culpa 
fossem apenas ignorância ...

Toda ignorância é instância
se há instâncias, há caminhos.

E se,
todo o mistério, 
segredo e culpa 
fossem apenas caminhos ...

Todo caminho é vontade
se há vontade, há desejo.

E se,
todo o mistério, 
segredo e culpa 
fossem apenas desejos ...

Todo desejo é sonho
se há sonho, há ilusão.

E se,
todo o mistério, 
segredo e culpa 
fossem apenas ilusões...

Toda ilusão, não é ignorância?

ralleirias - oroboro




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Construção...

Como o sagrado que está
dentro de uma prece
tua roga
gira a roca
da realidade...

Desejo
configura a verdade
dádiva
emana da invenção...

Vem ao real o fato.

Faz-se matéria da intenção.

Conclui-se o existir neste cume?
E palavras, têm um único gume?

Real nenhum,
deixará de ser construção...

ralleirias - Meta teatro


                                                                         

indecência é poema

Poema é vontade
vontade é palavra
palavra é necessidade
necessidade é dor
dor é da sorte
sorte é destino
destino é saga
saga é estória
estória é memória
memória é desejo
desejo é identidade
identidade é poema...

Poema é orgasmo
orgasmo é morte
morte é costume
costume é verdade
verdade é estrume
estrume é vida
vida é indecência
indecência é poema...
ralleirias - Meta teatro


A sincronicidade no real...

A sincronicidade dos eventos, 
parece que se apresenta apenas acompanhando o imaginário... 

Que tempos são estes, onde pragas, parasitas, fascistas e seres de todo o tipo, 
tomam dimensões monstruosas e invadem nossas vidas, 
pelo nosso entendimento e com o nosso consentimento, 
sobre o que deveria ser o real...

ralleirias



ser um ninja

Praticar compaixão
por quem nos odeia, 
perdoar quem nos agride, 
esvaziar a mente, 
reconhecer pensamentos alheios 
e vontades impostas pela mundanidade,
e que transitam despoticamente 
como se fossem naturais e nossos...
Focado no eu, emanar-se no todo...
Sereno, safo.

Esta prática perfeita é o equivalente 
a ser um ninja, em comparação 
a normalidade ...

E falar, é infinitamente mais fácil...

E, mesmo analisando o problema
como se estivesse num nível mediano
de complexidade, ou seja:

Praticar esta liberdade
que o budismo ensina 
é na verdade, uma transgressão 
em relação à qualquer cultura...
ralleirias




Culmina

No auge, peça de máquina...
Engrenagem desgastada,
padrão em constante obsolescência.

No pico, giro alto,
todo o tempo com pouco tempo.

Daí, culmina que tu morre,
quebra, funde...

Morre tentando viver.
Tu sucumbe no desgaste de tu ser.
À poucas braçadas, bem perto da praia,
depois de todo o imenso esforço.

Culmina que cai tudo,
e bem na tua hora,
porque gente como tu,
só tem que se lascar.

Culmina que tu cai de cara e te quebra,
sem apoio, fica no chão, vítima, calçada,
capacho, pedra no caminho...

Culmina...
No topo da montanha de lixo.
ralleirias (pérolas duns sapatos)