quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

de onde sai

 O que ou quem dita 

de onde sai a beleza? 

É como algo que 

é da vontade, ou seria 

das vaidades... 

Mas em quais verdades?

E de quais certezas?

Como se faz ou cria-se 

aquilo o que é belo?

É do que é complexo, 

ou do que é singelo? 

Brota como do furor da cor...

do azul ou verde 

do vermelho ou do amarelo...

Mas, por qual valor?

O que lhe diz?

É a forma, 

ou é o que 

lhe conforma?

Mas, quem dita 

estas benditas normas? 

É daquilo que o faz 

ou é do que já o fez... 

E aquilo que é o belo,

é como era o de outrora 

ou é como o desta hora 

e nesta vez? 

- meta teatro

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

a dignidade

No nada 

do tempo,

crio... 

e volto 

consciente

olhar,  

adentro...

atento.

No agora

entro.

Vem, só o amor

tem a dignidade

para ocupar todo 

o momento...

ralleirias  - Aonde está o blues

teus silêncios

 O amor?

Te espera.

Nas confidências

feitas à ti

pelos teus 

silêncios...

- Meta teatro

sábado, 1 de janeiro de 2022

Cabe-me

 Cabe-me talvez pedir desculpas, 

porque eu nunca te esqueço, 

por causa do amor que eu acho puro,  

sem culpas, e que insistentemente 

eu te arremesso... 

Pois sei, sinto, é que só cabe-me amar, 

o que também é a única coisa que 

à essa dor de solidão do ser 

e do não ser, pode amenizar... 

E cabe-me esperar, que um dia, 

eu possa humildemente à ti, me entregar

para assim de alguma forma, realmente

eu, no teu ter, me pertencer...finalmente.

ralleirias - Bravo amar

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

e de novo.

Cada palavra, abre portas no passado.
Assim, mesmo o bem dito,
já está prescrito
por um velho significado.
Sou sempre um eu de outrora
que com tudo corrobora...
Sou o eu que é de agora
mas grudado ainda
naquela velha cola...
E daí, o passado vai ao futuro
e lança-se dum presente
que eu não curo...
Faz tempo que nada nunca é novo,
e de novo, e de novo, e de novo.
ralleirias -metateatro

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

utilitarismo

 A doença do utilitarismo é mais que uma falácia capital, é 

também falta de humildade e uma afronta à naturalidade da 

vida. Somos já perfeitos apenas pelo existir.

- crônicas das lutas de classe

amplia-se

 Uma consciência ampla começa a ter nascimento entre todos 

nós, nela há um olhar ao outro como um espelho. 

As circunstâncias presentes permitem que ela cresça e tome 

corpo, faça novas formas e instâncias... amplia-se a empatia, 

e esta, apropria-se assim, de todos os conhecimentos. 

Surge um novo eu, um novo nós, que ampara-se em 

reconhecimentos. A paciente e humilde dádiva da aceitação 

manifesta-se... As verdades extrapolam as necessidades dos 

desejos, a compreensão como silêncio do desejo sobre 

quaisquer passageiros sonhos é o novo poder. Produz-se 

natural permissão pra que a graça apenas seja neste novo 

agora em justas e acolhedoras simplicidades. 

O amor agora é um fato consumado em tudo.

- crônicas das asceses místicas.